quinta-feira, janeiro 2

Proust, cem anos de presença

Terminado o ano dos 100 anos do início da publicação de "Em busca do Tempo Perdido", inicia-se um novo período de 100 anos para continuar a falar da obra de Proust.

Há poucos dias defendia-se, no Telegraph, que há na Recherche traços de um humor fino e subtil. E, graças aos comentários, descobri um site com informação e comentários abundantes no goodreads, que é uma espécie de facebook onde as caras se escondem para dar lugar aos livros. O grupo é muito activo na discussão.

domingo, dezembro 1

O povo não entende a mensagem

Petardos e um polícia ferido na chegada ao Dragão Ou o povo está distraído, ou Soares e Roseta não se explicaram bem.

terça-feira, novembro 5

É só estratégia

As crianças estão a enfrentar grandes dificuldades quando tentam ajudar os pais a ajudá-las a elas nos trabalhos de casa de matemática. Verifique aqui se sabe somar 67 com 16. Em caso de dificuldade, o seu filho explica-lhe. Apesar de aparecer por ali um miúdo desmancha-prazeres que põe tudo ao contrário: "[com] o meu pai é mais fácil... o meu pai ensina-me bem".

domingo, novembro 3

Angular momentum

Stunning, breathtaking, e por aí, são os adjectivos comuns que a publicidade usa com filmes como o Gravity. Não posso dizer que não tenha gostado, mas não me entusiasmou por aí além. Talvez o IMAX do Colombo não estivesse a funcionar bem nesse dia. Também não sei se é deficiência minha, mas não percebi bem o que é que distingue o IMAX do Colombo das outras salas 3D om écrans grandes. IMAX era no século XX, em Vila Franca de Xira. Mas adiante. Do ponto de vista cinemtográfico e artístico, talvez a questão mais pertinente que se possa colocar é a que levanta Neil deGrasse Tyson num seu tweet de 6 de outubro: Porque é que alguém há-de ficar impressionado com um filme de gravidade zero, 45 anos depois de 2001? A pergunta poderia ser feita por um vulgar crítico de cinema, mas para falar de Gravity é mais adequado ler o que têm a dizer pessoas que sabem Física. Tyson gostou do filme e disseca, nos seus tweets de 6 de outubro, os "Mistérios de Gravity", apontando imprecisões científicas. O Lubos Motl também curtiu (peço compreensão para o uso deste vocábulo, mas julgo-o adequado para falar de um filme que eu vi em cinema de pipocas) e sobre ele escreveu um artigo bem humorado. Ambos dão argumentos para que o título do filme pudesse ser Gravidade Zero ou Momento Angular. A rotação é o tema de muitas sequências, e sobre a conservação do momento angular Gravity não ficciona.

domingo, outubro 6

...que se sepa más adelante

Jamal Zougam não é um nome lá muito conhecido. É o nome do único condenado no processo dos atentados do 11 de março em Madrid. Jamal foi identificado por duas testemunhas romenas. Recentemente, dados novos levaram a juíza Belén Sánchez a pedir novas investigações: as duas testemunhas estão agora acusadas de falso testemunho. Na passada quinta feira, em tribunal, recusaram-se a falar. Em Espanha só o El Mundo dedicou algum espaço a esta notícia. Possivelmente é  coisa que não tem importância nenhuma, apesar de ter influenciado o resultado de uma eleição e o caminho político de Espanha nos anos seguintes. Ou então não é oportuno ainda que se saiba seja o que for. Alguém conta que, tendo perguntado ao Juiz Bermúdez quem no seu entender teria estado na origem do 11 de março, a resposta foi mais ou menos que hay cosas tan graves que es mejor que no se sepan todavia, que se sepan más adelante.

Acesso livre, uma história mal contada

O PÚBLICO contou ontem a revelação bombástica da Science: muitas revistas de acesso livre foram "apanhadas" a aceitar para publicação um artigo científico forjado e carregado de disparates.
A Science deu destaque ao relato de John Bohannon, jornalista que perpetrou o falso artigo e o submeteu a revistas de acesso livre mas não às de comercialização convencional, pagas por assinatura. A Science publica conclusões que valem o que valem, obtidas com uma falha metodológica evidente: se se pretende comparar os dois tipos de revistas, é preciso estender a cilada a todas. O PÚBLICO não se preocupa muito com isso e quem redigiu a notícia nem procurou saber mais. O ponto de vista de Björn Brembs, biólogo da Universidade de Regensburg, daria um título bem diferente do do nosso PÚBLICO: A Science rejeita dados e publica anedota.

Por muito que se desconfie da qualidade das revistas de acesso livre, talvez seja útil perguntar se o problema não estará a montante, na zona obscura da revisão por pares, como é apontado neste artigo de Kausik Datta.

A demonização do acesso livre costuma basear-se na insinuação de que se trata de um processo em que os autores compram a aceitação de artigos. Este risco é real, mas a descrição é tudo menos rigorosa. Normalmente não são os autores, mas as instituições em que eles estão filiados, que realizam o pagamento. Dito de outro modo, as revistas de acesso livre só podem viver de fundos públicos (através das agências de financiamento da ciência), tal como as revistas convencionalmente estabelecidas o fazem, através da venda de assinaturas. Ao que se assiste é à emergência de um novo lobby de editores que procura disputar o financiamento público aos que já estão no mercado. Ao coexistirem, e não havendo fundos a dobrar, haverá guerra, que de resto já parece ter começado.

A situação é na verdade ainda mais complicada, pois muitas revistas convencionais começam a criar zonas de acesso aberto, já para não mencionar que também por vezes pedem subsídios (nem sempre obrigatórios) para publicação dos artigos aceites. E note-se que actualmente as editoras se limitam a administrar o processo de submissão e aceitação, a colocar o nome do jornal no cabeçalho e a armazenar o material publicado. Os autores fazem a composição, e os revisores anónimos, ou as instituições a que pertencem, não costumam receber qualquer pagamento. Como um processo de revisão sério pode representar muitas horas de trabalho, as agências de financiamento e as universidades deveriam bater o pé em face das editoras, sejam as convencionais ou as de acesso livre.

quarta-feira, setembro 25

Constituições

Agora, no Constitute, podem consultar-se as constituições de 117 países. O ficheiro pdf da nossa tem 110 páginas, e o da constituição da República Checa tem precisamente metade disso.

sábado, setembro 21

quarta-feira, setembro 11

"Um país perdido"

Domenico Quirico, jornalista italiano tomado como refém e agora libertado, contou hoje à France Inter o caos em que a Síria se tornou. O que resta da revolução, diz ele, são grupúsculos que não podem opor-se aos djihadistas, muitos dos quais apenas utilizam a religião e a revolução para fazer negócios sujos.  Não faz sentido falar de oposição porque não há interlocutor credível do lado dos que querem a queda de Assad.

Na sua carreira de refém passou de grupo em grupo, detido em cubículos sem luz mas com abundante companhia de insectos. Está vivo porque era um valor transacionável para esses grupos.

sexta-feira, setembro 6

As guerras tontas e as que não o são

Ao fundo, na Síria, uma tragédia que dispensa adjectivos. À boca de cena, as movimentações dos actores políticos têm alguns toques de comédia. Um presidente que lança para o ar uma linha vermelha mas que mais parece ter caído numa armadilha ao fazê-lo. Outro que o segue mas logo tem que dar meia volta porque tem um parlamento. Outro que mantém o entusiasmo bélico porque dispensa a maçada do parlamento. Um czar que observa com complacência resistente, mas sabe-se lá se não está mais envolvido do que parece. Sectores importantes dos Republicanos, nos Estados Unidos, não apoiam o ataque, e é difícil perceber onde acabam os efeitos das más experiências recentes, do Iraque às "primaveras", e onde começa a rejeição pura e simples da agenda de Obama. As figuras públicas da intelligentsia e do espectáculo, com prática de protestos anti-bélicos, enquistam-se desta vez numa ausência conspícua. Mas quanto a papéis trocados, como nas boas farsas, nada mais estimulante do que um velho discurso de 2002:

I don't oppose all wars ... What I am opposed to is a dumb war. What I am opposed to is a rash war ... I suffer no illusions about Saddam Hussein. He is a brutal man. A ruthless man. A man who butchers his own people to secure his own power. He has repeatedly defied U.N. resolutions, thwarted U.N. inspection teams, developed chemical and biological weapons, and coveted nuclear capacity ... But I also know that Saddam poses no imminent and direct threat to the United States or to his neighbors ... I know that an invasion of Iraq without a clear rationale and without strong international support will only fan the flames of the Middle East, and encourage the worst, rather than best, impulses of the Arab world, and strengthen the recruitment arm of al Qaeda.

domingo, setembro 1

Rajada de metralhadora acaba com grupo musical

A voz bonita de Hyon Song-wol, a infeliz putativa ex-namorada de Kim Jong-un, pode ter-se calado para a eternidade, se são verdadeiras as notícias publicadas no The Province e no El Mundo . Kim era casado com outra cantora do mesmo grupo, mas consta que manteve uma quente paixão por Hyon Song-wol, que no papel de amante era, na verdade, uma primeira dama secreta às claras. As escassas notícias mencionam acusações de envolvimento em vídeos pornográficos, que terão motivado a prisão de Hyon e companheiros do grupo musical. Terão sido executados no dia 20 a tiro de metralhadora, na presença de familiares que a seguir ao acto foram despachados para um campo de concentração. Alguns observadores julgam que as acusações são forjadas. Poderiam estar em causa ciúmes da mulher de Kim ou, mais provavelmente, ajustes de contas entre facções políticas. O remetente do vídeo no YouTube diz que é tudo mentira. Para lá das tontarias trágicas de um país governado por loucos, fica a curiosa familiaridade da estética musical. Mudando as palavras, poderíamos estar a escutar as cantigas dos nossos "artistas" populares que animam as iniciativas das câmaras municipais no Portugal profundo e não tão profundo, e também as dos que preenchem largos espaços diurnos das nossas televisões.

Médio Oriente para totós

Esquema simplificado, da autoria de TheBigPharao, que procura explicar graficamente o conteúdo de uma carta ao editor do Financial Times publicada no dia 22 de agosto. Clique para aumentar.

segunda-feira, agosto 26

Os aristocratas vermelhos

Há agora novos elementos para completar o drama de Gu Kailai e Bo Xilai.

Está a terminar o julgamento de Bo Xilai e o procurador pede um castigo exemplar para o popular dirigente comunista caído em desgraça por corrupção, abuso de poder e encobrimento de crime de sangue. De acordo com os relatos, o julgamento foi fértil em cenas de teatro e reviravoltas. Gu Kailai testemunhou, em formato vídeo, contra o marido, dando a entender que ele estava ao corrente da origem dos milhões e dos bens presenteados à família. Essa mulher está louca e além disso sempre foi muito mentirosa! terá gritado mais ou menos assim Bo Xilai. Ela acusa-me para se vingar de eu lhe ter sido infiel!

Bo Xilai encenou uma defesa cerrada e cheia de surpresas. Declarou também que o verdadeiro motivo da fuga do seu subordinado Wang Lijun é que ele estava apaixonado por Gu.

As dicas são novas mas um argumento credível que conte toda a história está ainda em aberto.




domingo, agosto 18

No Egipto

A União Europeia, pela voz de algum funcionário triste, vai hoje anunciar que o seu relacionamento com o Egipto vai ser revisto. A UE está preocupada com a "violência" e gostaria de "impulsionar o processo democrático".

Há pelo mundo fora uma grande preocupação com o que se passa no Egipto. Nos Estados Unidos, a administração -- que assistiu com o enlevo dos ingénuos à entronização de Morsi por meios democráticos -- evita agora pronunciar-se sobre o que é que exactamente mais a preocupa. O simpático papa Francisco apela à oração pela reconciliação das partes em confronto -- uma maneira de perder tempo que não prejudica ninguém.

No Egipto, onde se presume que está a maior parte das pessoas verdadeiramente preocupadas, cada facção sabe bem as razões da inquietação, mesmo se não sabe bem o que quer. Vastas camadas da população, com aspirações laicas, não querem os Irmãos a dizerem-lhes como devem viver. E se fosse só isso... Não querem os grupos armados ligados à Irmandade a aterrorizar e a violar. Os coptas, essa imensa minoria, não querem ser perseguidos nem ver as suas igrejas queimadas. Os generais, que tomaram a iniciativa de depor Morsi, sabem bem que o que os espera no caso de a Irmandade recuperar o comando: a fúria da religião de paz não irá poupá-los nem usar branduras. As várias tribos muçulmanas que ocupam os lugares de poder no Médio Oriente, prosseguindo a tradição de ódio e extermínio mútuo, diversificarão o apoio às facções e complicarão a diplomacia ocidental, que irá disfarçando preocupações e desejos escondidos, sempre com o credo da democracia (formal) na boca.

Nem os extremistas islâmicos no Egipto, nem os generais, esperarão muito dos Estados Unidos (da UE não vale a pena falar). Os dois campos têm boas razões para se sentirem abandonados. E neste quadro de insucessos nem as operações de propaganda e vitimização da Irmandade terão grande sucesso, apesar de uma imprensa que lhes dá apoio tácito ou explícito. Poderão encenar massacres mas estarão a representar para o boneco. Na ausência de um Bush na Casa Branca,  o protesto e a piedade da intelligentsia ocidental não irão fazer-se ouvir.


sexta-feira, agosto 16

Leituras alienígenas

 
Costumo sentir-me bem dentro das livrarias. Mas tive uma experiência insólita um destes dias numa, digamos assim, livraria. O relance rápido do olhar pelas estantes, em busca de títulos que apeteça levar para casa, terminou com uma estranheza pouco comum: nenhum livro comunicava comigo. Como se eles e eu estivéssemos em planetas diferentes. A voo de pássaro, digamos que em primeiro lugar se escancarou à minha frente um livro com os pensamentos e o universo de Paulo de Carvalho. Depois, em destaque no expositor,  um outro com o subtítulo "A nova Terra - uma revolução política, económica e ambiental" e com a seguinte advertência na capa: "um livro que o poder económico e político não quer que seja lido mas que todos o devem ler" (sic). Mais à frente, a obra de ficção  "Cristiano, paixão irresistível", com um enredo que se anuncia tórrido: Cristiano é um padre jovem, atraente, irreverente e revolucionário, admirado pelas donzelas. Por ele se apaixona uma catequista (belíssima). Ele resiste com elegância à tentação da carne ao mesmo tempo que combate o fariseu Epaminondas. Nesse quadro de emoções emerge a cidadania como pano de fundo. Não sou eu que digo. Eu não invento nem uma palavra.
 
Termino declarando que aceito sem choque o facto de haver leitores para estes livros e todos os outros que lá estavam.



Universidades: Rankings 2013

Foram publicados os últimos rankings de universidades ARWU2013.
As universidades portuguesas surgem no rank geral pela ordem seguinte.
Universidade de Lisboa* 301-400
Universidade do Porto 301-400
Universidade Técnica de Lisboa* 401-500
Universidade de Coimbra 401-500
(*nomes antes da fusão realizada em 2013)

A Espanha surge com três universidades no rank 201-300, pela seguinte ordem:

Universidade Autónoma de Barcelona
Universidade Autónoma de Madrid
Universidade Complutense de Madrid

No ranking por áreas específicas (onde se listam os primeiros 200 lugares), apenas a Universidade do Porto e a Técnica de Lisboa aparecem, em Engenharia/Tecnologia e Informática (151-200).

Por curiosidade, verifiquei que várias universidades espanholas surgem nos primeiros 200 lugares na área de Matemática. A melhor classificada é a Autónoma de Madrid (51-75) e a última a aparecer é a de Santiago de Compostela (151-200).

segunda-feira, agosto 12

O amor à beira de um penhasco


Quando o enredo da Béatrix de Balzac vai a meio, o amor do jovem Calyste é disputado pelas duas mulheres que comandam a acção: a madura e sofisticada Camille, que tanto tem para ensinar a qualquer rapaz que lhe saiba dar o valor, e a fresca e deslumbrante Béatrix, cujos atractivos físicos dispensam atributos suplementares. Béatrix tem um amante de quem não tenciona separar-se, mas mesmo assim gosta de se sentir desejada. Calyste enamora-se de Béatrix com a intensidade com que isso acontece aos vinte anos.

Durante um passeio junto ao mar da Bretanha, Calyste pretende arrancar de Béatrix palavras de amor correspondido. Mas ela nega-se e previne que para ele não poderá passar de um sonho. Num momento de loucura, Calyste grita-lhe que se não o quer a ele, também não pertencerá a nenhum outro, e empurra-a de um penhasco para o mar.

O vestido, enredado numa ponta de rochedo e na vegetação, salva Béatrix da queda. Calyste cai em si e resgata-a, com risco de também ele se despenhar. Toda a cena é presenciada por Camille, que enquanto limpa uma lágrima se lamenta a Calyste: A mim não me terias tu lançado ao mar, não!

quarta-feira, agosto 7

Adeus, Jorge

A mentira é ingrediente indispensável de uma boa história de ficção. É a partir da mentira do mau da fita que o plano do herói para o desmascarar e repor a justiça se desenrola com método, com surpresas e até com recuos que por fim se invertem e dão passagem à verdade triunfante.

A mentira é também muleta a que se recorre na vida de todos os dias, para o bem e para o mal. Tratando-se de política, a mentira é conspícua, mesmo que por vezes não haja provas à disposição.  Por vezes chama-se-lhe diplomacia. Se em alguns casos é compreensível e podemos encolher os ombros, há outros em que não pode ser ignorada, dependendo da substância do seu conteúdo e da posição e das responsabilidades do mentiroso. Há algum tempo, pessoas simples não lhe davam a devida importância. Ainda bem que o mundo mudou. Vamos ver quanto tempo se aguenta sem uma recaída.

Actualização: o enredo afinal é menos trivial do que pareceu de início. Possivelmente há mais do que um mentiroso e fala-se também de documentos falsificados. Pelo caminho, fica-se com a impressão de que para a SIC o primeiro ministro não é quem parece.

domingo, agosto 4

Onde está a Curiosity?

Faltam menos de dois dias terrestres para se completar um ano terrestre sobre a aterragem da Curiosity em Marte. Entre os dias marcianos 349 e 351 avançou uns 80 metros. O trajecto é actualizado aqui. E Marte, por onde anda? Por estes dias está a cerca de 358 milhões de km da Terra.

Mistérios da vida por assim dizer política

Um dos escândalos mediáticos dos últimos dias em Espanha é a libertação de um "pederasta espanhol", preso em Marrocos, incluída num pacote de indultos por ocasião da visita do rei de Espanha ao país. Hoje aparece nos jornais a indignação do PSOE a exigir explicações ao governo pelo equívoco. O que aqui é interessante é que o PSOE é o partido que no governo legislou para que adolescentes pudessem esconder aos pais uma gravidez, para baixar a idade de consentimento para os 13 anos e que, já agora, tem na presidência da sua secção basca um homem que foi condenado por agressões físicas à esposa.

Tanto como a lata e a agressividade militante dos partidos, pode surpreender-nos a sua inacção ou cobardia, ou aquilo que pelo menos parece uma dessas poses. Ainda olhando para Espanha, tem sido notório o fogo sobre o governo e o PP com base nas trafulhices de contabilidade do partido. Ora, as trafulhices dos EREs que envolvem sindicalistas, deputados e dirigentes do PSOE, desvios de dinheiro numa escala maior do que a dos papeis de Bárcenas, e configuram uma situação de maior imoralidade, não têm recebido nem um décimo da atenção ou da gritaria. Nem o PP tem feito nada que se veja para contra-atacar. Lá terão as suas razões, e boas não podem ser.