terça-feira, junho 28
O paraíso ao virar da esquina: num país perto de si
Una estación de Alta velocidad por AlbaceteTeVe
14 de Maio, em campanha eleitoral: alguém anuncia a ligação de Albacete por alta velocidade à linha Madrid-Sevilha e que o tempo de percurso Toledo-Cuenca-Albacete iria ser ainda mais reduzido, passando a fazer-se em apenas 1 hora e meia. Boas perspectivas para Albacete, que ficaria a pouco mais de duas horas das praias.
28 de Junho: a RENFE anuncia o encerramento da linha de alta velocidade Toledo-Albacete, por falta de procura (média diária de 9 passageiros, um movimento um pouco acima do do nosso neo-aeroporto). O director do serviço de passageiros afirma que a empresa foi ao encontro das aspirações dos "alcaldes" locais, que converteram a alta velocidade em símbolo do desenvolvimento regional.
domingo, junho 26
Antes filho que boy
O caso passou-se em Grândola e foi referido há três dias nos jornais. Suspeito que não contém nada de realmente novo nem original, mas a singularidade das justificações do Presidente da Câmara de Grândola é interessante e merece alguma atenção.
A nomeação do filho como adjunto foi maduramente pensada e assenta na qualificação académica muito pontuada da pessoa (não especificada) que o filho representa, e que o Presidente garante conhecer há 29 anos. Não invento nada, é o que a notícia diz. Mas não nos percamos em elocubrações improdutivas: este discurso críptico pode reflectir simplesmente um problema de redacção. Mais significativo é que temos aqui um invulgar exemplo de coragem. Apesar das gigantescas pressões que podemos imaginar, o autarca resistiu a nomear um boy, e avançou directamente para a família, arriscando-se, e aos seus, a uma bateria de críticas. Ainda mais, está a obrigar o filho a trocar pelas ingratas funções públicas uma actividade profissional (supõe-se que promissora) em empresas do sector privado ligadas à área do desenvolvimento e turismo. É preciso ter coragem e ser limpo para fazer esta nomeação", afirma Beato. Concordo em absoluto.
A nomeação do filho como adjunto foi maduramente pensada e assenta na qualificação académica muito pontuada da pessoa (não especificada) que o filho representa, e que o Presidente garante conhecer há 29 anos. Não invento nada, é o que a notícia diz. Mas não nos percamos em elocubrações improdutivas: este discurso críptico pode reflectir simplesmente um problema de redacção. Mais significativo é que temos aqui um invulgar exemplo de coragem. Apesar das gigantescas pressões que podemos imaginar, o autarca resistiu a nomear um boy, e avançou directamente para a família, arriscando-se, e aos seus, a uma bateria de críticas. Ainda mais, está a obrigar o filho a trocar pelas ingratas funções públicas uma actividade profissional (supõe-se que promissora) em empresas do sector privado ligadas à área do desenvolvimento e turismo. É preciso ter coragem e ser limpo para fazer esta nomeação", afirma Beato. Concordo em absoluto.
Dois pontos sobre rodas
A curiosa notícia sobre os ciclistas nus suscita duas reflexões.
Primeira: que moral poderá estar a ser ofendida com esta iniciativa? Atendendo a que estamos em 2011, só pode estar em foco a obrigação de os cidadãos se protegerem dos ultra-violetas e outros efeitos deletérios do calor, como a Autoridade Nacional de Protecção Civil não se cansa de recomendar com os seus alertas coloridos.
Segunda: tentando interpretar correctamente a moral do dia que corre, ao recomendar o uso de cremes solares, o Presidente da Câmara de Lisboa assume competências inesperadas e está a dar uma sugestão aos novos governantes. A ANPC pode ser desmantelada já.
(Imagem. J Roybal)
sábado, junho 25
Mini-preços, mini-duração
Madrid é diferente. Micro-teatro por dinero é uma novidade de sucesso. Por apenas 3€, pode ver-se teatro e tomar uma bebida. Mas não menos importante é a duração das peças: 15 minutos. O produto interessa a todos: aos que têm poucos euros no bolso e aos que, tendo muitos, não podem convertê-los nesse bem mais precioso que é o tempo. Sem esquecer os pobres ou ricos que por conformação genética adormecem ao fim de 20 minutos de declamações. Que grande potencial tem a ideia.
sexta-feira, junho 24
"Um diálogo Pos-moderno: um interdito linguistico em abismo " - 4 anos depois
Por via de uma citação do on, um post antigo tem um comentário novo.
Democratização do copianço
Os exames nacionais envolvem uma operação policial de grande envergadura, com entrega simultânea de pacotes de enunciados, mantidos em grande segredo até ao momento aprazado, nas escolas de todo um país. É assim em Portugal como é também em França. É preciso recuar a 13 de Outubro de 1307 para se encontrar uma acção comparável, quando o ministro Guillaume de Nogaret organizou a prisão dos Templários.
Mas agora os tempos são outros... Um exercício do exame de Matemática para o ensino secundário em França foi divulgado na véspera. Os jornais dão grande destaque ao assunto.
O autor da divulgação, que escreve com muitos erros de francês, garante no site que o exercício vai mesmo sair e encoraja os internautas a tentar resolvê-lo: garante que não se arrependerão. E desafia: se não acreditam, ao menos utilizem-no como treino.
Enquanto alguns já reclamam a repetição do exame de Matemática, o caso vai dar que pensar. O sistema utilizado é muito dispendioso e o peso do exame na nota final é diminuto, argumentam os que se queixam da desadequação do modelo que, afirmam, nem garante a equidade a nível do país.
Mas agora os tempos são outros... Um exercício do exame de Matemática para o ensino secundário em França foi divulgado na véspera. Os jornais dão grande destaque ao assunto.
O autor da divulgação, que escreve com muitos erros de francês, garante no site que o exercício vai mesmo sair e encoraja os internautas a tentar resolvê-lo: garante que não se arrependerão. E desafia: se não acreditam, ao menos utilizem-no como treino.
Enquanto alguns já reclamam a repetição do exame de Matemática, o caso vai dar que pensar. O sistema utilizado é muito dispendioso e o peso do exame na nota final é diminuto, argumentam os que se queixam da desadequação do modelo que, afirmam, nem garante a equidade a nível do país.
segunda-feira, junho 20
A PP, o IA e o VIP
Tão pouco tempo e tanto que há para aprender. Ontem dei-me conta de que há uma coisa chamada Psicologia Positiva (PP) que parece que é uma ciência. Foi inventada em 1998 por Martin Seligman e tem por objectivo mostrar uma outra face da Psicologia. Grosseiramente descrito, o lema é: abaixo o divã e o escavar de memórias macabras; em vez disso procurem-se as raizes do génio e do talento e promova-se a valorização das experiências positivas e a busca da felicidade. Se a comparação me é permitida, e pedindo desculpa pelo simplismo do meu entendimento, é como se tivéssemos um novo género de canalizador que entra em acção quando os canos estão em perfeitas condições.
Fiquei a saber de tudo isto num programa da Antena 1, com a presença de uma investigadora que é pioneira da introdução em Portugal dos métodos da PP: o Inquérito Apreciativo (IA), o V.I.P. (valores, influências e projectos) e o World Café. Fiquei com vontade de saber mais e fui pesquisar. Eu explico rapidamente: o IA pode assumir a forma concreta de Máquina do Tempo, em que as pessoas são chamadas a escrever as suas experiências gratificantes em post-it de cores diferentes, que colam em papel de cenário numa parede. Com o V.I.P. descrevem o que lhes evocam os valores, influências e projectos enquanto desenham círculos concêntricos. No World Café promovem-se conversas sobre temas agradáveis à volta de uma mesa com uns acepipes.
De acordo com a literatura publicada, tudo isto é comprovadamente eficaz, podendo os resultados, decorrentes de intervenções concretas em algumas organizações, ser classificados de "surpreendentes". Se assim é, só posso ficar feliz.
Mesmo que pareça que estou a brincar com o assunto, esclareço desde já que não é o caso, até porque descobri que a mesma investigadora faz uma recomendação que recolhe toda a minha simpatia e apoio, sem qualquer réstea de ironia: o uso sistemático do humor a nível das organizações. Advoga que se saiba rir de nós próprios e dos nossos maiores insucessos, que as organizações formem pessoal em competências humorísticas e que o humor seja progressivamente introduzido em notas informativas, circulares e discursos. Já fico bem disposto só de imaginar esse mundo novo. Venham as directivas, já!
Fiquei a saber de tudo isto num programa da Antena 1, com a presença de uma investigadora que é pioneira da introdução em Portugal dos métodos da PP: o Inquérito Apreciativo (IA), o V.I.P. (valores, influências e projectos) e o World Café. Fiquei com vontade de saber mais e fui pesquisar. Eu explico rapidamente: o IA pode assumir a forma concreta de Máquina do Tempo, em que as pessoas são chamadas a escrever as suas experiências gratificantes em post-it de cores diferentes, que colam em papel de cenário numa parede. Com o V.I.P. descrevem o que lhes evocam os valores, influências e projectos enquanto desenham círculos concêntricos. No World Café promovem-se conversas sobre temas agradáveis à volta de uma mesa com uns acepipes.
De acordo com a literatura publicada, tudo isto é comprovadamente eficaz, podendo os resultados, decorrentes de intervenções concretas em algumas organizações, ser classificados de "surpreendentes". Se assim é, só posso ficar feliz.
Mesmo que pareça que estou a brincar com o assunto, esclareço desde já que não é o caso, até porque descobri que a mesma investigadora faz uma recomendação que recolhe toda a minha simpatia e apoio, sem qualquer réstea de ironia: o uso sistemático do humor a nível das organizações. Advoga que se saiba rir de nós próprios e dos nossos maiores insucessos, que as organizações formem pessoal em competências humorísticas e que o humor seja progressivamente introduzido em notas informativas, circulares e discursos. Já fico bem disposto só de imaginar esse mundo novo. Venham as directivas, já!
quinta-feira, junho 16
Philo
...dire la vérité est utile à celui à qui on la dit, mais désavantageux à ceux qui la disent, parce qu’ils se font haïr. (...)
Personne ne parle de nous en notre présence comme il en parle en notre absence. L’union qui est entre les hommes n’est fondée que sur cette mutuelle tromperie ; et peu d’amitiés subsisteraient, si chacun savait ce que son ami dit de lui lorsqu’il n’y est pas,
quoiqu’il en parle alors sincèrement et sans passion.
L’homme n’est donc que déguisement, que mensonge et hypocrisie, et en soi-même
et à l’égard des autres. Il ne veut donc pas qu’on lui dise la vérité. Il évite de la
dire aux autres ; et toutes ces dispositions, si éloignées de la justice et de la raison,
ont une racine naturelle dans son coeur.
Este é um dos textos que hoje sairam em exames nacionais de Filosofia realizados em França. Países cultos são outra coisa: ministros, políticos e outras figuras públicas são chamados a resolver as questões do exame e lá se desenrascam como podem, e até o povo responde ao desafio enviando as suas respostas em versão SMS. O país inteiro discute se a arte é mais importante que a ciência, se a igualdade sacrifica a liberdade ou se uma hipótese científica é demonstrável. Numa palavra, discutem-se os assuntos verdadeiramente importantes. E tudo sem usar calculadora!
Personne ne parle de nous en notre présence comme il en parle en notre absence. L’union qui est entre les hommes n’est fondée que sur cette mutuelle tromperie ; et peu d’amitiés subsisteraient, si chacun savait ce que son ami dit de lui lorsqu’il n’y est pas,
quoiqu’il en parle alors sincèrement et sans passion.
L’homme n’est donc que déguisement, que mensonge et hypocrisie, et en soi-même
et à l’égard des autres. Il ne veut donc pas qu’on lui dise la vérité. Il évite de la
dire aux autres ; et toutes ces dispositions, si éloignées de la justice et de la raison,
ont une racine naturelle dans son coeur.
Este é um dos textos que hoje sairam em exames nacionais de Filosofia realizados em França. Países cultos são outra coisa: ministros, políticos e outras figuras públicas são chamados a resolver as questões do exame e lá se desenrascam como podem, e até o povo responde ao desafio enviando as suas respostas em versão SMS. O país inteiro discute se a arte é mais importante que a ciência, se a igualdade sacrifica a liberdade ou se uma hipótese científica é demonstrável. Numa palavra, discutem-se os assuntos verdadeiramente importantes. E tudo sem usar calculadora!
segunda-feira, junho 13
Petit scandale colatéral
Com os pequenos ou médios escândalos que têm os costumes sexuais em pano de fundo, saltam para os jornais os pequenos ou médios escândalos colaterais. Em França, o caso dos rumores sobre um antigo ministro trazidos à cena por outro antigo ministro evoluiu para acusações e recriminações, continuando em alta o escrutínio feito aos deveres profissionais e ao salário de Luc Ferry na Universidade de Paris VII. Ferry não deu aulas neste ano lectivo, mantendo o salário, que acumula com um adicional pelas funções exercidas como presidente do Observatório da Sociedade. Tudo legal, diz Ferry, pois a afectação a funções públicas está prevista e regulada. Não é bem assim, replica Paris VII: a lei de autonomia universitária que entrou em vigor em Setembro de 2010 veio mudar as coisas. O enredo, agora frente ao cenário dos chorudos salários em funções públicas de utilidade misteriosa, presta-se bem a todos os populismos e oportunismos, tanto mais visíveis quanto melhor observarmos as famiglias políticas que defendem e atacam. A moral pode bem ser substituida pela correcção dos procedimentos administrativos e pelas fidelidades ideológicas, se é que ainda há restos de ideologia. Entretanto, no Figaro de hoje, o número de comentários sobre o salário de Ferry já é 3 vezes maior que o número de comentários sobre o caso que originou o rumor.
sexta-feira, junho 10
Weiner show
Terão mudado assim tanto os padrões morais em meia dúzia de anos? A pergunta de William Saletan faz todo o sentido. É verdade que o caso Weiner evoluiu de mal a pior: da tentativa de negação inicial passou-se à exposição da mentira, à confirmação de que o congressista terá enviado pela net fotos da sua nudez a mais de uma mulher, e sabe-se agora que tudo isto se passou ao mesmo tempo que a esposa de Weiner espera um bebé. Pecadilho sem grande relevo, dirão alguns. Menos grave do que as fraquezas de Clinton na sala oval, talvez. Daí que se assista com surpresa à forte demarcação que conhecidas figuras do Partido Democrata estão a fazer em relação a Weiner, com apelos à demissão.
Muitos que começaram por apoiá-lo ficaram irritados depois de se saber que o homem afinal tinha mentido, e julgam que a perda do lugar é bem merecida, mais por ser um mentiroso do que por espalhar na net fotos das suas partes.
Seja como for, parece que a personagem central deste reality show não merece a piedade dos espectadores. Porque, se tivermos paciência para fazer um flash-back até 1991, ficamos a saber que o nosso homem saltou para a política usando métodos desprezíveis, que passaram por ataques caluniosos anónimos aos seus concorrentes e pelo apelo à hostilidade racial.
Para Weiner não vai ser fácil o caminho da demissão. Pela simples razão de que é um político de aviário, que nunca teve uma profissão na vida real e não sabe fazer mais nada.
Muitos que começaram por apoiá-lo ficaram irritados depois de se saber que o homem afinal tinha mentido, e julgam que a perda do lugar é bem merecida, mais por ser um mentiroso do que por espalhar na net fotos das suas partes.
Seja como for, parece que a personagem central deste reality show não merece a piedade dos espectadores. Porque, se tivermos paciência para fazer um flash-back até 1991, ficamos a saber que o nosso homem saltou para a política usando métodos desprezíveis, que passaram por ataques caluniosos anónimos aos seus concorrentes e pelo apelo à hostilidade racial.
Para Weiner não vai ser fácil o caminho da demissão. Pela simples razão de que é um político de aviário, que nunca teve uma profissão na vida real e não sabe fazer mais nada.
quarta-feira, junho 8
A reacção do silêncio
É notícia nos jornais e rádios em França, por via de um artigo do Canard Enchaîné: o presidente da Universidade de Paris 7 convoca Luc Ferry hoje mesmo para que se explique. Segundo o artigo, o filósofo e professor está ausente do serviço há meses, continuando a receber o salário bruto de 4.499 euros. (Faz lembrar aqueles preços que nos anúncios terminam em 9 para parecer que estão longe da centena seguinte.) Quando os adeptos de todos os encobrimentos querem mostrar que ninguém pode lançar pedras, ficamos ao menos a saber quanto recebe um professor universitário em França.
domingo, junho 5
Duas mulheres?
Casaram-se ontem em Nancy e augura-se-lhes um futuro feliz. São duas mulheres lésbicas, dizem elas, uma das quais possivelmente um homem. É fácil perceber: Stéphane gostaria de ser chamada Stéphanie. Afirma aos jornalistas que fez cirurgia para mudar de sexo mas esconde a documentação às autoridades, o que lhe permitiu casar com a jovem Elise dentro da lei desse estado antiquado que ocupa o hexágono para lá dos Pirinéus. Porque quem existe em face da lei é o homem que Stéphane foi. Para lá da publicidade conseguida, a história é fascinante, porque na realidade não temos provas de nada do que as duas dizem. As notícias limitam-se a reproduzir a versão do casal. Stéphane-nie e Elise podem estar, simplesmente, a gozar-nos. Mas a estorieta do homem que se torna mulher porque ama uma mulher que gosta de mulheres é sem dúvida bonita, com ou sem ironia.
quarta-feira, junho 1
Onde de choque
Depois de DSK, houve o caso Tron. Em Espanha, um senador acusado de abuso de menores vai apresentar a demissão. Mas é em França que a discussão se faz ao rubro pela calada. Há dois dias, num programa do Canal+, o ex-ministro Luc Ferry acusou, sem o nomear, um anterior ministro de actos de pedofilia praticados em Marrocos. A revelação não o é assim tanto: lendo o que se escreveu sobre o caso percebe-se que todos sabem não só quem é o inominado como também da existência dos tais rumores. A imprensa é enviesadamente cautelosa no que escreve, seja fechando as caixas de comentários , seja desinteressando-se da substância dos (alegados) factos e mobilizando-se contra o mensageiro.
terça-feira, maio 31
Desaparecimentos
Isto é uma dúvida que me assalta há muito tempo, mas fiquei a saber que não sou um caso isolado. Por coincidência, recentemente mais de uma pessoa me confidenciou o seu estupor perante o facto. As máquinas de lavar engolerão peúgas? Parece que não é tão incomum, no fim da lavagem, aparecer apenas uma peúga onde devia estar um par. Mas se a máquina se abotoa com uma peúga de vez em quando, não deveria notar-se algum efeito de entupimento? E porquê peúgas, porque não lenços? Ou também os surripia e não notamos porque não vão aos pares? Não tenho resposta mas pelo que tenho vindo a saber trata-se de um mito urbano bem disseminado.
domingo, maio 29
Promoções
Fábio Coentrão é um dos melhores do mundo: é Ronaldo quem o diz. O novo talento português é objecto de uma campanha de venda que poderá render umas dezenas de milhões de euros ao Benfica. Ao lateral esquerdo juntou-se ontem a campanha de um partido português. Desinteressadamente, com certeza: apenas se aproveitou a oportunidade para obter uns autógrafos do craque. O partido exibiu abundantemente a sua simpatia e adesão ao jogador.
Promover as nossas estrelas e escutar o que têm para nos dizer é um caminho justo e compreensível. Já agora, o que não se compreende é por que razão os media silenciam o entusiasmo de Luís Figo pelas energias renováveis. Desde o verão de 2009, nunca mais a sua mensagem passou nos jornais, vá-se lá saber porquê.
Promover as nossas estrelas e escutar o que têm para nos dizer é um caminho justo e compreensível. Já agora, o que não se compreende é por que razão os media silenciam o entusiasmo de Luís Figo pelas energias renováveis. Desde o verão de 2009, nunca mais a sua mensagem passou nos jornais, vá-se lá saber porquê.
Qual é a palavra difícil?
Quando Stephen Sondheim escreveu letras para West Side Story, era natural ouvir uma rapariga bonita e apaixonada dizer que se sentia gay. As palavras tiveram entretanto o seu curso de vida, determinado pelos utilizadores. É curioso como houve o cuidado de reescrever o poema, substituindo o dia pela noite para rimar com outra coisa.
Qualquer pretexto é bom para lembrar as minhas obras primas de estimação, e o WSS é uma delas. Hoje o motivo foi esta sondagem da Gallup: "os americanos estimam, em média, em 25% a percentagem de gays e lésbicas". Mesmo que descontemos a ambiguidade do significado das palavras, o resultado choca com a percepção comum da realidade e com alguns dados empíricos. Eu tenho a certeza de que no espírito dos inquiridos a palavra "gay" não evocou o estado de alma da Maria do WSS. Conjecturo que anda em pano de fundo causa mais prosaica: uma percentagem razoável de cidadãos não sabe o significado de "percentagem". As fracções são um assunto difícil para o qual as escolas não têm muito tempo. É a matemática, silly people.
segunda-feira, maio 23
Viva Sevilla
Lo traigo andado.
La Macarena y todo
lo traigo andado.
Lo traigo andado;
cara como la tuya
no la he encontrado.
La Macarena y todo
lo traigo andado.
Ay río de Sevilla,
qué bien pareces.
lleno de velas blancas
y ramas verdes.
Federico Garcia Lorca, Canção No.6, "Sevillanas del siglo XVIII", Trece canciones espanolas antiguas.
terça-feira, maio 17
Found in translation
A presunção de inocência é uma atitude civilizada por que vale a pena batermo-nos sempre. Mas dar-lhe valor e acatá-la não implica que abdiquemos das nossas intuições e do simples bom senso de tentar compreender a realidade através das explicações mais simples. Frequentemente, os que gritam "cabala" quando os factos não lhes são agradáveis têm de se contorcer em explicações tão complicadas que acabam, eles, por parecer autores de cabala. Os exemplos são abundantes. Dito isto, e esperando para ver o que dá o recente caso DSK, parece que Bernard-Henry Lévy poderá ter ido longe demais no que escreveu ontem sobre DSK. David O'Hare dá aqui uma "tradução" abreviada* e com algum humor:
DSK is my friend, and I am Bernard-Henri Lévy. How dare these people of no importance treat him as though he has been credibly accused of a violent crime! He has a wife, with whom I, BHL, have dined, at parties with witty and charming Important People, and to speak publicly of any of this is victimizing her. To show my loyalty to this member of my privileged and superb tribe, I am going to make up nonsense about how rooms are cleaned in New York hotels, and assert, in my most magisterial way, that the US criminal justice system has a presumption of guilt. I have been to America, and I know about these things. The idea that a chambermaid is permitted in that vile country to accuse a Man of Great Importance! That a servant is permitted to trip up the great enterprise of my beloved French socialism! That if my seductive, charming, friend DSK, who loves the ladies, especially his own three, has forced himself on women they are supposed to be seen as victims – the nerve!
*não dispensa a leitura do documento original.
(Via um comentário no Harry's Place)
Adenda: Pelo menos [BHL] não mencionou Dreyfus, comenta Maureen Daud no NYT.
DSK is my friend, and I am Bernard-Henri Lévy. How dare these people of no importance treat him as though he has been credibly accused of a violent crime! He has a wife, with whom I, BHL, have dined, at parties with witty and charming Important People, and to speak publicly of any of this is victimizing her. To show my loyalty to this member of my privileged and superb tribe, I am going to make up nonsense about how rooms are cleaned in New York hotels, and assert, in my most magisterial way, that the US criminal justice system has a presumption of guilt. I have been to America, and I know about these things. The idea that a chambermaid is permitted in that vile country to accuse a Man of Great Importance! That a servant is permitted to trip up the great enterprise of my beloved French socialism! That if my seductive, charming, friend DSK, who loves the ladies, especially his own three, has forced himself on women they are supposed to be seen as victims – the nerve!
*não dispensa a leitura do documento original.
(Via um comentário no Harry's Place)
Adenda: Pelo menos [BHL] não mencionou Dreyfus, comenta Maureen Daud no NYT.
domingo, maio 15
A kultura
Se o espectáculo das eleições anteriores não deixou saudades, o das próximas é já insuportável. Já teria sido tempo de o parlamento tomar as iniciativas de mudança para que não fôssemos obrigados à tortura do longo período de caça ao voto (campanha e pré) quando é necessário substituir os representantes dos partidos.
Com abundância de discursos repetitivos, demagogia, mentiras, inépcia política e algumas espertezas, a penosa função convoca como subprodutos uma ou outra questão relativamente interessante, com destaque para o aparente mistério da resiliência do PS, que se apresenta nas sondagens como um dos possíveis vencedores.
Mistério pequeno, sim. Por um lado, as intervenções frouxas ou desastradas do principal adversário na contenda chegam para determinar a opção de muitos votantes pelo mal que já conhecem e que passam a encarar como menor. Mas antes de tudo não se pode ignorar que permeia a atmosfera mental tuguesa uma adesão afectiva, inconsciente, tornada estrutural, aos ideários subscritos por organizações catalogadas como "esquerda", e paralelamente uma rejeição visceral do que é descrito como "direita". Na verdade estas etiquetas obsoletas e inapropriadas funcionam quase como o equivalente da distinção entre o bem e o mal. O engano começa, naturalmente, nas palavras.
É particularmente curiosa a atitude das classes com maior grau de instrução em relação a estas categorias. Na verdade, um sub-sintoma interessante daquele estado mental é a associação que parte apreciável da "inteligentsia" faz entre orientação política e "cultura". Se entre as classes baixa e média-baixa será o receio do "ainda pior" a determinar certa orientação de voto, entre as classes instruídas a simples ideia de ajudar a eleger, digamos, o actual principal adversário do PM, causa alergias e calafrios. Porquê? Porque a "direita" está, aos olhos destes cidadãos, pejada de bimbos desprezíveis. Desde violinos de Chopin até ao lapso na citação de Sartre, passando pelas confusões sobre cantos dos Lusíadas ou sobre More e Mann, os pequeninos incidentes da vida parecem dar-lhes razão. Aquelas pessoas da "direita" são assim mesmo: encenam mal ou não se dão ao trabalho de encenar. Exibem sem pudor o gosto suburbano plasmado nos nomes que dão às vivendas ou nas massamás que habitam. Os "inteligentes" (isto é, os que entre linhas lêem) desprezam-nos por isso. Com o vício de serem sempre avaliados pelos "pares", irrompe neles urticária só de pensarem em dar apoio a tão desprezível gente, com a qual não se misturariam.
Quantos dos que se riram do Santana, no entanto, estariam informados sobre o catálogo das obras de Chopin? E porquê parar em Chopin, ou nos Lusíadas? Porque não recuar a Ockeghem, ou ir até Szymanowski, aos trios com piano de Shostakovich, à Recherche? Quantos dos que escarneceram por procuração estariam em condições de fazer o comentário apropriado sem teleponto?
É certo que não há deslizes destes, pelo menos tão notórios, entre os notáveis de "esquerda". Em primeiro lugar, eles cuidam muito mais da imagem e não brincam em serviço. O actual PM é exímio na pose. Cita Ortega y Gasset, refere Camões e Pessoa com a convicção de quem leu, e pode perfeitamente ter lido. Jorge Sampaio começou pelo Cavaleiro Andante, descobriu as virtudes do Frei Luís de Sousa e leu a Guerra e Paz e o Crime e Castigo, o que é perfeitamente verosímil. De Soares também não se duvida: com certeza leu muito e terá o "bom gosto" nas artes que a "inteligentsia" estima. O modo como se referem a uns e a outros revela que no imaginário dos intelectuais bem pensantes o quadro é mais ou menos assim: em casa de Soares, Sampaio e quiçá Sócrates escuta-se Pergolesi ou Mahler e há sempre um romance ou ensaio no sofá; em casa de PPCoelho ou Cavaco roda no gira-discos alguma música das Doce e na mesa de centro empilham-se as revistas de caras que só lemos com relutância no consultório.
Claro que cultura não é só literatura e música. Guterres sabia de Física e Matemática; Cavaco é professor de Economia. Tudo sopesado, que vantagens podemos aduzir de termos eleito tais pessoas? Tivemos mais sorte com os perfis de cultura mais humanista ou com os perfis mais técnicos? Olhando para o resultado, tivemos azar com todas.
Suspeito que a nossa "inteligentsia" pode estar equivocada no simplismo do quadro, como esteve no de outros. Afinal, há quinze anos que ela achava natural, por exemplo, que os universitários portugueses ganhassem tanto ou mais que os seus colegas de alguns países europeus, sem que o país tivesse que se dar à maçada de fabricar os popós e as máquinas de lavar que todo o mundo compra - até nós, a crédito.
Finalmente, de tanta suposta cultura e mesmo sem sair do âmbito restrito dela, não se colhe grande fruto. Há alguma ideia notável nos suporíferos discursos de Sampaio, por exemplo? Há tiradas infelizes, como a do défice para lá da vida (não foi isto que ele disse, não) ou simples truismos inócuos. Recentemente, citou uma frase de Pessoa (citação que Sócrates tem usado repetidamente) para condenação do pessimismo e elevação da auto-estima, como agora se diz. "Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma..." é uma citação inadequada: se estivéssemos a pensar mal de nós mesmos não acharíamos tão natural manter e merecer a vidinha bem acima das posses. Além disso, para apelar à vulgaridade do "pensamento positivo" não precisamos de invocar intelectuais nem poetas: as cartomantes e redactoras de zodíacos fazem-no com mais competência.
Pessoa disse do "escol" que ele se distinguia por ter a capacidade de criticar com ideias próprias, mas que podem não ser fundamentais. "A tragédia mental de Portugal presente é que (...) o nosso escol é estruturalmente provinciano." "O síndroma provinciano compreende, pelo menos (...) o entusiasmo e a admiração pelo progresso e pela modernidade(...)" "Os civilizados criam o progresso, (...), a modernidade; por isso não lhes atribuem importância de maior. (...) Quem não produz é que admira a produção." Quantas oportunidades perdidas para fazer umas citações menos redondas.
Com abundância de discursos repetitivos, demagogia, mentiras, inépcia política e algumas espertezas, a penosa função convoca como subprodutos uma ou outra questão relativamente interessante, com destaque para o aparente mistério da resiliência do PS, que se apresenta nas sondagens como um dos possíveis vencedores.
Mistério pequeno, sim. Por um lado, as intervenções frouxas ou desastradas do principal adversário na contenda chegam para determinar a opção de muitos votantes pelo mal que já conhecem e que passam a encarar como menor. Mas antes de tudo não se pode ignorar que permeia a atmosfera mental tuguesa uma adesão afectiva, inconsciente, tornada estrutural, aos ideários subscritos por organizações catalogadas como "esquerda", e paralelamente uma rejeição visceral do que é descrito como "direita". Na verdade estas etiquetas obsoletas e inapropriadas funcionam quase como o equivalente da distinção entre o bem e o mal. O engano começa, naturalmente, nas palavras.
É particularmente curiosa a atitude das classes com maior grau de instrução em relação a estas categorias. Na verdade, um sub-sintoma interessante daquele estado mental é a associação que parte apreciável da "inteligentsia" faz entre orientação política e "cultura". Se entre as classes baixa e média-baixa será o receio do "ainda pior" a determinar certa orientação de voto, entre as classes instruídas a simples ideia de ajudar a eleger, digamos, o actual principal adversário do PM, causa alergias e calafrios. Porquê? Porque a "direita" está, aos olhos destes cidadãos, pejada de bimbos desprezíveis. Desde violinos de Chopin até ao lapso na citação de Sartre, passando pelas confusões sobre cantos dos Lusíadas ou sobre More e Mann, os pequeninos incidentes da vida parecem dar-lhes razão. Aquelas pessoas da "direita" são assim mesmo: encenam mal ou não se dão ao trabalho de encenar. Exibem sem pudor o gosto suburbano plasmado nos nomes que dão às vivendas ou nas massamás que habitam. Os "inteligentes" (isto é, os que entre linhas lêem) desprezam-nos por isso. Com o vício de serem sempre avaliados pelos "pares", irrompe neles urticária só de pensarem em dar apoio a tão desprezível gente, com a qual não se misturariam.
Quantos dos que se riram do Santana, no entanto, estariam informados sobre o catálogo das obras de Chopin? E porquê parar em Chopin, ou nos Lusíadas? Porque não recuar a Ockeghem, ou ir até Szymanowski, aos trios com piano de Shostakovich, à Recherche? Quantos dos que escarneceram por procuração estariam em condições de fazer o comentário apropriado sem teleponto?
É certo que não há deslizes destes, pelo menos tão notórios, entre os notáveis de "esquerda". Em primeiro lugar, eles cuidam muito mais da imagem e não brincam em serviço. O actual PM é exímio na pose. Cita Ortega y Gasset, refere Camões e Pessoa com a convicção de quem leu, e pode perfeitamente ter lido. Jorge Sampaio começou pelo Cavaleiro Andante, descobriu as virtudes do Frei Luís de Sousa e leu a Guerra e Paz e o Crime e Castigo, o que é perfeitamente verosímil. De Soares também não se duvida: com certeza leu muito e terá o "bom gosto" nas artes que a "inteligentsia" estima. O modo como se referem a uns e a outros revela que no imaginário dos intelectuais bem pensantes o quadro é mais ou menos assim: em casa de Soares, Sampaio e quiçá Sócrates escuta-se Pergolesi ou Mahler e há sempre um romance ou ensaio no sofá; em casa de PPCoelho ou Cavaco roda no gira-discos alguma música das Doce e na mesa de centro empilham-se as revistas de caras que só lemos com relutância no consultório.
Claro que cultura não é só literatura e música. Guterres sabia de Física e Matemática; Cavaco é professor de Economia. Tudo sopesado, que vantagens podemos aduzir de termos eleito tais pessoas? Tivemos mais sorte com os perfis de cultura mais humanista ou com os perfis mais técnicos? Olhando para o resultado, tivemos azar com todas.
Suspeito que a nossa "inteligentsia" pode estar equivocada no simplismo do quadro, como esteve no de outros. Afinal, há quinze anos que ela achava natural, por exemplo, que os universitários portugueses ganhassem tanto ou mais que os seus colegas de alguns países europeus, sem que o país tivesse que se dar à maçada de fabricar os popós e as máquinas de lavar que todo o mundo compra - até nós, a crédito.
Finalmente, de tanta suposta cultura e mesmo sem sair do âmbito restrito dela, não se colhe grande fruto. Há alguma ideia notável nos suporíferos discursos de Sampaio, por exemplo? Há tiradas infelizes, como a do défice para lá da vida (não foi isto que ele disse, não) ou simples truismos inócuos. Recentemente, citou uma frase de Pessoa (citação que Sócrates tem usado repetidamente) para condenação do pessimismo e elevação da auto-estima, como agora se diz. "Uma nação que habitualmente pense mal de si mesma..." é uma citação inadequada: se estivéssemos a pensar mal de nós mesmos não acharíamos tão natural manter e merecer a vidinha bem acima das posses. Além disso, para apelar à vulgaridade do "pensamento positivo" não precisamos de invocar intelectuais nem poetas: as cartomantes e redactoras de zodíacos fazem-no com mais competência.
Pessoa disse do "escol" que ele se distinguia por ter a capacidade de criticar com ideias próprias, mas que podem não ser fundamentais. "A tragédia mental de Portugal presente é que (...) o nosso escol é estruturalmente provinciano." "O síndroma provinciano compreende, pelo menos (...) o entusiasmo e a admiração pelo progresso e pela modernidade(...)" "Os civilizados criam o progresso, (...), a modernidade; por isso não lhes atribuem importância de maior. (...) Quem não produz é que admira a produção." Quantas oportunidades perdidas para fazer umas citações menos redondas.
domingo, maio 8
Champanhe e candelabros
Faleceu no dia 16 de Abril o dono da célebre loja de Rodeo Drive, L.A., que fez fortuna e sucesso a vestir os mais ricos. "A roupa de homem mais cara do mundo" era o slogan. Só se atendia por marcação. O requinte e detalhes de atenção postos no serviço faziam a diferença. É o que conta este artigo do Washington Post, onde se regista também que a prazenteira escolha de pijamas, gravatas e perfumes decorria com a mistura de gozo e langor que o acompanhamento de champanhe servido por mordomos de luvas brancas permite adivinhar. Tudo iluminado por cintilantes candelabros de cristal. Uma ida à loja podia significar compras acima dos 5 milhões. Ocasionalmente, o faro para o negócio permitia-lhe quebrar regras, como quando admitiu um jovem casal que certa manhã rondava a loja, sem visita marcada: ficaram até à noite, gastaram 600 mil dólares, e voltaram no dia seguinte para gastar outros 250 mil.
Bijan Pakzad sempre deixou claro que para ser admitido como seu cliente pelo menos uma de três condições era necessária: ser rico, poderoso ou famoso. Para quem reunisse mais que uma, melhor. Vestiu Obama, Bush (parece que, dos presidentes americanos recentes, só Carter lhe escapou), Putin, Spielberg, Sinatra, Cary Grant, Stevie Wonder, Arnold Schwarzenegger e mais.
Tinha uma opinião bem definida sobre o que é um verdadeiro rico: alguém que bebe muito bom vinho ao jantar e chega à sua empresa de helicóptero. No entanto, talvez por tanto conhecer da riqueza comum, disse uma vez que a opulenta prosperidade, essa, só a pode exibir quem tem um amor feliz.
Bijan Pakzad sempre deixou claro que para ser admitido como seu cliente pelo menos uma de três condições era necessária: ser rico, poderoso ou famoso. Para quem reunisse mais que uma, melhor. Vestiu Obama, Bush (parece que, dos presidentes americanos recentes, só Carter lhe escapou), Putin, Spielberg, Sinatra, Cary Grant, Stevie Wonder, Arnold Schwarzenegger e mais.
Tinha uma opinião bem definida sobre o que é um verdadeiro rico: alguém que bebe muito bom vinho ao jantar e chega à sua empresa de helicóptero. No entanto, talvez por tanto conhecer da riqueza comum, disse uma vez que a opulenta prosperidade, essa, só a pode exibir quem tem um amor feliz.
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