sexta-feira, setembro 21

A revista




Por iniciativa da Cãmara de Lisboa, vem aí a recuperação do Parque Mayer com "qualquer coisa de teatro de revista", segundo o PÚBLICO de hoje. É um género que "tem público", dizem eles. Terá? Bem, de acordo com o cartaz dos teatros, só se classificarmos a Música no Coração como revista à portuguesa.

Juntando as peças, no entanto, certas coisas passam a fazer sentido.

Até 1973, no Teatro maria Vitória encenavam-se duas ou três revistas por ano; "Ver, ouvir e calar" teve o seu nome alterado para "Ver, ouvir e falar" em 1974, e daí em diante, foram raros os anos em que mais de uma revista subiu à cena, até à quase extinção da actividade.

As recentes iniciativas do governo para limitar a liberdade de expressão mais não são, certamente, que um convite à criatividade dos autores de revista. Num tempo em que as piadas de sexo se banalizaram, a revista não pode sobreviver sem a aparência de furar uma censura qualquer. Recriando um ambiente com suaves reminiscências de Estado Novo, talvez a revista à portuguesa seja de novo viável. Está em marcha a "criação de novos públicos", que muitos tanto apreciam referir. Afinal é tudo pela arte.

(Foto: http://germana-teatro.blogspot.com/)

Sem comentários: