domingo, março 24

As petições

Passados agora quatro dias sobre o arranque da petição de recusa, seguido da que é a favor, confirma-se a tendência de grande avanço da primeira. O facto é interessante (mais do que pelo valor facial das posições em cena) pelo que revela do desprestígio do anterior PM. É que a modéstia das prestações dos "a favor" tem que ter a sua explicação na indiferença de muitos votantes socialistas a respeito da causa. Ontem, Inês Pedrosa twittava que nas listas da primeira petição eram só Braganças e tal (a tendência para explicar os factos desagradáveis a partir de conspirações ou cabalas de um pequeno grupo...) mas a realidade não sustenta nada disso. Pelo contrário, o que julgo poder-se inferir é que os que estão a exprimir-se na petição "a favor" estão no núcleo duro de socratistas que inclui parte importante do aparelho partidário e se estende a franjas de admiradores que possuem fé inabalável no ex-líder. Mas presumo que já não representam nem os futuros votantes no PS em eleições próximas.

Para além dos maus resultados de governo, consta  do legado do ex-PM o envolvimento em múltiplos episódios, nunca convenientemente explicados, onde se exibem comportamentos que com candura podemos classificar como apenas moralmente reprováveis. A ausência de acusações formais não impede as pessoas de formarem as suas próprias convicções sobre o que vão sabendo, porque as coisas fazem mais sentido numa versão do que noutras.

A censurabilidade do comportamento, mesmo em episódios como o da licenciatura "fast", é demolidora porque põe fortemente em causa a sinceridade e as boas intenções na acção política. Este facto pode ser um importante factor de desgaste de imagem, não só do actor principal, mas também do núcleo duro do partido que gravita à sua volta, e salpica mesmo outros que nunca desse núcleo se demarcaram.


Nota. No momento em que se publica este post, as subscrições somam, respectivamente, 121757 e 6860 nomes.

1 comentário:

on disse...

O Sócrates já não conta para nada. A ideia do PSD é genial: lembrar que o homem existe e que a direcção do PS não se demarcou dele. Uma jogada inteligente, mas sem qualquer respeito pela saúde pública.
O Seguro parece que não percebeu. Ainda por cima deixou-se gravar a dar as boas vindas ao Jorge Coelho, que quis esta semana voltou a aparecer, para não ser esqucido. Cada dia que passa o seu valor para a construtora desce e nesta época de crise eles podem resolver poupar uns tostões...