Quando o presidente Marcos convocou eleições para 7 de Fevereiro de 1986, ainda pensava que daí sairia a sua legitimação interna e aos olhos do mundo. Depois de proclamar vitória as coisas complicaram-se: a partir de 9 de Fevereiro começam a emergir sinais de fraude em grandes proporções, indicando que Corazón Aquino tinha a preferência dos eleitores. A divisão no exército e o apoio da Igreja a Corazón Aquino tornaram as coisas complicadas para Marcos. A administração Reagan comportou-se inicialmente de modo hesitante, pendendo para o lado do presidente, mas o abandono, em fins de Fevereiro, de tropas leais a Marcos pode ter determinado a atitude de governos de todo o mundo, e em particular dos Estados Unidos, de deixar cair o reconhecimento do ditador cessante. Em menos de um mês, a democracia chegava às Filipinas numa revolução sem sangue.
Para os homens: t-shirt e calção até ao joelho. Para elas: túnica a cobrir todo o corpo e, se possível, véu para o cabelo. A polícia de costumes do Hamas está atenta. Uma mulher conta na RFI como foi repreendida por entrar na água em t-shirt e calças (ou seja, um fato de banho de homem!) na companhia de uns amigos, logo detidos e agredidos. Ah, e foi severamente admoestada por rir enquanto de banhava.
Num recente artigo da Newsweek analisam-se e desvalorizam-se os medos de alguns sectores políticos e de opinião em face do avanço do Islão na Europa. A perspectiva optimista do artigo assenta basicamente em dois pontos: 1) as previsões de população islâmica maioritária na Europa a curto prazo são catastrofistas porque não têm em conta o decréscimo da taxa de natalidade em determinados grupos de imigrantes; 2) não havendo unidade política no Islão, dificilmente ele se poderá constituir como ameaça à Europa.
O artigo é comentado com elogios por David T no Harry's Place e com apupos no Pajamas Media por Carol Gould. Se os comentários concordantes com Gould não são surpreendentes neste site, já é curioso observar, também pelos comentários, que David T não parece conseguir convencer os seus leitores. Infelizmente, parecem frágeis os argumentos optimistas sobre a questão.
Foi em 711 ou 712, e alguns dizem que em 19 de Julho. Tarik derrotou os visigodos em Guadalete e despachou a cabeça do rei Roderic para Damasco, onde foi exibida durante algum tempo nos portões do palácio do califa.
Tempos cruentos. Os últimos anos tinham sido de divisão e intriga no seio do poder visigótico. Roderic sucedeu a Witisa, que derrotou e a quem mandou arrancar os olhos, como vingança do mesmo que Witisa tinha infligido ao seu pai.
Dizem os cronistas árabes que Roderic morreu com nobreza. O desaparecimento do "último dos Godos" coincide com o início da conquista da Ibéria pelos Mouros.
Esqueçam os tempos da educação sexual obcecada pela prevenção. Depois de anos e anos a espalhar o terror do HIV e das venéreas, o National Health Service inflecte e volta a atacar. É fácil de imaginar: os peritos acordam um dia alarmados diante do sucesso das suas campanhas ao constatarem que a juventude não anda a copular como devia. A estratégia é de uma ingenuidade comovente: agora os técnicos do NHS querem convencer a malta de que o sexo dá prazer. "Pleasure" é o nome do folheto distribuído em algumas escolas, com slogans como "an orgasm a day keeps the doctor away". Não é claro onde foi o pessoal do NHS buscar esta ideia -- provavelmente andam a ser muito influenciados por referências sexuais que impregnam o entretenimento e a publicidade, coisa a que os jovens, como se sabe, são imunes. Lamentavelmente, estas pessoas parecem pouco dadas a encarar a realidade tal como é. Ao recomendarem o sexo como um bem para a saúde, equiparado a 30 minutos de exercício ou a 5 doses de fruta, estão a afundar a campanha. Era o que faltava, pensarão muitos, sobrecarregar o trabalho de casa com uma queca. Dasse!
O artigo de Nick Herbert publicado há quatro dias no Guardian tenta interpretar porque é que os Conservadores estão a ganhar votos junto da população homossexual: o argumento clássico da homofobia da "direita" já não colhe porque a "direita" mudou. Já tem mesmo os seus militantes assumidamente gay, como o próprio autor do artigo. Apoia o casamento de pessoas do mesmo sexo e a criminalização dos actos de ódio homofóbico. E vai ocupar-se do bullying sobre gays, da homofobia no desporto e evangelizar os bispos que persistem em recomendar aos gays que mudem e se arrependam. Bispos cristãos, claro: quando esta semana, durante uma conferência na National Portrait Gallery lhe foi posta a questão da homofobia na população de origem islâmica, Herbert esquivou-se com a habitual conversa de quem receia a acusação de islamofobia.
O trajecto dos conservadores na questão dos direitos de homossexuais ilustra não só que o mundo é composto de mudança mas também que todos os nichos de eleitorado dão sempre muito jeito. Mais ainda se a opinião pública está madura para apreciar gestos e atitudes políticas "progressistas". A "esquerda" já percebeu há que tempos que a conversão aos direitos das pessoas homossexuais é politicamente compensadora. Assim, neste momento até o nosso PCP e os trotskistas do BE se põem "muito à fente", fazendo tábua rasa de como os velhos comunistas tratavam do assunto, e o PS está pronto a afrontar resistências beatas ou republicanas. (Os actos homossexuais foram descriminalizados, entre nós, na letra da lei, em 1982: repare-se na data.) Com jeito e a contragosto, até o PSD lá chegará inevitavelmente.
Na Holanda, país que é referência em matéria de liberalismo de costumes, já não são só os gays que andam assustados com os ataques homofóbicos: os partidos mainstream também devem estar, com a significativa fuga de votos para partidos que defendem um travão à imigração. Parece que se tornou difícil, numa terra de muitas liberdades, andar fora do armário. E é aqui que surge a novidade mais surpreendente, mas que se insere perfeitamente na mesma tendência. Foi notícia esta semana que Ahmed Marcouch, muçulmano e autarca de Slotervaart, cidadezinha próxima de Amsterdão com população maioritariamente islâmica, afirma que vai doutrinar os seus concidadãos no sentido de olharem para os homossexuais como gente normal e respeitável. Até Manuela Ferreira Leite, quando reparar bem no que está a acontecer, irá engolir a sua "petite phrase" sobre casamento e procriação e dará o salto.
Com a morte de Michael Jackson entre outros assuntos, a comunicação tem vindo a esquecer o que se passa no Irão. Ontem, aniversário da revolta estudantil de 1999, houve manifestações, buzinões e repressão policial em Teerão. Há aqui um relato que parece credível. A foto é do site da BBC em persa.
Há notícias de novas manifestações em Teerão, depois de cinco dias em que os protestos pareciam adormecidos. A polícia atacou uma concentração de 3000 pessoas junto a uma mesquita no norte da capital.
Entretanto, em Tegucigalpa, o exército deteve o presidente Manuel Zelaya e despachou-o para a Venezuela. As agências dão uma notícia que parece mal contada, mas há indícios de que o exército pode ter agido por ordem do Supremo Tribunal. Zelaya preparava-se para fazer um referendo a fim de alterar a constituição e permitir a sua reeleição em 2010. Os grandes defensores da democracia Chávez e Morales já protestaram contra o alegado golpe de estado. A Casa Branca já pediu o regresso à ordem democrática (com menos dúvidas do que no caso do Irão). Enquanto se discute qual dos lados deu o golpe, o empenho de Chávez por Zelaya ajuda a ter uma ideia de que "ordem democrática" pode não ser uma preocupação dominante para o ex-presidente hondurenho.
“Yo this ones for all the young conservatives. I rep the Northeast and I’m still a young con, Let your voice release, you don’t have to be obamatrons. I debate any poser who don’t shoot straight, Government spending needs to deflate, Your ideas are lightweight, Ya careers in checkmate I frustrate. I increase the pulse rate I hate when, government dictatin, makin, statements, bout how to be a merchant, How to run a restaurant, how to lay the pavement Bailout a business, but can’t protect an infant Deficiencies are blatant, young con treatment I stand one man, outnumbered at my college Thank you Miss Cali for reminding us of marriage Can’t support abortion, and call yourself a Christian I support life, you’re a puzzled politician Terrorists were imprisoned at Guantanamo Bay, Now they’re in our neighborhoods, planning out doomsday No such thing as utopia, no government can control ya, baby ya, Reap the benefits hard work, self reliant Listen to Stiltz, my dude’s a lyrical giant
Yo Stiltz… make it two time… please”
Stiltz:
“I’m 6′9 head and shoulder above the rest Liberals playin checkers, I’m playin chess My conservative view is drill baby drill You can say you hate me but I’m praying for you still My dislike for thee most def is not hyperbole Taxes are the subject and I will spit them verbally I’m just livin life a conservative philosophy Sorry Hilary not a right wing conspiracy We need more women with intellectual integrity I’m talkin Megyn Kelly not Nancy Pelosi My main motto is you best work hard It’s not the hand you were given, but how you lay down your cards I don’t speak lies but I spit the facts 28% the new capital gains tax Porkulus bill lacks a few stats The more money we spend, the more mine is worth Jack The Bible says we’re a people under God, Usin radar for radical Jihad AIG was hooked up by Chris Dodd A classy gift ain’t an Ipod The standards of my crew ain’t republicans dude I’m reppin Jesus Christ and conservative views Study history and true conservative moves Every single time they refuse to lose I’m starting to see a modern day Jimmy Carter When really nothin but a Reagan era starter”
Serious C:
“Yo, We americans son Hit ya with some knowledge The movement has begun Everyone can succeed Because our soldiers bleed, for us I said it in the verse, now I’ll say it in the chorus”
Stiltz:
“We young conservatives son Hard work is our motto The movement has begun EVERYONE can succeed cause our soldiers bleed, daily My views are rock solid, no chance you can break me”
Serious C:
“Phase me, make me, into something that ain’t me Serious c… can’t nobody shake me great like the Gatsby, poppin posers like acne Don’t matter if your gay, straight, Christian or Muslim There’s one thing we all hate, called socialism. It’s loathsome, and America ain’t the outcome, Raise taxes on the people, And you’re gonna feel symptoms, problems I gotta message for a young con: superman that socialism, waterboard that terrorism”
Stiltz:
“I fulfill the role that’s inherently mine Teaching politics through my rap and my rhyme I’m signing off this track with a question in mind How will this country get its precious change in time? Three things taught me conservative love: Jesus, Ronald Reagan, plus Atlas Shrugged Saving our nation from inflation devastation On my hands and my knees praying for salvation”
Serious C:
“Yo, We americans son Hit ya with some knowledge The movement has begun Everyone can succeed Because our soldiers bleed, for us I said it in the verse, now I’ll say it in the chorus”
Stiltz:
“We young conservatives son Hard work is our motto The movement has begun EVERYONE can succeed cause our soldiers bleed, daily My views are rock solid, no chance you can break me”
Na zona noroeste de Lisboa há uma pequena aldeia perdida entre descampados e novas urbanizações. Costuma ser muito visitada por ter grande concentração de restaurantes. Os habitantes e vizinhos vivem lá em paz disfrutando durante onze meses por ano de um sossego pouco vulgar na grande cidade. Depois vêm os santos populares. Com a colaboração da junta de freguesia, o bonito largo do coreto transforma-se em estacionamento de barracas para comeretes e beberetes, cobertas por plásticos de cores variegadas e com anúncios manuscritos em papel, lembrando o saudoso mundo pré-ASAE do século XX. Há também um palco para emissão de música pimba em alto volume.
Esta não é, infelizmente, a única contribuição da autoridade local para desfear o sítio, ao mesmo tempo que dificulta a vida aos cidadãos. Beberetes rima com pilaretes, e a pilaretofilia é um vício entranhado nos poderes autárquicos. Eles não faltam aqui, tal como estão obsessivamente
presentes em tudo o que é nova urbanização. Uma via larga, por exemplo, é munida de uma placa central, pronta a afunilar o trânsito; os pilaretes parecem reproduzir-se à volta como uma praga. Entretanto, no seu boletim mensal de Junho (16 páginas a cores em bom papel, com reduzido interesse e grafismo medíocre - "distribuição gratuita", diz a capa como eu fosse burro) a junta diz que há "muitos e bons motivos para festejar os santos populares" aqui.
Notícias não confirmadas falam da presença de elementos do Hamas e do Hezbollah a colaborar com as autoridades do Irão na repressão dos protestos em curso. Surge aqui alguma documentação fotográfica (via Gateway Pundit).
Sabe-se como o Twitter tem sido suporte da informação sobre o que se passa nestes dias no Irão. O Guardian apressou-se a noticiar, há três dias, que o Presidente Obama teria instado o Twitter a não interromper o serviço (esteve programada uma pausa). Parece agora que afinal a sugestão não partiu de Obama, mas sim deste rapaz contratado pela Condolezza.
Um porta voz de Mousavi, em entrevista dada em Paris, queixa-se de alguma indefinição de Obama. "Será que ele gosta quando alguém disser que não há diferenças entre Obama e Bush? Ahmadinejad é o Bush do Irão."
O governo egípcio teme que as atitudes demasiado cautelosas das potências ocidentais enviem uma mensagem inconveniente ao regime iraniano. (MEMRI)
Que fizeram do meu voto? perguntam multidões em desasossego por todo o Irão (as imagens referem-se a manifestações em Zahedan e encontram-se mais aqui.) Mas que lamentam estas pessoas? apetece perguntar. Claro que sabemos: a não eleição de Mousavi Khameneh, dito reformista. Este ex-primeiro ministro e mestre em arquitectura, que em 1989 apoiou a fatwa sobre Salman Rushdie, e durante o seu mandato fechou todas as universidades, foi responsável pela matança de milhares de pessoas no início dos anos 80, tendo presenciado a execução e enterramento em valas comuns de 30 prisioneiros políticos em 1988. Simpatizante da ideologia socialista, favoreceu o baby-boom através da concessão de benefícios pelo estado.
A dita vitória de Ahmadinejad tem ao menos a vantagem de não nos iludir a nós, espectadores distantes. Com ele, já sabemos do que a casa gasta. Com Mousavi, ainda muitos haviam de pensar que sim, que podiam.
Actualização (15/06) Jornalistas e operadores de tv europeus foram impedidos de cobrir os protestos. Circula a notícia de que uma manifestação prevista para hoje às 16h em Teerão terá sido agora desconvocada.
Num artigo de Ivo Diamanti, surgido ontem no Repubblica, comenta-se que pela primeira vez as sondagens atribuiram à Lega Nord percentagens muito próximas do resultado obtido na votação (ligeiramente acima dos 10%). Anteriormente, as sondagens faziam previsões para a Lega muito abaixo dos resultados. O autor alinha razões para explicar este facto, e a primeira é que as pessoas perderam a vergonha de dizer que votariam na Lega. Argumentos e linguagem estigmatizados perante a opinião dominante, mas determinantes do voto de uns quatro milhões de eleitores, deixaram de causar embaraço. A Lega continua a usar os mesmos termos ou até mais violentos do que antes, mas, num ambiente onde todos dizem mal de estrangeiros e ciganos, já não impressiona particularmente. A Lega tornou-se popular e os profissionais das sondagens digeriram-na e assimilaram-na. Está enquadrada na normalidade italiana.
Na semana que passou, um juiz de Santander condenou a 7 meses de prisão uma mulher por considerar provado que agrediu a sua companheira, de quem estava em vias de separação. As agressões, que levaram a vítima ao hospital para tratamentos ligeiros, deveram-se a desentendimentos que já vinham de há muito: as duas eram obrigadas por constrangimentos económicos a partilhar o espaço em que sempre coabitaram. A acusada foi condenada pelo crime de violência doméstica na forma de maus tratos. Uma história banal... até aqui.
Acontece que o juiz considerou, para além do que se referiu, que os factos configuravam o tipo a que se refere determinado artigo do código penal espanhol, relativo à violência de género. Esse artigo, introduzido na lei espanhola em 2004, agrava a penalização do agressor quando ele é o homem do casal e o outro membro do par é mulher (ainda há casos destes). Houve iniciativas de diversas instâncias judiciais no sentido de ser declarada a inconstitucionalidade do artigo (por materializar discriminação com base no sexo), mas não foram atendidas.
Vamos, portanto, voltar a ouvir falar do caso. Enquanto a sentença recebe palmas e assobios, o delegado do governo para a violência de género discorda da aplicação do artigo a este caso, e paira no ar a possibilidade de recurso do Ministério Público. Eu se estivesse no lugar da condenada também recorreria. Já que o juiz parece prestar-se a estes jogos, podia argumentar que o homem afinal era a outra, uma verdadeira macha sapatona, bruta e intratável, constantemente a pedi-las. Além disso exigiria do estado uma indemnização pela ofensa de me equipararem a esse género animalesco e retrógrado.