sexta-feira, maio 22

As profissões blindadas

Em relação com um caso de polícia bem conhecido, tem sido exposta a teoria de que não é credível que alguém possa exercer pressão sobre magistrados. Isto porque tais pressões não teriam consequências, uma vez que a carreira da magistratura é tão "blindada" que será por natureza imune às tais pressões. Esta teoria foi ainda há minutos defendida por Pedro Adão e Silva no Rádio Clube.

Cada um só vê o que quer e a mais não está obrigado. Mas é extraordinária a afirmação, quanto mais não seja porque se soube há poucos dias que um inquérito colateral sobre o aludido caso concluiu que tinham mesmo existido pressões sobre magistrados. E, mesmo que assim não fosse, não seria difícil raciocinar (se houvesse vontade disso) para concluir que a violência das pressões depende das posições relativas de pressionador e pressionado. Naturalmente que um magistrado que desagrade a alguém hierarquicamente comparável ou superior não vai ser posto na rua, mas não haverá outro tipo de consequências a que poderá arriscar-se? Lembro-me da premissa da Procuradora: magistrados corajosos não são pressionáveis. Mas, e se houver magistrados não corajosos? Há avaliações, há promoções, há projectos de realização profissional, há colocações em determinados lugares que poderão estar em causa. Essas alterações de carreira poderão depender de comportamentos registados? Não sei. Mas para quem já tem uma situação profissional segura o estímulo que conta é o de promoções futuras. Vê-las postas em eventual risco não pode ser equivalente a estar sob pressão?

quinta-feira, maio 21

Some like it frightening

Dizia ontem o NY Times que, dos prisioneiros libertados de Guatanamo, um em cada sete regressou activamente à actividade terrorista. Esta taxa de reincidência de 14% parece preocupar o departamento de defesa, e já se fala em impedir que alguns dos prisioneiros saiam dos Estados Unidos.

Mas tudo isto pode ser afinal conversa alarmista. Mark P. Denbeaux, professor de direito muito citado, especialista em produção de prova, desvaloriza: diz que é "uma campanha para ganhar o coração da história para Guantanamo. Querem ter argumentos para dizer que havia lá gente má." E acrescenta, em tom de comédia negra com modesta homenagem a um clássico do cinema, "Nunca dissemos que não havia lá quem voltasse à luta. Nada é perfeito".

Acho que Denbeaux devia ter ido mais longe. Não brinco. Gostaria de saber como é que os incompetentes do Pentágono chegaram àqueles resultados. Terá sido por sondagem? com que margem de erro? os inquéritos teriam quadradinhos para marcar com a actividade pós-guantanamo? quantos ex-presos se tornaram cabeleireiros? e quantos professores de direito? sobre isso o relatório nada diz. A não ser que, de cada sete, os inquiridores só tenham conseguido apanhar um.

segunda-feira, maio 18

Mensagem a Dawkins




PROVAVELMENTE NÃO CONSEGUIRÁS APAGAR A IDEIA DE DEUS DA CABEÇA DE UMA IMENSA MULTIDÃO*. POR ISSO NÃO TE PREOCUPES E VIVE A TUA VIDA, PAH


*já para não falar destes:









En galego sentiraste libre

Ainda a Xunta recentemente eleita não começou a trabalhar e já está na rua um movimento que quer fazer esquecer os resultados das eleições. A Mesa (pola normalización linguística) organizou ontem em Santiago de Compostela uma gigantesca guerra preventiva pela defesa do galego, que ainda não começou a ser atacado. A Festa das Letras deu oportunidade aos manifestantes para avisarem o Partido Impopular de que terá de ter muito cuidadinho com o que faz. O êxito da concentração surpreendeu os organizadores: parece que dava para encher o Obradoiro e convocaram para a Praça Quintana. (Foto, história e comentários no Correo Gallego)

O simplismo gramatical dá uma ajuda. Não se imagina numa manifestação festiva um cartaz com a frase "Em galego sentir-te-ás livre". Sentir-te-ás? Dasse. Tasse bem.

domingo, maio 17

Adeus, calculadora

Dêem só uma olhadela nisto.

A controlite do ME

Conta hoje o PÚBLICO que o Ministério da Educação prevê ao milímetro as frases que os professores podem e devem articular durante os próximos exames, perdão, provas de aferição. Este obsessão de controlo total não tem nada de novo. É própria daquele ministério e tem-se manifestado abundantemente, independentemente dos governos. A chuva torrencial de normas que inunda as escolas tem sido, de resto, uma das causas do mal estar recentemente evidenciado pelos professores.

Mas há já muito tempo que a controleirite é visível noutros âmbitos. Um deles é o dos programas das disciplinas. Um programa defeituoso ou mesmo mau tem uma importância relativa porque um professor inteligente e com bom senso pode sempre subvertê-lo; mas como nem a inteligência nem o bom senso estão distribuídos com generosidade e como os autores de manuais têm de seguir os programas oficiais, é claro que maus programas têm efeitos perniciosos.

Vou dar um pequeno exemplo. No programa do 11º ano de Matemática "explica-se" na página 8 como introduzir as noções de raiz quadrada, cúbica, etc, e como ensinar as operações com símbolos de raízes. O programa não explica nada de jeito nem dá nenhuma ideia aproveitável sobre este ou outros assuntos, mas é muito apressado a espartilhar a acção do professor impondo-lhe uma barreira ridícula e sem sentido com a frase seguinte:

Grau de dificuldade a não ultrapassar:

A tónica geral dos programas oficiais (pelo menos no caso da matemática para o ensino secundário) consiste numa grande vacuidade sobre a substância das matérias a ensinar e em doses maciças de ideologia para balizar a acção do professor.

Verbo em alta

PGR desmente pressões mas é contrariado

Charles Smith desmente injúrias a Sócrates

Cândida Almeida desmente a notícia do «i», dizendo ...

Sócrates desmente Alegre Alegre desmente Sócrates

Alegre desmente negociação com Sócrates

Antigo adjunto de José Sócrates desmente envolvimento em caso...

Subjacentes a estes casos estão, supõe-se, mentirosos ou mentirosas. O verbo mentir é, no entanto, usado de forma muito menos conspícua. Nem o Google é eficaz como detector de eventuais mentiras: busque-se alegre mente e ele pensa que andamos atrás de um advérbio de modo (se ainda se chama assim na era da TLEBS). Quem diz alegremente, diz candidamente. Estão em desvantagem neste campo os que não foram batizados com adjectivos.

Prudência

Fez bem o presidente Obama em proibir a divulgação das fotos com as torturas de Guantanamo. As inquietações com o clamor que aí viria não lhe deixariam tempo livre para governar. Ainda toda a gente se lembra das gigantescas campanhas de indignação que se seguiram à revelação das torturas praticadas no Iraque de Saddam ou pelo grupo Al-Qaeda, e que levaram à queda do regime de um e à passagem à clandestinidade de outro.
Além disso, Obama provavelmente apercebeu-se de que não podia competir com o inimigo a nível de efeito dissuasor. Por todos os motivos, a divulgação seria contraproducente.

terça-feira, maio 12

Roxana

A libertação de Roxana Saberi, noticiada ontem, é uma boa notícia. Todos saem a ganhar: Roxana em primeiro lugar, mas também o regime iraniano ao fingir ser estado de direito e simular um gesto de boa vontade. E até talvez a administração americana, que pode ter negociado, ou parecido negociar o caso.

Nem todos, no entanto, verteram lágrimas por Roxana.

Make love, not babies


Depois de a ministra da igualdade se ter empenhado em alargar o aborto a meninas com 16 anos sem necessidade de autorização dos pais, a ministra da saúde promete a pílula do dia seguinte, sem limite de idade, financiada pela Segurança Social (notícia ABC).

segunda-feira, maio 11

Piadas de qualidade

O melhor de Obama até agora, para mim, foram algumas das piadas do jantar de imprensa. Vê-se que a nova administração está assessorada por humoristas de nível, capazes de rivalizar com os nossos Gatos, Contemporâneos e Inimigo Público. As três melhores: as diabólicas criancinhas que se divertem a rasar Manhattan no Air Force One, o beijo de Hillary vinda do México e (sobretudo) a promessa de completar os próximos 100 dias em apenas setenta e dois. Só tenho um adjectivo: adorei.

sexta-feira, maio 8

Apelo contra o anti-semitismo

Catorze membros do Congresso dos Estados Unidos dirigem-se ao Primeiro Ministro da República de Espanha manifestando preocupação com o crescente clima anti-semita no país... e em particular no El País.

domingo, maio 3

Limpeza

A polícia e o exército começaram a retirar os não indígenas de uma reserva índia no noroeste do Brasil. A acção destina-se a executar uma sentença do Supremo Tribunal no mês de Março. Anteriormente, a Rainforest Foundation tinha-se empenhado, pressionando as autoridades brasileiras, numa campanha pela expulsão dos fazendeiros do arroz que se tinham estabelecido na Raposa Serra do Sol.

sexta-feira, maio 1

Estupefacção de espantar

Manuel Alegre estava há dois dias estupefacto e indignado com o episódio em que um inspector interrogou alunos de uma escola de Fafe, aparentemente com o objectivo de que eles denunciassem acções de professores. Para Alegre, trata-se de um "atentado ao espírito da escola pública". Ora, se Alegre estivesse mais atento à realidade, já se teria apercebido de que não há ali qualquer contradição com o dito espírito. A escola pública dedica-se a ensinar pouco e a ideologizar muito; as disciplinas são impregnadas de um conteúdo programático que as extravasa e que vai no sentido de (de)formar mentalidades, seguindo as cartilhas da moda circunstancial.

A Geografia, por exemplo, a par da educação para a cidadania, dedica-se abundantemente a instruir as crianças sobre os malefícios do "aquecimento global" (agora "alterações climáticas") que é um filme com bons e maus. Não deve ser difícil imaginar histórias de crianças a gritar com os pais quando estes lavam os dentes com a água a correr ou quando não separam o lixo de forma correcta.

A História ensina, além de pouca coisa que situe no espaço e no tempo, que tudo é relativo e que todas as civilizações valem o que valem, ou seja, mais ou menos o mesmo. E se isso for certo para as civilizações, não há-de sê-lo a nível mais simples para o valor das hierarquias?

Noutras disciplinas aprende-se pouco e brinca-se muito. E é preciso não esquecer que o próprio Ministério da Educação, durante os últimos dois anos, espezinhou e insultou os professores com apreciável sucesso perante a opinião pública.

Lançando algumas bases para a rejeição do mundo em que as crianças vivem, a Escola Pública dá o seu modesto contributo para a criação de uma bolsa de radicais e delatores. Que espanto pode então provocar a cena do inspector de Fafe?

1 de maio, de madrugada

Parece confirmar-se que Delara foi enforcada hoje em Rasht, Irão.

Actualização em 3 de Maio: A última chamada telefónica de Delara para a mãe está descrita no Daily Mail. 'Mother they are going to execute me, please save me,' Delara Darabiscreamed, before a prison official grabbed the phone and told her mother: 'We are going to execute your daughter and there's nothing you can do about it.'

domingo, abril 26

Discurso político com patrocínio

Vamos a isso, e levem móveis. Basta ir ao IKEA e com uns tostões se mobila uma casa. E já agora, acaba de me ocorrer, vamos reembolsar-lhes essa pequena quantia. (Silvio Berlusconi aos desalojados do terramoto de L'Aquila.) Grande coisa... se fosse comigo preferia que me pagassem transporte e montagem.

sábado, abril 25

Estefânia

O PÚBLICO conta hoje uma história "macabra e misteriosa" à volta do que descreve como "homicídio gay". As personagens principais são um chinês (a vítima) e "uma coisa estranha, nem carne nem peixe" (assim se refere a vizinhança ao presumível assassino). O título do artigo diz tudo mais rápido: "travesti". Mas a história tem pontos obscuros: começa por falar de "relação amorosa" entre vítima e suspeito, mas mais à frente diz que se tratou de "desavenças após actos sexuais", o que pode ser uma coisa completamente diferente. Enigmáticas as personagens secundárias, que se fecham num mutismo obstinado: a "estalajadeira" (termo poético que nos remete para outras épocas) e um "casal de empregados" do restaurante chinês na rua do crime. O casal abana a cabeça em simultâneo, por duas vezes, recusando falar, e vira costas "como uma equipa de natação sincronizada".

A redacção do artigo é interessante, mas tem palavras redundantes. A história contém informação suficiente para dispensar o uso de "gay" (ainda por cima aplicado ao crime, o que não faz sentido) e "travesti". A discriminação só terá terminado quando não for necessário colocar adjectivos. Senão, porque é que as personagens restantes não são tratadas por igual? Não estão em falta a tendência sexual da estalajadeira e a classificação sexológica do casal de empregados?

CHEmisolas

CHEga de

ser totó

A ministra da igualdade do governo polaco pretende criminalizar o uso de símbolos que evoquem regimes totalitários, englobando nazismo e comunismo. Se a lei viesse a ser aprovada, usar uma CHEmisola poderia dar prisão até dois anos. Faz mal a ministra. Primeiro, apagar símbolos não retira ideias, por mais absurdas que sejam, de dentro das cabeças. Segundo, o culto proibido fica mais apetecido e torna-se marca de "irreverência". Terceiro, as CHEmisolas são um pequeno triunfo do capitalismo: num regime comunista a desarticulação da produção nunca poderia ter correspondido à intensa procura. Além disso, parar a produção pode atirar algumas centenas de pessoas para o desemprego. Mais vale incitar a malta a informar-se sobre o homenzinho que os adolescentes de todas as idades gostam de levar no peito. Finalmente, quando o número de não crentes for suficiente para se tornarem consumidores credíveis, a indústria reinventará o ícone, produzindo CHEmisolas subversivas que poderão ser novo furo de vendas, criando novos postos de trabalho.
















sábado, abril 18

Havia de ser cá



Por vezes qualquer tuga cai na tentação de desejar uma União Ibérica que lhe resolva os problemas que o estado tuguês deixa arrastar. Mas valerá a pena? Com a visão justificadamente pessimista que temos do nosso sistema judicial, pode pensar-se que talvez ficássemos mais bem servidos com o sistema espanhol. Mas cuidado, as primeiras impressões por vezes induzem em erro.

Duas cenas caricatas constituem o último desenvolvimento do folhetim macabro à volta do assassinato de Marta Castillo.

Cena um: Há dias Miguel, o presumível assassino da ex-namorada Marta, foi chamado ao juiz para este lhe ler cartas. Sim, uma dúzia e tal de cartas recebidas desde que se encontra preso e que ao que se sabe nada têm a ver com o processo. Imagine-se o luxo! Ter um juiz como leitor. O Miguel deve andar a rir-se da polícia, mas de certeza que se vivesse cá iria empalidecer quando lhe apresentassem a factura das custas.

Cena dois: Uma procuradora de Sevilha acaba de pedir a condenação da rede Telecinco a pagar uma indemnização de 100 000 euros a Rocio, a menina de 14 anos que é a actual namorada de Miguel e que foi selvaticamente explorada naquele rede para contar em directo tudo o que sabia sobre os acontecimentos da noite do crime. A exploração da menina teve a conivência da mãe, que aliás não foi incomodada pela procuradora, e que permitia lá em casa o acesso do Miguel à cama da filha. Pobre Rocio, a justiça vai repará-la do mísero punhado de trocos que possivelmente a Telecinco lhe pagou. No meio disto, que interesse tem Marta, além de ser a personagem morta desta novela? O centro de gravidade do protagonismo deslocou-se. Rocio é rapariga de sorte: namorar o Miguel pode dar direito a acabar num contentor ou no fundo do Guadalquivir, conforme os dias e a versão em voga, mas também pode ser fonte de grandes proventos. Se fosse por cá não teria tanta sorte. Com o que aí se anuncia, esta indemnização, a ser recebida, iria logo ser considerada enriquecimento ilícito por outro procurador qualquer.

Duas mulheres



A da esquerda é Delara Darabi. Será enforcada amanhã no Irão. A da direita é Roxana Saberi, jornalista iraniano-americana, que acaba de ser condenada a oito anos de prisão por espionagem.

A história de Delara tem mais drama e romance. Aos 17 anos colaborou com o namorado no assalto à casa de uma prima, que acabou morta com uma facada. Assumiu a culpa para ilibar o namorado, convencida de que não seria condenada por ser menor. Apesar de provas posteriormente apresentadas, o tribunal manteve a condenação: a facada foi desferida por um dextro e Delara é canhota. No sistema judicial iraniano as provas contam menos que a intuição dos juízes.

(Notícia do Corriere.)

sábado, abril 11

O taliban dentro de nós


Não, este não será o fardamento adequado a uma trabalhadora da já famosa loja do cidadão de faro. Mas não é de todo fácil explicar porquê, numa época em que dizemos encarar com naturalidade tanta coisa relacionada com erotismo. De que temos medo? De que a clientela se distraia ou prolongue a sua permanência ao balcão, diminuindo assim a produtividade do posto de trabalho? Nada que não pudesse acontecer também com corpos bem cobertos, adivinhados pela janela de um olhar esplendoroso ou de um sorriso fulgorante. Teme-se a beleza, simplesmente, porque não se a possui ou porque se receia que nos escape. Para as feias e feios, as normas das lojas de cidadãos que por aí há são irrelevantes ou inúteis.
Entretanto, promove-se a beleza abundantemente, em clara discriminação anticonstitucional de que ainda nenhum bloco nem nenhum Alegre se lembrou para as suas afirmações de existência: quando num anúncio de emprego se exige eufemisticamente "boa apresentação", está-se descaradamente a recusar trabalho a gordos e gordas, atarracados e atarracadas, borbulhentos e borbulhentas. Com um nicho de oprimidos tão promissor, só por ingenuidade se pode continuar a bater na tecla do anti-fascismo. Quem vai ter coragem de adoptar o lobby dos feios e impôr que o m/f dos anúncios seja seguido de g/m a/b (gordo-magro, alto-baixo)? Se isso acontecer vão ver que deixa de haver preocupação com as mini-saias e os decotes.

A intoxicação

"...o desemprego e a precariedade alastraram-se simultaneamente com a desigualdade e o empobrecimento..." dizem eles, com razão, excepto, possivelmente, no uso do verbo alastrar na forma reflexiva (ao gosto do que agora se faz na TSF e nas televisões).

Mas nem tudo é claro neste manifesto de lugares comuns. Deplora-se que "os direitos conquistados durante gerações, pelos trabalhadores", sejam "gradualmente postos em causa" e o facto de que as "classes trabalhadoras foram progressivamente intoxicadas pela compulsão consumista". Ora os dias felizes do consumo foram proporcionados pelos direitos e melhorias de vida que os trabalhadores adquiriram neste sistema deplorável. Ou estarão os subscritores a referir-se a direitos conquistados sob o regime soviético, castrista, chinês ou norte-coreano? É que ao mesmo tempo "clamam por novos paradigmas comportamentais e políticos". Em que ficamos? Os subscritores deste apelo parecem simpatizar discretamente com modelos de sociedade onde as "conquistas" se resumem às parangonas dos jornais oficiais e onde não há riscos de "intoxicação consumista" porque não há assim tanto que consumir. Na sociedade perfeita para estas pessoas o consumo é um privilégio que lhes deve estar reservado: com os seus salários ou reformas confortáveis podem viajar, comprar apartamentos e automóveis sem dores de cabeça. E olham com compaixão a ralé que se esfalfa a trabalhar, pagando ivas e etc pelo meio, para conseguir, quando consegue, pagar a prestação da casa e do televisor panorâmico comprado a crédito.

sexta-feira, abril 10

Um francês em Paris

O Figaro dá notícia hoje da divulgação de um video que tem agitado a blogosfera francesa nos últimos dias. É o filme da agressão de um jovem com sobretudo e cachecol por um grupo de outros quatro jovens. Assim mesmo, sem falar de cores, escondendo um conflito a preto e branco. O agredido é tratado pelo bando por "francês de merda".

Naturalmente, houve tentativas de classificar o video como falsificação racista, mas nada a fazer: está verificada a autenticidade e fica a consolação de chamar "de extrema direita" aos sites que o divulgaram. Entretanto estão em marcha um processo ao polícia de quem se suspeita que partiu a divulgação das imagens, e um apelo a acções de apoio ao agente.

O detalhe interessante é que o violento episódio tem já quatro meses. Muitos se interrogam se um caso destes, com as cores ao contrário, aguentaria esta eternidade sem saltar para a internet, e mesmo para os jornais e as tvs.

O YouTube eliminou o violento filmezinho por razões de "violação das condições de utilização". Por enquanto pode ver-se aqui, se houver paciência para esperar, porque o site está entupido com visitas.

Actualização: O jovem vítima da agressão deu hoje entrevista ao Figaro. É interessante lê-la. Fica aqui um excerto com sublinhados acrescentados:

Des sites Internet affirment que des injures raciales auraient été proférées à votre encontre…
Personnellement, je n'ai rien entendu de la sorte. Ces propos, s'ils ont été dits, interviennent dans un contexte où mes agresseurs étaient drogués ou ivres. Par ailleurs, ils n'étaient pas tous issus de l'immigration. La vidéo de mon agression apparaît comme très stéréotypée car, ce soir-là, je suis habillé de façon bourgeoise et je suis face à quatre jeunes qui faisaient beaucoup de bruit. En aucun cas, je ne veux passer pour l'incarnation d'une certaine image sociale qui aurait été prise à partie par des étrangers. Je ne l'ai pas ressenti comme cela. L'un des assaillants en survêtement, rasé, avait d'ailleurs une couleur de peau très pâle…

quinta-feira, abril 9

Moctezuma em edição revista

Lá para o outono, o British Museum vai apresentar uma exposição sobre Moctesuma e os conquistadores espanhois. Há um fio programático: contrariar a visão de que o imperador azteca se terá rendido aos espanhois e terá sido assassinado pelo seu povo em fúria. A nova versão do conto escolhe definitivamente os homens de Cortés como os maus da fita. Eles terão aprisionado e assassinado o imperador. Os organizadores baseiam a nova versão em documentos encontrados na Escócia e no México. Em rigor, não é novidade que haja dois finais, dependendo de quem é o narrador. Qualquer dos epílogos é verosímil: se os "conquistadores" não eram gente meiga, também Moctezuma não era propriamente amado num império onde muitas tribos eram sufocadas com impostos. Mas Moctezuma em versão British Museum 2009 está, sem dúvida, mais de acordo com os nossos tempos em que aos europeus, de olhos azuis ou escuros, se convencionou atribuir as culpas de todos os males.

segunda-feira, abril 6

Desastre no Abruzzo



Há semanas que Giampaolo Giuliani, investigador do Istituto Nazionale di Fisica Nucleare, vinha alertando para a forte possibilidade de um sismo violento. Giuliani sustenta que se podem prever os terramotos: a pista são as fugas de radon da crusta terrestre. Há dias foi acusado de alarme intencional pelo chefe da protecção civil, Guido Bertolaso. Giuliani espera agora desculpas.

É claro que o alarme num tal caso pode levar a situações de perigo e a deslocações de população que podem revelar-se inúteis, mas fazer de conta que não é nada pode ser igualmente perigoso. A dúvida sobre o grau de rigor da previsão pode justificar que se desvalorizem os avisos, mas infelizmente a tragédia de hoje em Itália vem mostrar que pode valer a pena escutar os peritos.

Faz sentido um governo financiar institutos e laboratórios e não dar crédito algum aos resultados da investigação que lá se desenvolve? Depende da avaliação que dela faça. Bertolaso sustenta que os factos não eram previsíveis e que consultou os melhores especialistas de engenharia sísmica em Itália. Giuliani teima que sim, que eram previsíveis. Uma questão científica não resolvida a juntar ao drama.

Mais realisticamente, caberá discutir responsabilidades pela qualidade da construção. Edifícios novos, como o hospital e a casa do estudante, sucumbiram como as construções medievais. Fala-se de fazer legislação mais apertada para normas anti-sísmicas. Apertada ou frouxa, quem irá garantir o seu cumprimento?

(Imagem: La Repubblica. O epicentro)

quarta-feira, abril 1

Pressão, um novo paradigma

O Procurador Geral da República garante que não há prazos para investigar determinado processo, mas vai ser rápido a investigar a existência de pressões à volta do dito.

Ontem, ao fim do dia, o tema das pressões continuava em alta e parece estar a tornar-se endémico.

Ainda bem que todas estas declarações foram feitas ontem. É que se fosse hoje poderíamos não acreditar em nada.

Por outro lado, uma procuradora vem propôr o mote para vários silogismos que podemos entreter-nos a construir. Mas parece-me que ela passa ligeiramente ao lado da questão: mais do que afirmar que magistrados corajosos não são pressionáveis, pertinente será perguntar se magistrados não corajosos podem cair na tentação de pressionar.

domingo, março 29

A ciência no labirinto

A ciência é permeável à ideologia? Bom, a ciência é feita por seres humanos e todos temos a tendência para acreditar, ou pelo menos aderir emocionalmente, a determinados esquemas de explicação da realidade.

“The pope is correct, or put it a better way, the best evidence we have supports the pope’s comments. He stresses that “condoms have been proven to not be effective at the ‘level of population' " disse à National Review Online Edward C. Green, director do AIDS Prevention Research Project no Harvard Center for Population and Development Studies. Green explica que isto pode dever-se ao fenómeno que denomina compensação de risco.

A revista Lancet intimou há dias o Papa a desdizer as recentes afirmações sobre a ineficácia do preservativo. Há portanto sinais de fractura a nível da comunidade científica, o que não é inédito: já a respeito das "alterações climáticas" (o nome mais em moda do "aquecimento global") elas são mais que evidentes. No caso da prevenção da SIDA, dá que pensar, pelo menos, que se registem aumentos de infecção em sociedades como as nossas, onde em princípio o acesso ao preservativo é fácil e onde pouca gente liga ao que diz um qualquer papa.

Todos ralham. Quem terá razão?

A Lancet publicou até 2004 e 2006 artigos em que se pretendeu contar o número de mortos após a invasão do Iraque, e as reacções não foram pacíficas: os procedimentos metodológicos dos autores foram contestados e um dos autores fortemente censurado por recusar a revelar o procedimento seguido. (Uma parte da controvérsia está aqui e podem ver-se mais detalhes na Wikipedia.) Não consta que a Lancet tenha desdito o conteúdo do que a esse respeito publicou.

sábado, março 28

Sucessos da luta contra a criminalidade

As legislações modernas, permitindo classificar tudo e mais alguma coisa como crime, dão uma boa ajuda às estatísticas de resultados da acção das polícias.

Assim, uma menina de 14 anos de New Jersey acaba de ser acusada de pornografia infantil por colocar no MySpace trinta fotos suas em poses de nudez. As novas leis facilitam a vida aos procuradores: para caçar criminosos nem precisam de procurar muito ou sequer de correr riscos.

Este fim de semana desenrolou-se entre nós uma "mega-operação de segurança". Convenientemente colada à revelação dos números que mostram o aumento da criminalidade no país. A notícia de jornal não precisa à segurança de quem se refere o título mas, lendo melhor para percebermos qual o tipo de perigosos delinquentes detidos, fica-se a perceber que se trata da segurança dos autores de rapto, car e home-jacking, roubo com arma e homicídio.

quinta-feira, março 26

Periféricos?

O ex-presidente Sampaio mostra-se desagradado com a preferência do país por discutir assuntos periféricos. Refere-se ao caso do provedor de justiça e ao penalti. Tem razão no que respeita ao medíocre folhetim do provedor, que só mobiliza umas dezenas de actores com meios mas sem talento. A novela do penalti deveria ser, no entanto, reclassificada como assunto periesférico, uma categoria que é capaz de comover e crispar uns milhões de cidadãos. Não é mostra de grande lucidez misturar as coisas.

quarta-feira, março 25

Com os olhos e os ouvidos de África

Num registo mais sério, é interessante ler o artigo de Marie-Claire Nnana publicado há três dias em all.africa.com, dando conta da arrogância europeia, e particularmente a francesa, ao pretender impôr a sua visão sobre a viagem africana do Papa. Aqui ficam dois excertos incisivos.

Le journalisme des « petites phrases » est certes sensationnel et payant, commercialement parlant, mais l'on observera qu'en résumant huit jours de visite en deux petites phrases, de préférence celles susceptibles de remuer une opinion publique formatée, il y a un risque de caricaturer et de fausser le message.
Le comble, c'est lorsque ces médias déclarent parler au nom des Africains Non, merci, chers confrères, vous parlez pour vous-mêmes, et pour votre public.


Avec l'Internet, la télévision, la radio, les journaux, l'école laïque, la société dispose d'une machine de communication en théorie bien plus puissante que la seule parole du pape ! Pour finir de jouer sur ce registre cynique, on peut même rappeler avec Graham Greene, que « les principes sont faits pour être violés »

segunda-feira, março 23

Auto brilhante...


Ou como obter a lubrificação com melhor relação qualidade/preço. Parece-me que começo a compreender melhor as palavras do Papa na entrevista à partida para África. De certeza que ele estava informado disto.

domingo, março 22

Ensaios sobre a cegueira (2): o estudante de engenharia electrónica

"Ouvi que ela ainda tem 40%de visão no olho direito, mas a mim vão tirar-me a visão dos dois. Mereço que me ceguem de um olho, mas não dos dois, porque ela ainda vê um pouco", confessa a El Mundo Majid, o estudante de engenharia electrónica que cegou com ácido Ameneh, a rapariga que diz amar ainda. Diz que foi um erro e queixa-se de que a sua condenação é mais dura do que as que têm ocorrido em casos similares - tão frequentes que até há uma palavra para os atiradores de ácido: são os acid-pashi. Quer ainda viver com Ameneh, mesmo que estejam ambos cegos. A ténue esperança de Majid corre contra o tempo. Como vai Ameneh aplicar-lhe as gotas nos olhos se ela não vê? Só pode estar a mentir. A execução pode verificar-se já depois das festas do novo ano persa, a partir de 3 de Abril.

sexta-feira, março 20

Preservativos e tópicos afins

Numa entrevista longa dada à partida para África, o Papa voltou a falar do preservativo, e mal. A frase está perdida no meio de uma conversa com tronco e membros, mas lá ficou para gáudio da ocidentalidade anti-católica e da raiva dos personagens do Fórum TSF. Em vez de cascar no Papa, os media deviam agradecer-lhe: a pequena frase garantiu-lhes dois dias de gozo e justificação para os seus papéis.


Para lá disso, o Papa esteve mal ao não resistir à tentação daquelas palavras. Mas pior do que isso é que para os africanos a frase é irrelevante. Se o preservativo não é usado na escala adequada, não é por culpa do Papa (de cujas palavras, de resto, ninguém já faz caso, como bem sublinham os seus detractores), mas das políticas e da cultura local. Em África, poucos devem ter ficado a pensar no caso, se é que deram por ele.

A euforia dos media com o tema chegou ao ponto de terem esquecido outra oportunidade para malhar no Papa & Companhia: é que, precisamente também há dois dias, soube-se que a administração Obama subscreve agora a moção da ONU para despenalização da homossexualidade e que o Vaticano continua a demarcar-se. As organizações LGBT rejubilam. Não sei se terão reparado que o porta-voz Robert Wood se apressou a dizer que "subscrever a moção não nos obriga a compromissos legais".

Também não houve ecos da caça às bruxas em curso na Gâmbia, noticiada ontem no The Independent. A operação já levou à tortura e à morte de umas mil pessoas e foi lançada pelo próprio Presidente Yahya Jammeh, que está convencido que certos feiticeiros do país são responsáveis pela morte de uma sua tia. Jammeh acumula as funções de presidente com as de feiticeiro, pois tem umas ervinhas que curam os doentes com HIV.

3000 dólares por uma viúva

Para garantir o futuro das viúvas de mártires, o Hamas oferece 3000 dólares aos homens que desejem casar com uma dessas mulheres. Talvez seja mais correcto dizer: que desejem integrá-la na sua família. Porque os candidatos têm de fazer prova de ter recursos económicos para o efeito, de possuir altos valores morais de acordo com o Islão e têm de comprometer-se a tratar a nova esposa com o mesmo respeito que devotam às outras (suponho que nenhum). A história vem contada no Ynet.news e no El Mundo. Aqui dá-se conta de que a medida não é bem vista em todos os sectores. Alguns comités de mulheres em Gaza contestam a promoção da poligamia e outros temem que os subsídios vão parar apenas ao círculo dos apoiantes do Hamas.

terça-feira, março 17

Siento hermosa / I feel pretty




Na versão bilingue de West Side Story recentemente estreada em Nova York, com novas letras de Lin-Manuel Miranda, o verbo "sentir" foi despromovido a irreflexivo. Um sacrifício compreensível da gramática à métrica. Este musical resiste a tudo e a voz magnífica de Josefina Scaglione faria esquecer mil sílabas perdidas.

domingo, março 15

Carmen, de Recife

O envolvimento do alto clero brasileiro no caso da menina violada, vindo gritar excomunhão alto e bom som, tem sido mais um bom pretexto para os ataques dos que que gostam de mostrar a Igreja tão perigosa como nos "tempos da Inquisição" (sempre invocados nestas ocasiões). Ainda hoje, num programa de conversa transmitido pela Antena 2, Pedro Almeida Vieira recitava essa conhecida audio-file (cassete já não soa bem nestes dias). Que não se admirava, vindo de uma organização que patrocinara os autos de fé. Que não tinha havido a a preocupação de excomungar o violador. E por aí.

É curioso como estas vozes lamentam a não aplicação a alguns de um "castigo" que abominam e ao qual não atribuem qualquer sentido. Como parecem ignorar que a Inquisição foi o que foi porque o poder político na Europa precisou de Roma durante muito tempo para se afirmar e dela tirou o partido que pôde. Que o cristianismo continha já os mecanismos que permitiram separar Igreja e estado. Que nas nossas sociedades muito laicas e civilizadas, quando ainda há anos o aborto era criminalizado, também nunca havia réus, mas apenas rés.

A Igreja é conduzida por um clero mal esclarecido e inculto, que muitas vezes nem se apercebe da superioridade da mensagem que devia sublinhar e defender, e frequentemente reduz a sua actuação à de uma burocracia acéfala.

Mas também certo é que a Igreja não se reduz a vozes incompetentes. O arcebispo Rino Fisichella insurgiu-se hoje no Osservatore Romano em termos muito claros contra a atitude da Igreja brasileira ao excomungar Carmen e os médicos.

Carmen doveva essere in primo luogo difesa, abbracciata, accarezzata con dolcezza per farle sentire che eravamo tutti con lei; tutti, senza distinzione alcuna. Prima di pensare alla scomunica era necessario e urgente salvaguardare la sua vita innocente e riportarla a un livello di umanità di cui noi uomini di Chiesa dovremmo essere esperti annunciatori e maestri. Così non è stato e, purtroppo, ne risente la credibilità del nostro insegnamento che appare agli occhi di tanti come insensibile, incomprensibile e privo di misericordia.

Carmen, stiamo dalla tua parte. Condividiamo con te la sofferenza che hai provato, vorremmo fare di tutto per restituirti la dignità di cui sei stata privata e l'amore di cui avrai ancora più bisogno. Sono altri che meritano la scomunica e il nostro perdono, non quanti ti hanno permesso di vivere e ti aiuteranno a recuperare la speranza e la fiducia. Nonostante la presenza del male e la cattiveria di molti.

As estreias da semana - num cinema muito longe de si

Pânico na net

Hugh viaja frequentemente em trabalho para uma agência estatal. Anna, a mulher, fica alerta quando começa a senti-lo distante. Confrontando movimentos da conta bancária com um recibo de hotel que Hugh esquece no bolso de um casaco, identifica o local onde o marido terá encontros com uma possível amante, acabando por segui-lo para o espiar. Descobre que a rival é uma sua amiga de juventude, Silvia, que se mudara para Nova York. Obtém fotos e contactos de Silvia e começa a divulgá-los em chats eróticos, fazendo-se passar por ela... Tudo se complica quando começa a teclar com um esquizofrénico que a cerca e descobre a sua verdadeira identidade, mudando definitivamente o curso da sua vida.


Nem ama nem sai de cima

Ken, advogado de um grande banco, pai de família e profissional de sucesso, é assediado durante meses com mensagens de telemóvel de uma desconhecida que lhe marca encontros e durante muito tempo não aparece. Quando finalmente consegue um único encontro com Julie, a sua suposta perseguidora, fica enfeitiçado, mas ela volta a desaparecer sem lhe ter revelado os propósitos. Ken continua a receber mensagens mas Julie esquiva-se sempre a novo encontro... Com a ajuda de uma antiga amante que trabalha na operadora telefónica descobre que as mensagens eram enviadas de um telemóvel da sua própria mulher... esta descoberta vai mudar para sempre o curso da sua vida.


Até ao tutano

Susana e Jorge gostariam de ter casa e filhos mas sobrevivem com baixos salários e trabalho incerto, o que os obriga a continuar a viver com os pais. Susana trabalha como caixa no Jumbo e vive com a mãe alcoólica, Jorge trabalha numa lavagem de carros e mora com a mãe e o padrasto. Uma noite, ao fazer amor com a namorada, Jorge toma consciência de que ela geme como nenhuma outra que já conhecera e convence-a a fazer bandas sonoras para uma produtora de dvds pornográficos. A princípio a ideia deixa Susana chocada, mas Jorge não desiste de a impelir para o mundo do porno. Os filmes com os gemidos de Susana tornam-se um sucesso comercial e chegam a circular em formato CD. Susana engravida mas os problemas começam quando ela recebe novas propostas e Jorge perde o controlo da situação... A partir daí as suas vidas não voltarão a ser as mesmas.

quinta-feira, março 12

Os dias difíceis do TPI

Há quatro dias, o Yemen Times publicava uma lista de apoiantes do presidente do Sudão, Al-Bashir, contra quem foi emitida ordem de prisão pelo Tribunal Penal Internacional. A lista inclui o Irão, a Síria, o Hamas, a Jihad Islâmica da Palestina, a União Africana, a Liga Árabe e a Organização da Conferência Islâmica. E também a Venezuela e o ICC Watch. Alex de Waal argumenta que as coisas podem não ser tão simples como parecem, que o TPI pode estar a atravessar um momento crítico e que o procurador Luis Moreno Ocampo pode estar a ser conduzido por uma errância de projecção mediática que não acautela suficientemente os interesses da paz e das vítimas.

quinta-feira, março 5

Civilizações: ensaios sobre a cegueira

Há cinco anos, a jovem Ameneh Bahrami estava na universidade e tinha um pretendente que rejeitou. O rapaz lançou-lhe ácido à cara, desfigurando-a e causando-lhe cegueira. Actualmente Ameneh vive em Barcelona, tendo depois de várias operações recuperado alguma visão, que voltou a perder devido ao surgimento de uma infecção fúngica. O governo espanhol paga-lhe o aluguer de uma casa.

Tudo isto Ameneh Bahrami contou ao ABC em discurso directo. Isto e mais. O seu sofrimento todos estes anos, e o seu alívio ao conhecer a sentença do tribunal, condenando o agressor a ser vítima do mesmo crime, o que quer dizer condenado à cegueira. E os obstáculos que transpôs para conseguir que a sentença o condenasse à cegueira dos dois olhos. Inicialmente apenas a inutilização de um olho esteve prevista, pois de acordo com a lei islâmica dois olhos de mulher valem só um olho de homem. Na execução da sentença, que ocorrerá quando Ameneh Bahrami regressar ao seu país, o condenado será anestesiado, pelo que não sofrerá dor física. Não poderá ser a própria Ameneh Bahrami a executora por se encontrar cega, mas garante que não lhe faltam voluntários que a substituam.

quinta-feira, fevereiro 26

domingo, janeiro 18

Há gaz em Haifa

Se esta notícia se confirma, ainda vamos ver surgir muitos novos amigos de Israel.

O triunfo de Hitler

É frequente nos meios de comunicação e na opinião pública ocidental sustentar a comparação dos actos de guerra israelitas com actos nazis. Como bem notou David Aaronovitch no Times, comparar Gaza com o ghetto de Varsóvia denota uma imensa falta de sentido da proporcionalidade: a equiparação só teria sentido com o assassinato intencional de meio milhão de palestinianos. De resto, tendo continuado o lançamento de rockets a partir de Gaza durante as últimas semanas, até se poderia ser levado a pensar que a ofensiva israelita era insuficiente.

As reacções a este conflito mostram um mundo feio e deprimente. "Élites" ocidentais que se julgam muito "progres" colam-se sem pudor a um movimento terrorista e retrógrado que só de olhos bem fechados se pode encarar como representante do "povo palestiniano", e que tem na sua carta de constituição o propósito de destruição de Israel. Manifestações das várias esquerdas nas cidades europeias e americanas são cavalgadas, obviamente, por sectores islâmicos; mas, curiosamente, não parecem ter sido estes a convocar a presente fornada de protestos. Não houve notícias de carros incendiados pelo mundo muçulmano como quando do episódio das caricaturas. Eles têm direito às suas prioridades, e com toda a evidência preocupa-os mais um cartoon sobre o profeta do que a sorte dos tais palestinianos. De resto, não têm que se preocupar, porque os idiotas úteis fazem o serviço por eles.

No meio de tudo isto, não são só os israelitas que estão sós. Os palestinianos estão-no igualmente, e para já em situação de catástrofe. Usadas famílias civis, crianças, escolas e hospitais como escudo, ninguém na verdade tem pena deles. Os bem-pensantes ocidentais, no fundo, apenas encontraram mais uma excelente ocasião para exibir sem sombra de vergonha o ancestral ódio ao judeu que parece habitar-nos. Uns dias atrás, um deputado socialista em Amsterdão fazia o resumo do que outros pensam, gritando num comício "judeus para o gás" (rimando com Hamas). Demorou mais de sessenta anos, mas Hitler acabou por ser compreendido.

terça-feira, janeiro 13

Poderia Obama acontecer em África?

Em palavras simples, Mia Couto explica porque é que a eleição de um Obama não poderia acontecer em África:
1) porque um dos seus concorrentes inventaria uma revisão constitucional para prolongar o mandato e seriam necessários muitos anos antes de nova candidatura;
2) porque talvez nem tivesse oportunidade de fazer campanha: muito provavelmente seria agredido e tiravam-lhe o passaporte, já que "os Bush africanos não toleram opositores";
3) porque não é suficientemente negro: sendo descendente de estrangeiros poderia ser declarado um candidato ilegal e seria visto pelas elites predadoras como um africano não autêntico.;
4) porque, mesmo que acabasse por ser eleito, teria de negociar políticas de governo com "um qualquer Bush", negociando a vontade do povo expressa no voto.

Mia Couto identifica com clareza os males de grande parte dos sistemas políticos africanos, e não atribui culpas aos de fora. Não se compreende é a comparação feita com Bush. Este foi eleito por vontade dos americanos quando terminou uma presidência democrata, e o candidato republicano foi derrotado quando o seu mandato chegava ao fim. E não consta que Obama vá governar sob os princípios da administração anterior. Não há um Bush em África exactamente pelas mesmas razões que não há lá um Obama.

terça-feira, dezembro 30

A trégua e o título

Quem lê o título desta notícia no site do PÚBLICO deve pensar: os malandros são surdos aos desejos de paz do Hamas!

Mas, tendo a paciência de ler até ao 8º parágrafo, descobre-se que quem pediu a trégua a Israel foi a ONU. No mesmo momento em que se sabe que o Irão prepara voluntários para combater em Gaza, ficamos sem saber se a ONU pediu também ao Hamas o fim dos ataques e, se é esse o caso, qual foi a resposta.

Entretanto, sabemos também que o Egipto acusa o Hamas de não ter permitido a utilização da passagem de Rafah entre Gaza e aquele país, aberta no sábado, devido à continuação dos ataques por elementos palestinianos.

As vítimas civis barbaramente chacinadas

sexta-feira, dezembro 26

O Papa, os homens, as mulheres e todos os outros

O Vaticano, e o Papa em pessoa, têm estado nos últimos dias preocupadíssimos com a existência de pessoas homossexuais. Ao ouvi-los, parece que vem aí o fim do mundo, que temos outra ameaça comparável ao alegado aquecimento global, e que se trata de algo tão grave que supera em importância outros males, reais ou imaginários.

Primeiro, a recusa de alinhar na ONU com o projecto de resolução para despenalizar a homossexualidade. Agora, na mensagem de natal à Cúria, Bento XVI vem dizer, com uma subtileza desajeitada, que os comportamentos sexuais que não se encaixam no figurino homem-mulher põem em risco a sobrevivência da espécie.

A posição do Vaticano em relação à proposta de despenalização é chocante. No entanto, nestas andanças de ONU há muita poeira deitada para os olhos de todos. A própria proposta não parece isenta de culpas. Num momento em que actos homossexuais são castigados com a pena de morte em vários países, um texto que nas entrelinhas vai tão longe quanto abrir a porta ao reconhecimento do "casamento gay" padece certamente de falta de bom senso. Por outro lado, se o pressuposto é que os estados não devem meter-se na vida sexual dos indivíduos, é incompreensível que a proposta tivesse um carácter tão polarizado e fosse clamorosamente omissa sobre a punição (por vezes também com a morte) do adultério (exceptuando, claro, o adultério gay). Talvez porque já se sabe que a ONU, quando tem de escolher entre "direitos humanos" e "sharia", tem preferências nítidas.

O discurso recente do Papa é mais problemático. Provavelmente, a sua tirada etológica é das mais infelizes que já proferiu. Um homem que nos habituou a um certo rigor intelectual aparece agora a fazer afirmações que roçam o disparate primário.

Bento XVI tem-se assumido como um lutador contra certo discurso politicamente correcto que se apoia nos neo-"saberes" pós modernos, e em particular nas teorias de "género". No assunto em questão, a razão que o acompanha quando desdenha as invenções de género fabricadas pelos académicos, logo lhe foge ao recusar-se a olhar para a realidade. Os académicos naõ inventaram nada, de facto, que não estivesse já incluído na imensa fábrica de Deus. Eles querem classificar tudo, para além do masculino e feminino tradicionais, em quatro letrinhas apenas (LGBT). O Papa prefere apenas as duas categorias mais evidentes. Neste particular, o Papa subestima o gosto de Deus pela complexidade e pelo não óbvio. Ora há de certeza mais do que seis sexos, até porque é necessário incluir também a auto-mutilação sexual a que se costuma chamar abstinência. As ciências biológicas e sociais não dão, por enquanto, respostas satisfatórias para o papel da diversidade das inclinações e práticas sexuais, mas o facto é que elas sempre existiram, parecem em grande medida independentes de vontades individuais, e não vão desaparecer por invocação de uma escritura sagrada qualquer. Por muito que custe a Bento XVI, os gays parecem mais reais do que Deus. O Papa certamente nem ignora certas histórias sobre pinguins .

Recusando a evidência biológica ao mesmo tempo que tenta invocar uma biologia supostamente simples, o Papa, como outros líderes de grupos religiosos, assume um papel corrector (biológico?) de natureza voluntarista, atacando o indivíduo em nome da espécie, e tentando, desesperada e inutilmente, minimizar a grande ironia praticada por Deus ao expôr o sexo como puro prazer com fins diferentes dos da reprodução.


APÊNDICE:

O discurso do Papa em 22 de Dezembro está aqui.

Já agora, do pouco que se vai sabendo, eis alguns destaques soltos:

1. Wilson and Rahman, "Born Gay: The Psychobiology of Sexual Orientation", 2005. Os autores sublinham que a investigação no sentido de identificar factores psico-sociais no desenvolvimento da orientação sexual tem resultados praticamente nulos. Põem a ênfase nos resultados mais fiáveis onde se considera o papel da genética, da evolução, das hormonas, da ordem de nascimento, da neurobiologia e do desenvolvimento infantil.

2. Savin-Williams and Ream, Prevalence and Stability of Sexual Orientation Components During Adolescence and Young Adulthood, Arch. Sex. Behav. (2007), 385-394: estudo do predomínio e estabilidade de uma dada orientação sexual, distinguindo "atracção romântica" pelo mesmo sexo e "comportamento não heterossexual". A predominância da não-heterossexualidade depende do sexo biológico e é mais alta nas mulheres e também quando se considera exclusivamente a "atracção romântica". Existe migração ao longo do tempo de entre comportamento e atracção pelo mesmo sexo e comportamento e atracção pelo sexo oposto (em ambos os sentidos). A estabilidade é maior no caso de comportamento e atracção heterossexual. A instabilidade do comportamento e atracção homossexual põe em causa dados da investigação nesta área. A análise dos dados levanta questões críticas como: o comportamento ou a simples atracção de tipo homossexual com qualquer grau de relevo deve ser classificado como não-heterossexualidade? Em que grau se deve manifestar determinado tipo de inclinação para classificar os tipos de orientação sexual? A resposta à pergunta "quantos gays existem?" depende da componente em foco (comportamento, atracção, identidade) e do sexo biológico.

3. Gobrodgge et al, Homosexual Mating Preferences from an Evolutionary Perspective: Sexual Selection Theory Revisited, Arch. Sex. Behav. (2007), 717-723: comparando as preferências etárias de homens heterossexuais e homens homossexuais na procura de parceiros quer para sexo esporádico, quer para relações longas, não se encontraram diferenças significativas, invalidando determinadas conjecturas baseadas na teoria da selecção natural.

SMS natal

De vez em quando perde-se um telemóvel, e com ele os números da agenda. Nada que cause muita preocupação: os contactos frequentes recuperam-se rapidamente porque nos ligam, e os menos frequentes recuperam-se pelos sms de natal. É até divertido o jogo: como normalmente não são assinados, é através do texto e dos seus detalhes semânticos que somos levados a reconstruir o contacto. Mesmo assim nem tudo é fácil. Mensagens como "Um natal o mais possível encantador e cheio de felicidades" pode ser enviado, até por engano, por um espectro de pessoas que vai de ex-amantes, fiéis e infiéis, até antigos colegas de escola, passando pelo médico que nos diagnosticou uma alergia rara e, a bem das estatísticas, tenta saber se ainda estamos vivos. Quando a mensagem termina enviando beijos, a classificação fica facilitada. Se afirma "tenho-me lembrado muito em ti e vou tentar ver-te em breve" o mais certo é não ser para nós. Mas pelo sim pelo não, fica sempre bem responder "também me tenho lembrado às vezes, mas não queria incomodar porque sei que tens a vida muito ocupada." Na ausência de réplica ao fim de 24 horas, espera-se até ao natal seguinte.

domingo, dezembro 14

Em Kazerun, no domingo passado

A execução de um condenado por homicídio termina com epílogo doce, no dizer da informação da IRNA, agência oficial iraniana. O homem foi enforcado só durante uns minutos, e baixado ainda vivo, embora com danos irreversíveis no cérebro e na coluna. Os familiares da vítima do condenado podem decidir o perdão já com este a ser executado, ficando habilitados à indemnização com o chamado "dinheiro de sangue", e foi o que sucedeu neste caso.

Tanto quanto sei, na Europa o caso apenas foi noticiado no Corriere della Sera.

Música para os ouvidos do rei

O rei Abdullah, esse grande lutador pela liberdade religiosa e a tolerância para com o Islão, acaba de propor a construção de uma grande mesquita em Moscovo.


Na "Europa" (com aspas no sentido que lhes dá V.P. Valente) o número de mesquitas ameaça crecer como cogumelos, levando já a protestos locais, mas conta com a bênção da própria Igreja Católica. A resposta russa tem um tom diferente e tem coragem de tocar o óbvio: o duplo critério e a hipocrisia do lado saudita. Escreve a União dos Cidadãos Ortodoxos:


You often say that Islam is a religion of justice. However, if Saudi Arabia builds mosques in dozens of Christian countries, isn't it just to build a church for Christians living in Your Kingdom! Perhaps, Chairman of the Pontifical Council for Interreligious Dialogue Jean-Louis Cardinal Tauran was right when he said that "if Muslims believe it right to have a great striking mosque in Rome, than it is right for Christians to build a church in Riyadh!"

Deve ser uma questão de dias até sabermos que a grande basílica de Riade vem aí.

segunda-feira, dezembro 8

SMS

Todos os SMS de amor são ridículos.
Então deve ter sido assim: um dia, acordar e preparar-se para sair, John Haynes apercebe-se de um telemóvel esquecido na cómoda pequena do quarto de dormir. Não é Nokya, não, surpresa. Só pode ser de Alyona. Ela ainda dorme, John pressiona as teclas, incrédulo, um pânico ligeiro nasce-lhe na garganta e encorpa à medida que vê no pequeno ecran

Messaging
Inbox(0)
Ronaldo
Do you miss me baby? I miss you.

Depois percorre o resto da Inbox. São centenas de mensagens com o mesmo remetente. Como é que ela pode andar enrolada com um gajo destes, que escreve como um miúdo de sete anos, pensa. Mentirosa! Devia vir com um daqueles avisos como os maços de cigarros, "esta cabra pode por-lhe os cornos".

John, que se surpreende com estas coisas, poderá pensar por um breve instante que valia a pena ser traído se o outro forse alguém que escrevesse pérolas como:

Passeio pelo quarto evitando que o olhar abranja a cadeira onde te sentaste, a pequena peça Vista Alegre onde colocaste as pulseiras antes de fazermos amor. Todos os objectos me falam da tua partida e do absurdo da nossa separação. Mas mesmo sem os olhar os vejo: faltam-me as forças, caio no sofá de pele grená onde ainda há menos de duas horas me estendias os braços e me puxavas para ti. Não consigo lá ficar, levanto-me ; assim, em cada instante há um dos inúmeros "eus" que me compõem que ignora ainda a tua partida e a quem é necessário ensiná-la...*

Bom, um momento de reflexão basta para ver que um texto assim não cabe num sms. E afinal, na sua desarmante simplicidade, os sms de Ronaldo superam a qualidade de muitas falas de novelas da TVI, por exemplo:

Salomé, eu ainda não descobri o que é que tu me andas a esconder

ou

Dá um recado à tua amiga quando a vires: diz-lhe que eu vou encontrá-la nem que seja no fim do mundo

ou este espantoso trecho de diálogo

-Aposto que ela inventou esta história para ficar a sós com o amante. Se calhar nem foi para Lisboa...

-Ela tem de ser confrontada com isso.

Até a nível de enredo a mini estorinha de Haynes, Ronaldo e Alyona é mais subtil que as novelas da ficção corrente: parece que Alyona mentiu simultaneamente ao marido e ao amante.

*adaptado livremente de M. Proust.

domingo, novembro 23

Quem governa?

Que proposta de avaliação irão os sindicatos de professores dar à luz? Já que afirmam pretender que a avaliação seja focada na vertente científico-pedagógica estou cheio de curiosidade por ouvi-los confirmar que estão de acordo com um exame de acesso à profissão. Pretendem ainda que a avaliação seja aplicada apenas aos professores em vias de progredir na carreira: coisa arriscada esta de evitar a avaliação dos que regridem na carreira.

Seja como for, eu no lugar do Mário teria cuidado com a linguagem: se a descrição da novíssima proposta precisar de recorrer aos estranhos vocábulos de estimação da 5 de Outubro - ficha, grelha, portefólio - as tensões continuarão de pé. Mas o que acho estranho nesta história é o à-vontade com que se acha que os sindicatos estão no seu lugar certo ao virem elaborar propostas de avaliação. Os críticos dizem mesmo "ah e tal mas não apresentaram ainda nenhuma proposta..." Ora, fazer propostas de avaliação compete exclusivamente ao governo e ao ministério da educação: é para isso que os elegemos e são pagos. Se a proposta actual é má, é a ministra que tem que apresentar outra. É a ministra que tem que perceber que há pessoal lunático dentro do seu ministério e fazer-se aconselhar por pessoas competentes. Se não, por este andar mais vale fechar o ministério e deixar aos sindicatos ou a comissões ad-hoc o trabalho de governar. Qualquer dia temos aí os sindicatos a delinear os programas escolares. Aliás, não sei se isso não começou já, pelo menos nos pontos de vista sobre educação para a cidadania, causas da pobreza ou da guerra que são transmitidos em certas disciplinas.

quarta-feira, novembro 19

Assim vai o Mundo

Entretidos a discutir as ironias sérias de Manuela, estamos a perder o que realmente interessa: Franco morreu!

É verdade. Está assim removido o espectro que pairava sobre a democracia no país ao lado. (Bem, as notícias são omissas sobre se Santiago Carrillo ou a Pasionária estão vivos.) A descoberta deve-se à aturada investigação do juiz Baltazar Garzón. O homem ficou tão aliviado ao dar como provado o falecimento do ditador que até pediu uma bolsa de estúpido para prosseguir investigações em Paris. O ingrato Conselho Geral do Poder Judicial recusou-lhe a autorização de viagem. Até quando teremos de esperar para ver Napoleão em tribunal?

segunda-feira, novembro 17

Ovos em alta

O Ministério da Educação "corrige" o estatuto do aluno. Realmente, não fazia sentido que, sendo toda a avaliação de alunos a fingir, as provas de recuperação tivessem algum efeito e consequência. Com o despacho que hoje entra em vigor, o mal entendido fica sanado. As provas de recuperação devem a partir de agora ser simplesmente aquilo que lhes compete: mais uns papéis, grelhas e fichas para ocupação dos tempos dos professores entre os momentos normais de avaliação.

segunda-feira, novembro 10

A desilusão dos ateus

Enquanto a Paddy Power abriu apostas de que a curto prazo se vão encontrar provas científicas da existência de Deus, há gente amargurada com a crendice e a fé dos seus semelhantes (salvo seja). Para lutar contra a ignorância - ou, quem sabe mesmo, a estupidez geral - Richard Dawkins é um empenhadíssimo apoiante da original campanha publicitária que vai ser lançada no Reino Unido: faixas em autocarros com a frase Provavelmente não há Deus, por isso deixe de se preocupar e viva a sua vida.

Dawkins está convencido de que a campanha ateísta vai fazer as pessoas pensar. Para Dawkins, uma funcionária da British Airways despedida por usar crucifixo ao peito tem a cara mais estúpida que já viu.

Confesso que já não viajo ao Reino Unido há uns anos e por isso tenho dificuldade em compreender a luta de Dawkins. Imagino que actualmente não se deve poder atravessar uma rua sem ser interrompido por uma procissão e incomodado pelo cheiro a incenso. E provavelmente em cada esquina onde havia um pub há agora uma igreja, tendo o heavy metal e o punk dado lugar a cânticos e orações.

Não, se fosse assim já se sabia. Estou muito desiludido com Dawkins. Primeiro, nem lhe passa pela cabeça que muitos ficarão ainda mais preocupados com a possibilidade de Deus não existir. Até Saramago, a quem o problema de Deus também muito importa, é muito mais razoável sobre a matéria: apesar de ter a certeza de que ninguém faz nascer o Sol cada dia e a Lua cada noite, o escritor reconhece a dificuldade que os próprios ateus têm em arrancar Deus de dentro das nossas cabeças.

O escritor é neste ponto mais lúcido do que o cientista. Ele quase toca no ponto que é verdadeiramente relevante e que é mascarado pelas ambiguidades do significado de "existir".
Eu dou um exemplo: os números 1, 2, 3, 0,823, -3,14159 ... existem? Talvez a Paddy Power abra apostas de que alguém vai encontrar no mundo real, finalmente, a base dos logaritmos neperianos, o Pi ou mesmo o número 5. Mas do que não há dúvida é de que os números têm sentido para nós. Conseguimos comunicar ideias e regras que os envolvem, e com isso fazer cálculos para viajar até à lua ou para construir o computador em que teclo. Há, incorporado em nós, um software próprio para isso. Então, existir dentro das nossas cabeças não é já um grau de existência bastante?
Provavelmente temos também um software para comunicar sobre Deus. E o resultado é visível em séculos de história.

Quanto à campanha dos autocarros, e tratando-se do Reino Unido em 2008, julgo que só por distracção não foi previsto traduzir a pequena frase em árabe.

sábado, novembro 8

Rossio, 8 de novembro






Nas televisões e nos jornais, para além das reacções da ministra, que seguem o manual de procedimentos para enfrentamentos deste tipo, sucedem-se as dos oportunistas de todos os partidos (PS incluído) a lamentarem o estado do ensino e o infeliz modelo de avaliação. A inefável Ana, os beatos Bernardino e Francisco, os revolucionários Jerónimo e Manuel, mais uma figura pardacenta do PSD cujo nome não recordo... todos de repente têm pena dos professores. Sereias cantantes à caça de futuros votos, parece que ninguém tem nada a ver com o estado de coisas a que se chegou.
Afirma Francisco, por exemplo, que o que é preciso é melhores métodos pedagógicos (...) [e] melhorar a qualidade de cada escola fixando objectivos. Genial! Já tínhamos alguma vez ouvido isto?
A escola das FGRR (fichas-grelhas-relatórios-reuniões) não nasceu com Maria de Lurdes: todos os que agora carpem incentivaram, no governo ou através do seu apoio ideológico, a escola das FGRR. Chamando-lhe inclusiva e outros nomes, o que sempre tiveram em vista foi fingir que os alunos eram avaliados ao mesmo tempo que se caminhava para o sucesso obrigatório. A actual ministra apenas aperfeiçoou o método das FGRR para fingir que avalia os professores ao mesmo tempo que lhes torna o sucesso (para não dizer a vida) quase impossível.

Não podem, não

Grande consternação assola as hostes de apoiantes gueis de Barak Obama. Em consequência da grande mobilização para as urnas, a Califórnia, o Arizona e a Flórida aprovaram resoluções que vão impossibilitar o casamento de pessoas do mesmo sexo.

O choque é tanto maior quanto parece saber-se que foram minorias, uma das quais muito acarinhada, que contribuiram decisivamente para para o resultado: negros, mormons e católicos.

Sintoma de que se trata de algo completamente inesperado é que até Madonna, essa influente pensadora de reconhecidos méritos, se mostrou colhida de surpresa: "é uma vergonha que os EEUU possam pôr um negro na Casa Branca ao mesmo tempo que não permitem o casamento guei". (A redacção da notícia é muito cuidadosa: ao citar Madonna em discurso directo escreve afro-americano e não negro.)

Madonna é o símbolo vivo da distracção universal. Já devia ter reparado que Obama não é bem um negro, mas sim um jovem bonito e bronzeado - coisa tão notória que até os homens disso se apercebem. Daqui a 4 ou 8 anos ainda podemos ouvi-la dizer escandalizada: "agora que os EEUU puseram na Casa Branca um homem completamente negro e abertamente devoto do islão, acabam por ilegalizar as relações homossexuais! é uma vergonha."

quinta-feira, novembro 6

Vitória de Obama esvazia sentido da vida dos seus apoiantes

Epílogo numa história de diploma falso

O parlamento iraniano confirmou há dois dias a destituição do ministro do Interior Ali Kordan, que mentiu sobre as suas habilitações apresentando um falso diploma da Universidade de Oxford. O caso afecta politicamente o presidente Ahmadinejad, que tentou suster a acção do parlamento, e inspirou anedotas que circulam por e-mail e SMS no Irão. Kordanizar é o neologismo que significa obter um doutoramento sem licenciatura, ou receber um grau falso de uma universidade de prestígio.

segunda-feira, novembro 3

Aisha no EL PAÍS

Faz hoje uma semana que na Somália foi executada por apedrejamento até à morte, após sentença de um tribunal islâmico, uma rapariga de nome Aisha Ibrahim Dhuhulow. As primeiras notícias referiram que Aisha tinha 24 anos e fora condenada por adultério. No editorial do PÚBLICO de ontem referia-se esta notícia do El PAÍS de 1 de Novembro, onde se pode ler que o horror não ficava por aqui. Não só Aisha fora violada, acabando por ser enganada e acusada pelos violadores, como não tinha 24 mas sim 13 anos. A Amnesty International fez eco do mesmo facto. Os pormenores estão no EL PAÍS e causam calafrios.

Mas há algo mais de sinistramente interessante na notícia. Após a descrição dos factos, o jornal quer enquadrá-los para os seus leitores e acrescenta:

No es, curiosamente, en el Corán donde se incluye a la lapidación como castigo. No hay ni una sola palabra sobre ello. Sí se recoge en la Biblia, en el Deuteronomio, heredada de la tradición judía y reservada, entre otra, a las adúlteras. "Quien esté libre de pecado que tire la primera piedra", son palabras atribuidas a Jesús de Nazaret, ante el caso de una mujer adúltera a la que se quiere lapidar. Y es que los que tiraban la primera piedra eran los acusadores. Si se descubría -tarde- que el condenado era inocente, podían entonces culpar a los acusadores no sólo de perjurio, sino también de asesinato.
Una práctica, la lapidación, rechazada por muchos musulmanes que recuerdan que se instituyó pocas décadas después de la muerte del profeta Mahoma, por el segundo califa del Islam, cuando la propagación del Hadith (tradición oral que narraba las gestas del profeta) fue sancionada por el Estado.


A cobertura dos factos pelo EL PAÍS parece exemplar, mas este comentário é sintomático do enviesamento de um certo jornalismo "progressista". Acabamos por descobrir que é na Bíblia, e não no Corão, que se ordena a lapidação das mulheres adúlteras! Como se as leis do Hadith não fossem parte integrante das práticas islâmicas, a ponto de estarem integradas no código penal de vários países, sendo aplicadas ainda hoje! Não só na selvajaria da Somália actual, mas também na Arábia Saudita e no Irão, onde os amigos de Zapatero (e do nosso Sampaio) na Alianza de Civilizaciones ainda não se deixaram seduzir pela permissividade ocidental. Assim, parece que ainda há muitos muçulmanos que não se chocam com a prática da lapidação.

O jornal devia ter incluido exemplos de lapidação de adúlteras em países de tradição cristã.

A desonestidade intelectual destes "progres" vai ao ponto de distorcerem o sentido das "palabras atribuidas a Jesús de Nazaret", como se elas fossem o incentivo ao castigo e não à sua suspensão e ao perdão. O redactor do EL PAÍS conhecerá muito do Corão, que tanto se empenha em defender e desculpar, mas não leu João 8, 1-11.

sexta-feira, outubro 31

Menção

No Perspectivas, este insignificante blog foi mencionado para o Thinking Blogger Award:



Agradecendo a referência, e dando seguimento às regras do jogo, aqui vão as minhas cinco menções para o prémio:

Esmaltes e Joias Galo Verde The Reference Frame La Libertad y la Ley

terça-feira, outubro 28

A ministra, os professores e os seus equívocos

Está posto no YouTube um vídeo razoavelmente engraçado com o título "A ministra e a manif" (http://www.youtube.com/watch?v=CcEPYAGWH0Q). O autor pegou num excerto de um filme recente sobre Hitler e legendou-o com alguma inspiração. Tem piada quando, por exemplo, a personagem-ministra revela que estava nos seus planos obrigar os professores a fazer comida para as criancinhas e têm piada também as referências a sindicatos e a umas tantas figuras pardacentas do ministério.

O final, porém, é desastroso. A personagem-ministra desespera, irritadíssima com o programa que os professores querem contrapôr. Grita qualquer coisa como: "Que é isso de ensino gratuito, universal e de qualidade?"

O autor do video -- como certamente muitos professores -- engana-se a si próprio quando pensa que esse programa "alternativo" irritaria a ministra. O programa só é alternativo na aparência: as palavras de ordem que o constituem podem repescar-se no agit-prop de qualquer bloco da esquerda. E, já agora, da chamada direita também. A ministra subscrevê-las-ia sem esforço. Os autores do video, e muitos outros, não se dão conta da vacuidade daqueles chavões e, pior do que isso, de que aquela escola já existe e é a que têm. Gratuita: claro, paga com impostos. Universal: sem dúvida! até lhe chamam inclusiva na linguagem pomposa do eduquês. De qualidade: claro, é a escola do sucesso obrigatório e outra coisa não mostram as recentes "melhorias" estatísticas. Só que a realidade é bem diferente das promessas e das palavras. A realidade é o inferno que experimentam no dia a dia.

Quando será que os professores deixam de subscrever sem crítica as receitas dos vendedores de ilusões?

A escola exclusiva

Ainda nao foi desta, mas o Chicago Board of Education mantém a intenção de criar uma escola para crianças homossexuais. A intenção é tão boa como as outras que enchem o inferno: proteger essas crianças do assédio e ataques de que são vítimas. Mas nem todos os pais estão de acordo: Kathy Reese, uma mãe revoltada com a iniciativa, afirma que as crianças não sabem ler nem escrever porque os responsáveis as utilizam com fins de agenda política. O mayor Daley achou bem travar o projecto, até ver.


A proposta veio de Arne Duncan, esperto em educação do CPS (Chicago Public Schools). Mas Daley mostra-se céptico, e há quem levante outras questões: se o problema é o bullying, porque não uma escola para os "bullies"?


Trata-se de uma notícia sem importância, provavelmente. Ou talvez não: é um pequeno sinal de como os Estados Unidos (e o ocidente) podem estar a mudar por força de uma vaga ideológica que condiciona o pensamento e a visão do mundo do cidadão comum.

Curiosidade: o CPS, em que o terrorista e professor de educação William Ayers gastou milhões de dólares não há muitos anos atrás, pelos vistos ficou mal reformado. Provavelmente porque os milhões foram investidos em activismo político e não em educação.

sexta-feira, outubro 24

Catequização para a Cidadania

A Educação para a Cidadania já é, em Espanha, uma disciplina tão obrigatória como a matemática ou a aprendizagem da língua. Um grande número de encarregados de educação tem procurado opor-se-lhe sem grande sucesso. Ainda hoje o La Razón noticia que famílias espanholas, residentes em Portugal, viram recusados pedidos de dispensa da disciplina para os adolescentes a seu cargo que aqui estudam num colégio espanhol.

Quem aderiu com entusiasmo à nova campanha de doutrinação foram os sindicatos espanhóis, que se têm dedicado a produzir materiais "didácticos". Não admira: isso dá trabalho a uns quantos amigalhaços "especialistas" em "cidadania" e, dada a obrigatoriedade da matéria, deve render milhões.

No manual Mi Escuela y el Mundo, solidaridad, educación en valores y ciudadanía, editado pela UGT (secção Ensino) e destinado a crianças dos 6 aos 11 anos, pode ler-se:

En África conviven distintas religiones como el Islam -una religión de paz- y el Animismo. En cada rincón de África, en las ciudades, la selva o el desierto hay escuelas para los niños y las niñas.
Los europeos quisieron hacerse con estos tesoros (oro, marfil…). ¡Y no se les ocurrió nada mejor que robarlos y hacer prisioneras a las personas, convirtiéndolas en esclavos y llevándoselas a Europa y América!
Europa no es más que una península de Asia.
(Sobre a história da América do Sul:) cuando llegaron los españoles… les sorprendió todo lo que los indios sabían de astronomía, matemáticas… pero no iban en son de paz… y como estos pueblos, a los que llamaban indios, no tenían armas de fuego para defenderse, fueron derrotados por unos seres extraños, blancos y barbudos, que llegaron de lejos, atravesando los mares… Cierra los ojos… ¿Lo imaginas?


Não há referências ao cristianismo. Ressalta a visão negativa dos europeus e enaltecem-se a África e a América antes da chegada destes. O livro desenrola o seu argumento na forma de uma viagem de um grupo de jovens à volta do mundo. No regresso, encontram um barco pirata cuja bandeira arco-íris é oportunidade para uma promoçãozita velada do lobby gay admitido por esta neo-ortodoxia.

Parecem confusas as cabeças que escrevem estas coisas? Talvez, mas os seus objectivos são claríssimos.

quinta-feira, outubro 23

Sarah e a roupa


Leu-se hoje por aí um grande alarido por causa do que a candidata Sarah Palin tem gasto em guarda-roupa para a campanha.

Os ascéticos e zelosos beatos que assim se indignam devem estar convencidos de que o Obama e a Hillary vestem nas lojecas de moda da Avenida da Igreja, em Alvalade, e que aguentam a semana inteira sem mudar de fato. Invejosos, mas numa coisa poderão ter razão: sendo a Palin bonita e boa como o milho, 150 000 dólares é um desperdício -- qualquer trapinho da feira de Carcavelos lhe ficava bem.


quarta-feira, outubro 22

O caleidoscópio da realidade

Isto é o que se lia no dia 12:

Stefan Petzner foi designado sucessor de Jorg Haider na liderança do partido populista austríaco BZO. Com apenas 27 anos, Petzner era o porta-voz e considerado como filho adoptivo de Haider e desde 2006 que ocupava o cargo de vice-secretário-geral do partido. O líder histórico da extrema direita, morreu este fim de semana num acidente de viação, quando circulava numa estrada secundária a mais de 140 quilómetros por hora.


Hoje sabemos que Petzner era amante de Haider, e que a esposa deste estava perfeitamente ao corrente, embora tivesse ciúmes de que o marido passasse mais tempo com o delfim do que com ela. É a própria irmã de Petzner que acusa a senhora Haider de nem sempre ser muito compreensiva. Ver-se-á o que fica da imagem do pai de família, com dois filhos, junto do seu eleitorado, mas as perspectivas de Petzner não devem ser agora muito animadoras.

Por outro lado, neste artigo de Gerhard Wisnewski, um ex-guarda costas de Heider lança dúvidas sobre as circunstâncias do acidente, dado que Heider bebia raramente e com moderação, e chama a atenção para um estranho buraco no tecto do carro após o desastre, precisamente acima do lugar do condutor. Segundo este guarda-costas, a polícia terá fechado a investigação cedo demais.

Caso encerrado?



Há cerca de um mês, revelações de Morton Sobell vieram trazer nova luz sobre o controverso caso dos Rosenberg, executados em 1953 em Sing-Sing. Sobell foi réu no mesmo processo e condenado a 30 anos de cadeia dos quais cumpriu 18. Aos 91 anos, acabou por confessar que ele e Julius Rosenberg espiavam para os soviéticos.
A versão popularizada dos trágicos acontecimentos aponta para uma condenação por motivos ideológicos no ambiente de perseguição aos comunistas, nos anos cinquenta na América. Sabe-se agora que não era bem assim. É claro que a condenação ao sinistro grelhador de Brown e Edison terá sempre o poder de nos repugnar. E a sentença de Ethel continua a parecer baseada em provas debilíssimas, sabendo-se que falsos testemunhos da cunhada e do irmão, David (arregimentado por Julius para os trabalhos de espionagem) contribuiram para a incriminar. Uma história sem heróis.

terça-feira, outubro 21

Para o bem do coração





Depois de descobertos os benefícios do vinho tinto, um novo estudo científico vem revelar os benefícios do Staying alive dos Bee Gees(1977) para o coração - neste caso para funções de reanimação. É tempo de os serviços nacionais de saúde comparticiparem a venda de kits domésticos com o cd. E, já agora, quanto teremos de esperar até se poder comprar nas farmácias um Quinta do Carmo por menos de 5 euros (com receita médica, claro)?