A FNE ataca o estatuto da carreira docente por prever uma prova de acesso à profissão e por dividir os professores em duas categorias. Para os dirigentes da FNE tudo isto é inútil e incompreensível. Queixam-se também do excesso de burocracia e papelada e das reuniões inúteis que o processo de avaliação envolve. Em face do modelo de avaliação imposto, estão cheios de razão neste ponto. Mas esquecem que a visão idílica de que todos os professores (e, já agora, todos os alunos) valem o mesmo foi longamente instilada em décadas de doutrinação burocrática de que sindicatos ou associações de professores nunca se demarcaram, antes nela colaborando.* Na verdade, para que outra coisa serviu o cinzentismo do eduquês senão para menorizar a importância dos conteúdos e disfarçar a existência de diferentes níveis de qualidade? Foi para isso que "especialistas" transformaram o ensino numa monstruosidade burocrática apoiada num linguajar pseudo-técnico, roubado à vulgata da psicologia e da gestão de empresas. Durante muitos anos ninguém se riu dessa linguagem ou das exóticas grelhas com ela construídas, antes a adoptaram como sua. O feitiço vira-se contra o feiticeiro quando os que durante anos e anos se especializaram nos relatórios feitos a copy-paste com o bem conhecido palavreado do ensino-aprendizagem, das atitudes e das competências (por vezes promovidos a dissertações de mestrado ou doutoramento!) vêem o mesmo arsenal a cair-lhes em cima sob a forma de tortura avaliativa.
*Exemplo: entre outras preciosidades, podemos encontrar no site da FNE o anúncio de um curso de verão em 2008 que propõe (per)cursos de debate e análise de algumas problemáticas relevantes no campo da educação e em particular, no que respeita à avaliação, tem como objectivos
* Identificar e caracterizar diferentes concepções e modelos de avaliação institucional;
* Distinguir distintas “lógicas e racionalidades” subsumidas nos diferentes dispositivos de avaliação institucional;
* Capacitar para a produção e utilização mais informada de dispositivos de (auto) avaliação institucional;
* Desenvolver um espírito crítico e reflexivo em torno das várias agendas e agentes da avaliação institucional.
Fascinante, não? Fica-se a lamentar não se ter podido assistir.
domingo, outubro 5
Escritas
Frase de apresentação de um artigo da PÚBLICA de hoje:
Se pudessem casar com pessoas do mesmo sexo, [fulano] e [fulana] fariam-no.
Completamente de acordo. Acho que escrever fá-lo-iam não passa de uma paneleirice.
Se pudessem casar com pessoas do mesmo sexo, [fulano] e [fulana] fariam-no.
Completamente de acordo. Acho que escrever fá-lo-iam não passa de uma paneleirice.
sábado, outubro 4
Always true to you, darling in my fashion
Certas músicas valem mais a pena que muitos textos. É o caso desta interpretação exhilarating (não há adjectivo adequado em português) de uma obra prima que faz parte da caixa de joias de Cole Porter. O delírio começa aos 2 minutos e 15. A arte é de Nancy Anderson.
segunda-feira, setembro 8
Os glaciares dos Pirinéus e o que se aprende com eles
Cientistas das Universidades de Cantábria, Madrid e Valladolid advertem que os últimos gelos dos Pirinéus vão derreter por volta de 2050. Está dito nesta notícia, onde se afirma que esta é uma prova de que estamos a atravessar um período de "aquecimento global". A mesma notícia diz que os gelos de Espanha começaram a desaparecer no final no século XIX e que foram formados a partir do século XIV, durante uma mini-idade-do-gelo. A palavra CO2 está ausente do texto.
domingo, setembro 7
Proposta
Proposta para o combate à criminalidade violenta: os autores de assaltos ou ameaças à integridade física de pessoas, com ou sem uso de armas, passam a ser multados no acto. De acordo com a gravidade do mesmo, as multas deverão ser sempres superiores às de estacionamento irregular e devem poder atingir valores bem superiores às que se aplicam ao excesso de velocidade e à condução com álcool. As brigadas policiais de trânsito são reconvertidas em brigadas de controlo da violência e não perdem a motivação da multa (já que a da detenção e a da prisão preventiva estão de rastos). Para multar cidadãos automobilizados basta deslocar mangas de alpaca com pouco que fazer.
segunda-feira, agosto 25
Casamento e divórcio noutro mundo
Um tribunal de Riyadh vai apreciar um pedido de divórcio de uma menina de oito anos, casada com um homem de cinquenta. O casamento foi negociado pelo pai da menina, e o processo de divórcio é da iniciativa da mãe. A mãe acusa o pai de nem ter dito nada à criança (senhora?), que está no 4º ano de escola e ignora que já é casada.
domingo, agosto 24
Insensibilidades
Francisco Louçã acusa o Presidente da República de "insensibilidade" na questão do divórcio, recordando que não há casamento unilateral. Aproveita para pedir ao estado que não se meta no que não é do estado e da lei - curiosa reivindicação de quem quer o bedelho do estado metido em tudo, e que muito em breve veremos a defender a institucionalização do casamento homossexual.
Não sei se no caso do divórcio quem tem razão é o Presidente ou o Francisco, mas a posição deste parece-me pouco sólida. O Bloco gosta de aparecer como defensor dos mais fracos e pobres mas a máscara cai-lhe com extrema facilidade: nas situações de criminalidade nunca se identifica com as vítimas, exceptuando os casos em que elas não são olhadas como pessoas, mas sim como elementos de "grupos marginalizados". O Bloco pretende desempenhar o papel de quem, por via da intervenção estatal, quer garantir a felicidade dos cidadãos. Ora, no caso presente, está a preocupar-se objectivamente com o elemento mais leviano do casal, podendo transformar o divórcio num fácil repúdio. Para ser coerente, o Bloco deve apresentar uma emenda à lei: nos casos de repúdio à vista, o estado deve promover desde já a constituição de um banco de suplentes, a fim de garantir ao cônjuge abandonado a substituição provisória do cônjuge anterior. Uma espécie de subsídio de desemprego emocional com prazo fixo, tudo bem monitorizado e verificado por assistentes sociais especializados. Há os pobres de dinheiro e os pobres de amor, e não é evidente quais deles sofrem mais. A "insensibilidade" também não falta ao Francisco.
Não sei se no caso do divórcio quem tem razão é o Presidente ou o Francisco, mas a posição deste parece-me pouco sólida. O Bloco gosta de aparecer como defensor dos mais fracos e pobres mas a máscara cai-lhe com extrema facilidade: nas situações de criminalidade nunca se identifica com as vítimas, exceptuando os casos em que elas não são olhadas como pessoas, mas sim como elementos de "grupos marginalizados". O Bloco pretende desempenhar o papel de quem, por via da intervenção estatal, quer garantir a felicidade dos cidadãos. Ora, no caso presente, está a preocupar-se objectivamente com o elemento mais leviano do casal, podendo transformar o divórcio num fácil repúdio. Para ser coerente, o Bloco deve apresentar uma emenda à lei: nos casos de repúdio à vista, o estado deve promover desde já a constituição de um banco de suplentes, a fim de garantir ao cônjuge abandonado a substituição provisória do cônjuge anterior. Uma espécie de subsídio de desemprego emocional com prazo fixo, tudo bem monitorizado e verificado por assistentes sociais especializados. Há os pobres de dinheiro e os pobres de amor, e não é evidente quais deles sofrem mais. A "insensibilidade" também não falta ao Francisco.
sábado, agosto 23
Três nomes numa lista
RISO/DOMENICO (CHD): operador de bordo da Air France, italiano, natural de Isola (Sicilia). Acompanhado de uma criança.
CHARILAS/PIERRICK: especialista em ginástica aeróbica, francês residente em Paris.
CHARILAS/ETHAN: o filho de quatro anos de Pierrick.
Os nomes fazem parte da lista de passageiros divulgada pela Spanair após o desastre do voo JK5022.
A viagem de férias para a Gran Canária terminou com a morte à saída da pista 36 de Barajas. A história surgiu com destaque nos principais jornais italianos de ontem: Domenico e Pierrick viviam juntos em Paris e o menino que viajava ao lado de Domenico era Ethan. O bilhete de Domenico fora obtido com tarifa mais favorável por incluir uma criança e por se tratar de um funcionário de outra companhia aérea. Foi um primo (e homónimo) de Domenico, que conhecia a situação do par, quem deu a informação aos jornais. A imprensa (Stampa, Repubblica, Corriere) tratou o caso com graus diversos de discreção e pudor: relativamente a Domenico, Pierrick é descrito como "um caro amigo", ou "companheiro", e por vezes o trio é descrito como uma família (com aspas). As televisões parecem não ter dado pormenores.
A mãe de Ethan confirma que o filho teve a sua curta infância muito feliz. No fundo, uma história normal.
A militância gay não gostou, claro. O Arcigay e vários blogs da órbita do pensamento único vieram com toda a pressa falar de homofobia, censura e hipocrisia.
Se alguém actua sem pudor é este tipo de activistas que não hesitam em utilizar uma tragédia para se fazerem ouvir, sempre prontos a assumir supostas causas de quem tem, simplesmente, vidas. Ninguém cuidou de saber, por exemplo, se Domenico e Pierrick gostariam de ver a sua situação exposta aos familiares e ao grande público. Além disso, também não se preocuparam com o facto de os meios de comunicação não terem investigado as relações de parentesco e orientações sexuais dos restantes 150 falecidos. Dizem não querer ser discriminados mas reivindicam discriminação sem respeito pelas pessoas.
CHARILAS/PIERRICK: especialista em ginástica aeróbica, francês residente em Paris.
CHARILAS/ETHAN: o filho de quatro anos de Pierrick.
Os nomes fazem parte da lista de passageiros divulgada pela Spanair após o desastre do voo JK5022.
A viagem de férias para a Gran Canária terminou com a morte à saída da pista 36 de Barajas. A história surgiu com destaque nos principais jornais italianos de ontem: Domenico e Pierrick viviam juntos em Paris e o menino que viajava ao lado de Domenico era Ethan. O bilhete de Domenico fora obtido com tarifa mais favorável por incluir uma criança e por se tratar de um funcionário de outra companhia aérea. Foi um primo (e homónimo) de Domenico, que conhecia a situação do par, quem deu a informação aos jornais. A imprensa (Stampa, Repubblica, Corriere) tratou o caso com graus diversos de discreção e pudor: relativamente a Domenico, Pierrick é descrito como "um caro amigo", ou "companheiro", e por vezes o trio é descrito como uma família (com aspas). As televisões parecem não ter dado pormenores.
A mãe de Ethan confirma que o filho teve a sua curta infância muito feliz. No fundo, uma história normal.
A militância gay não gostou, claro. O Arcigay e vários blogs da órbita do pensamento único vieram com toda a pressa falar de homofobia, censura e hipocrisia.
Se alguém actua sem pudor é este tipo de activistas que não hesitam em utilizar uma tragédia para se fazerem ouvir, sempre prontos a assumir supostas causas de quem tem, simplesmente, vidas. Ninguém cuidou de saber, por exemplo, se Domenico e Pierrick gostariam de ver a sua situação exposta aos familiares e ao grande público. Além disso, também não se preocuparam com o facto de os meios de comunicação não terem investigado as relações de parentesco e orientações sexuais dos restantes 150 falecidos. Dizem não querer ser discriminados mas reivindicam discriminação sem respeito pelas pessoas.
quarta-feira, agosto 20
Aniversários, transplantes e uma Santa Aliança
O Grande Mufti da Arábia Saudita acaba de desmentir o estudioso Salman Al-Oadah, que teve a ousadia de emitir uma fatwa autorizando a celebração de aniversários e datas de casamento. Salman não vê nisso nada de contrário ao Islão.
O Mufti relembra que para os muçulmanos há apenas duas datas a celebrar, o Eid Al-Fitr, fim do Ramadão, e o Eid Al-Adha, também com significado religioso. Para além disso há ainda o culto de sexta-feira a que todos têm direito, e basta. Outros estudiosos de alto estatuto vieram apoiar este ponto de vista, sustentando que celebrar casamentos e aniversários poderia ser considerado uma imitação de práticas associadas a outras religiões. Ora o Profeta, a paz seja com ele, ensinou que isso é um erro. Os muçulmanos não podem assumir comportamentos típicos dos infiéis. Isso afectaria a sua identidade própria.
Estas directivas, que à primeira vista estão no âmbito do absurdo, são um exemplo do que une o islão radical e a esquerda de cariz socialista: a utopia de retirar aos indivíduos a sua identidade como pessoas para a substituir por um figurino ideologicamente imposto.
Por outro lado, ainda ontem se soube que a ordem dos médicos do Egipto, dominada pela Irmandade Muçulmana, se opõe a transplantes entre muçulmanos e coptas. E, tendo em conta estes preceitos sobre as condições em que a doação de órgãos é admissível, é caso para perguntar que confiança se pode ter num médico muçulmano.
Entretanto, o governo de Espanha tem novas regras para a promoção na carreira militar: os candidatos devem fazer um curso que inclui as bases teóricas da Aliança de Civilizações e políticas de igualdade de género. Mas sobre o que a dita Aliança terá ou não a dizer sobre casos como os descritos nunca ninguém fala. Caberá na agenda de Zapatero e Sampaio (tão ciosos da sua laicidade) alguma iniciativa discordante dos ensinamentos destes religiosos inclassificáveis?
O Mufti relembra que para os muçulmanos há apenas duas datas a celebrar, o Eid Al-Fitr, fim do Ramadão, e o Eid Al-Adha, também com significado religioso. Para além disso há ainda o culto de sexta-feira a que todos têm direito, e basta. Outros estudiosos de alto estatuto vieram apoiar este ponto de vista, sustentando que celebrar casamentos e aniversários poderia ser considerado uma imitação de práticas associadas a outras religiões. Ora o Profeta, a paz seja com ele, ensinou que isso é um erro. Os muçulmanos não podem assumir comportamentos típicos dos infiéis. Isso afectaria a sua identidade própria.
Estas directivas, que à primeira vista estão no âmbito do absurdo, são um exemplo do que une o islão radical e a esquerda de cariz socialista: a utopia de retirar aos indivíduos a sua identidade como pessoas para a substituir por um figurino ideologicamente imposto.
Por outro lado, ainda ontem se soube que a ordem dos médicos do Egipto, dominada pela Irmandade Muçulmana, se opõe a transplantes entre muçulmanos e coptas. E, tendo em conta estes preceitos sobre as condições em que a doação de órgãos é admissível, é caso para perguntar que confiança se pode ter num médico muçulmano.
Entretanto, o governo de Espanha tem novas regras para a promoção na carreira militar: os candidatos devem fazer um curso que inclui as bases teóricas da Aliança de Civilizações e políticas de igualdade de género. Mas sobre o que a dita Aliança terá ou não a dizer sobre casos como os descritos nunca ninguém fala. Caberá na agenda de Zapatero e Sampaio (tão ciosos da sua laicidade) alguma iniciativa discordante dos ensinamentos destes religiosos inclassificáveis?
Convergências
...não sou suficientemente retrógrada para ser contra ligações homossexuais, aceito, são opções de cada um, é um problema de liberdades individuais sobre o qual não me pronuncio. Pronuncio-me, sim, sobre tentar-se atribuir o mesmo estatuto àquilo que é uma relação de duas pessoas do mesmo sexo, igualmente ao estatuto de pessoas de sexo oposto... (Manuela Ferreira Leite)
The reason that people believe there needs to be a constitutional amendment, some people believe, is because, uh, of the concern that, uh, uh, about same-sex marriage. I'm not somebody who's [sic] promotes same-sec [sic] marriage, but I do believe in civil unions. I do believe that we should not, um, that that for a gay partners [sic] to want to visit each other in the hospital, for the state to say, you know what, that's all right, I don't think in any way inhibits my core beliefs about what marriage are [sic]. (Barak Obama) (Via Althouse)
The reason that people believe there needs to be a constitutional amendment, some people believe, is because, uh, of the concern that, uh, uh, about same-sex marriage. I'm not somebody who's [sic] promotes same-sec [sic] marriage, but I do believe in civil unions. I do believe that we should not, um, that that for a gay partners [sic] to want to visit each other in the hospital, for the state to say, you know what, that's all right, I don't think in any way inhibits my core beliefs about what marriage are [sic]. (Barak Obama) (Via Althouse)
domingo, agosto 17
A polícia em sua casa
Verifique aqui a taxa de criminalidade dentro das paredes da sua casa e aprecie como o sistema de ensino gosta de empacotar coisas na cabeça das criancinhas, desde que não sejam verbos complicados e cálculos com fracções.
(via EU Referendum)
O fabrico do prestígio
A nomeação de Ali Kordan como ministro do interior do governo iraniano está a embaraçar o presidente Ahmadinejad. A história vem contada no Guardian: Membros do parlamento insinuaram que o homem não tinha qualificação para o cargo, ao que Kordan respondeu com um certificado de licenciatura em Direito pela Universidade de Oxford. Começou a correr nos media que o certificado correspondia apenas a um curso de nível médio, e Kordan seguiu em frente, apresentando um certificado de doutoramento honoris causa em Direito por Oxford. O bocado de papel tinha a assinatura de três professores da instituição. Mas os críticos do presidente não descansaram e remeteram o documento à Universidade, que negou não só a sua validade mas também que Kordan ali tivesse adquirido algum grau académico. A Universidade declarou ainda que os três professores cuja assinatura figura no pretenso certificado não só não assinam certificados como não são da área de Direito.
Ahmadinejad defende o nomeado dizendo que não se deve censurar um homem por causa de um bocado de papel. O presidente anda um pouco distraído: para não perder popularidade entre os seus admiradores entre nós, devia dar uma boa lição a Kordan por tentar ganhar prestígio à custa de uma universidade do corrupto e decadente mundo ocidental.
Ahmadinejad defende o nomeado dizendo que não se deve censurar um homem por causa de um bocado de papel. O presidente anda um pouco distraído: para não perder popularidade entre os seus admiradores entre nós, devia dar uma boa lição a Kordan por tentar ganhar prestígio à custa de uma universidade do corrupto e decadente mundo ocidental.
terça-feira, agosto 12
O fascinante silêncio
Nos poucos dias da guerra que envolve a Rússia e a Geórgia, os mortos civis já se contam aos mihares e os refugiados às dezenas de milhares. Os profissionais do "não à guerra" não se têm feito ouvir muito, em contraste com as múltiplas acções contra a guerra no Iraque. Não é, com certeza, por terem menos pena destes civis do que dos civis iraquianos: porque na verdade não têm pena de civis nenhuns. O problema é que no actual conflito escolher campos é entrar num terreno perigoso e escorregadio. Não é tão evidente quem são os maus, e mesmo os contributos teóricos da esquerda para culpar directamente a admnistração americana apenas surgem em franjas lunáticas. Os sectores de "esquerda" fazem, por um lado, uma velada defesa dos "interesses da Rússia", embora a censurem pelo que fez na Tchetchénia. (Não há contradição: a esquerda tem o papel de idiota útil numa aliança táctica com o islamismo radical.) De qualquer maneira, este post mostra que a reacção a esta guerra é muito menos agressiva do que foi em relação à outra: tudo parece reduzir-se a uma pacífica discussão filosófica sobre coerências (onde não falta a de Bush, bem entendido). Da coerência dos que neste caso reagem tão diferentemente é que não se fala.
segunda-feira, agosto 11
domingo, agosto 10
Massagens
As massagens estão agora também proibidas em praias italianas. A directiva é central, vem de uma sub-secretária de estado. Os argumentos são mais sofisticados do que aquele do "sabe-se como começa mas não como acaba":
Não percebo porque se há-de tolerar a presença de pessoas que abusam da credulidade dos outros. Nem compreendo como as pessoas aceitam que desconhecidos lhes ponham as mãos em cima. Além disso massagens mal feitas arriscam-se a causar problemas sérios, sobretudo na cervical. Um fenómeno deplorável.
Tudo isto parece óbvio, e a primeira frase poderia ser aplicada a uma grande variedade de situações, desde o crédito bancário às promessas dos Scolaris, passando de raspão pelo professor Bambo, pela Maya e pela produção teórica das ciências da educação. Infelizmente, a credulidade dá sentido à vida para uma imensa maioria, assim como o toque por desconhecidos pode bem ressuscitar excitações moribundas.
Se acabarem com elas nas praias, hão-de ressurgir noutra forma ou noutro lugar.
Não percebo porque se há-de tolerar a presença de pessoas que abusam da credulidade dos outros. Nem compreendo como as pessoas aceitam que desconhecidos lhes ponham as mãos em cima. Além disso massagens mal feitas arriscam-se a causar problemas sérios, sobretudo na cervical. Um fenómeno deplorável.
Tudo isto parece óbvio, e a primeira frase poderia ser aplicada a uma grande variedade de situações, desde o crédito bancário às promessas dos Scolaris, passando de raspão pelo professor Bambo, pela Maya e pela produção teórica das ciências da educação. Infelizmente, a credulidade dá sentido à vida para uma imensa maioria, assim como o toque por desconhecidos pode bem ressuscitar excitações moribundas.
Se acabarem com elas nas praias, hão-de ressurgir noutra forma ou noutro lugar.
sexta-feira, agosto 8
Teoria ideológica da sôdade
Como disse um dos meus interlocutores, Fernando: ‘Aqui em Bubaque, na Guiné, temos um atraso de séculos em relação à Europa.'
A este propósito é importante não desvalorizar esta visão da realidade contemporânea definindo-a como ideológica e imputando-a portanto ‘simplesmente’ à imposição violenta de uma ordem interpretativa por parte dos sistemas de regulação dos tráfegos económicos/culturais do capitalismo avançado. O discurso da modernidade e da civilização representa claramente uma herança da ideologia colonial, que chega aos jovens mediada (e certamente pouco transformada) mediante as ideias de progresso e desenvolvimento que plasmaram e continuam a plasmar não só as políticas dos estados africanos no período pós-independência, mas até o tom das relações internacionais entre o Eurocentro e o resto do planeta.
(...)
A marginalização da África por parte do colonialismo e do capitalismo ocidental não é só um problema de representação, mas também e sobretudo de estratégias concretas políticas e económicas.
(...)
A Europa torna-se, através da junção de fragmentos de representações, o lugar ideal para onde "ir formar-se para poder desenvolver-se", a oportunidade de participar na "cultura da modernidade".
(...)
As palavras dos meus interlocutores mostram claramente um alto nível de consciência e atitude crítica face às estratégias marginalizantes inegavelmente presentes na Europa. Além disso, a cultura juvenil urbana dos emigrantes ou seus filhos em Portugal indicia um aumento gradual de caminhos alternativos, reivindicando (por vezes criando) uma especificidade cultural "africana" em oposição aos centros do capitalismo europeu. O poder e a superioridade do "centro" é posto continuamente em causa por forças que se movem em direcção contrária, e neste movimento encontra lugar uma nova interpretação do sentimento de saudade, do desejo de retorno ao país de origem (...) A saudade representa uma manifestação de falência da ordem dominante, enquanto sintoma de um laço imprescindível com o contexto de origem (...) que se manifesta frente à progressiva substituição dos fantasmas do ocidente pelo quotidiano de Lisboa, pelo "cansaço da Europa".
A este propósito é importante não desvalorizar esta visão da realidade contemporânea definindo-a como ideológica e imputando-a portanto ‘simplesmente’ à imposição violenta de uma ordem interpretativa por parte dos sistemas de regulação dos tráfegos económicos/culturais do capitalismo avançado. O discurso da modernidade e da civilização representa claramente uma herança da ideologia colonial, que chega aos jovens mediada (e certamente pouco transformada) mediante as ideias de progresso e desenvolvimento que plasmaram e continuam a plasmar não só as políticas dos estados africanos no período pós-independência, mas até o tom das relações internacionais entre o Eurocentro e o resto do planeta.
(...)
A marginalização da África por parte do colonialismo e do capitalismo ocidental não é só um problema de representação, mas também e sobretudo de estratégias concretas políticas e económicas.
(...)
A Europa torna-se, através da junção de fragmentos de representações, o lugar ideal para onde "ir formar-se para poder desenvolver-se", a oportunidade de participar na "cultura da modernidade".
(...)
As palavras dos meus interlocutores mostram claramente um alto nível de consciência e atitude crítica face às estratégias marginalizantes inegavelmente presentes na Europa. Além disso, a cultura juvenil urbana dos emigrantes ou seus filhos em Portugal indicia um aumento gradual de caminhos alternativos, reivindicando (por vezes criando) uma especificidade cultural "africana" em oposição aos centros do capitalismo europeu. O poder e a superioridade do "centro" é posto continuamente em causa por forças que se movem em direcção contrária, e neste movimento encontra lugar uma nova interpretação do sentimento de saudade, do desejo de retorno ao país de origem (...) A saudade representa uma manifestação de falência da ordem dominante, enquanto sintoma de um laço imprescindível com o contexto de origem (...) que se manifesta frente à progressiva substituição dos fantasmas do ocidente pelo quotidiano de Lisboa, pelo "cansaço da Europa".
Não ficaria deslocado, a não ser talvez pela erudição da escrita, como fragmento de um debate neste acampamento, ou pelo menos como pré-requisito teórico. Mas trata-se de algo muito diferente (ou não?). São fragmentos de um artigo de Lorenzo Bordonaro, bolseiro da Fundação para a Ciência e a Tecnologia no ISCTE e docente do módulo "Cultura transnacional" no curso de verão de Antropologia organizado por este instituto em 2008.
Finalmente, a explicação
O Al-Salam é um jornal alemão de distribuição gratuita e destinado à população árabe. Define-se como portador de uma mensagem de integração.
De acordo com notícias de há dois dias, o jornal acaba de publicar um artigo em que se explica que a homossexualidade é não apenas um pecado que ofende Deus, mas uma doença causada por uma bactéria carnívora que se transmite por contacto. Por esse motivo, não se deve apertar a mão a um homossexual. O artigo termina recordando que de acordo com os ensinamentos do Profeta os homossexuais devem ser mortos. O texto é acompanhado com fotos de dermatoses ilustrativas do perigo que a homossexualidade representa.
Trata-se, sem dúvida, de mais uma importante contribuição da sabedoria muçulmana para a compreensão do mundo.
E, com certeza por respeito à ciência, muitos responsáveis progressistas hesitam já sobre quem vão continuar a apoiar: se os árabo-imigrante-coitadinhos ou os gay-lésbico-coitadinhos. Na dúvida, suspeito que irão ter o cuidado de não ofender ninguém, mas sobretudo os que já se sabe que não toleram ser irritados.
(Via Nueva Europa)
Actualização: vem bem a propósito este artigo de Bruce Bawer no Pajamas Media. Enquanto uma Europa dormente se entretém com o casamento gay e outras fracturâncias, na Noruega já se debate a pena de morte para os homossexuais. Senaid Kobilica, presidente do Conselho Islâmico, dizendo nem sim nem não, ainda não se pronunciou definitivamente: aguarda o parecer do Conselho Europeu para a Fatwa. Kobilica, além de ser secretário de um sindicato, está ligado a uma das mais influentes organizações dentro do Partido Trabalhista (no poder) e não há conhecimento de alguém lá dentro se ter escandalizado com a indefinição de Kobilica sobre a questão. Pelo contrário, tentam justificá-lo pela sua condição de "muçulmano norueguês". Naturalmente, o parecer vai ser suficientemente ambíguo para não causar sobressaltos. Para já, claro: Kobilica representa agora umas dezenas de milhar de muçulmanos na Noruega, mas quando este número tiver mais uns zeros a conversa poderá bem ser outra.
De acordo com notícias de há dois dias, o jornal acaba de publicar um artigo em que se explica que a homossexualidade é não apenas um pecado que ofende Deus, mas uma doença causada por uma bactéria carnívora que se transmite por contacto. Por esse motivo, não se deve apertar a mão a um homossexual. O artigo termina recordando que de acordo com os ensinamentos do Profeta os homossexuais devem ser mortos. O texto é acompanhado com fotos de dermatoses ilustrativas do perigo que a homossexualidade representa.
Trata-se, sem dúvida, de mais uma importante contribuição da sabedoria muçulmana para a compreensão do mundo.
E, com certeza por respeito à ciência, muitos responsáveis progressistas hesitam já sobre quem vão continuar a apoiar: se os árabo-imigrante-coitadinhos ou os gay-lésbico-coitadinhos. Na dúvida, suspeito que irão ter o cuidado de não ofender ninguém, mas sobretudo os que já se sabe que não toleram ser irritados.
(Via Nueva Europa)
Actualização: vem bem a propósito este artigo de Bruce Bawer no Pajamas Media. Enquanto uma Europa dormente se entretém com o casamento gay e outras fracturâncias, na Noruega já se debate a pena de morte para os homossexuais. Senaid Kobilica, presidente do Conselho Islâmico, dizendo nem sim nem não, ainda não se pronunciou definitivamente: aguarda o parecer do Conselho Europeu para a Fatwa. Kobilica, além de ser secretário de um sindicato, está ligado a uma das mais influentes organizações dentro do Partido Trabalhista (no poder) e não há conhecimento de alguém lá dentro se ter escandalizado com a indefinição de Kobilica sobre a questão. Pelo contrário, tentam justificá-lo pela sua condição de "muçulmano norueguês". Naturalmente, o parecer vai ser suficientemente ambíguo para não causar sobressaltos. Para já, claro: Kobilica representa agora umas dezenas de milhar de muçulmanos na Noruega, mas quando este número tiver mais uns zeros a conversa poderá bem ser outra.
quarta-feira, julho 30
Dia de mentiras
Os sites da internet e os jornais têm que estar cheios de mentiras.
Na era da Aliança de Civilizações de Zapatero e Sampaio, querem-nos impingir que dezasseis iranianos convertidos ao cristianismo tenham sido espancados e presos, ainda por cima numa altura em que o parlamento discute se o abandono do Islão vai ou não ser punido com a pena de morte. Pode lá ser!
Mais: como é que depois da grande conferência saudita de Madrid, acolhida no país cujo governo legalizou os casamentos de homossexuais, um professor de química seja condenado a 600 (seiscentas) chicotadas por manter uma relação virtual com uma aluna por telemóvel ? E a polícia saudita se dê ao trabalho de prender 55 pessoas numa festa gay? Estão a gozar com o leitor.
E como é que, depois de estar implantado no terreno o plano nacional da matemática, depois do nítido efeito comprovado de três mágicos factores, se pode chegar a estes resultados no exame da 2ª fase?
A mim não me enganam.
Na era da Aliança de Civilizações de Zapatero e Sampaio, querem-nos impingir que dezasseis iranianos convertidos ao cristianismo tenham sido espancados e presos, ainda por cima numa altura em que o parlamento discute se o abandono do Islão vai ou não ser punido com a pena de morte. Pode lá ser!
Mais: como é que depois da grande conferência saudita de Madrid, acolhida no país cujo governo legalizou os casamentos de homossexuais, um professor de química seja condenado a 600 (seiscentas) chicotadas por manter uma relação virtual com uma aluna por telemóvel ? E a polícia saudita se dê ao trabalho de prender 55 pessoas numa festa gay? Estão a gozar com o leitor.
E como é que, depois de estar implantado no terreno o plano nacional da matemática, depois do nítido efeito comprovado de três mágicos factores, se pode chegar a estes resultados no exame da 2ª fase?
A mim não me enganam.
domingo, julho 27
Rapazes, raparigas e matemática: a mentira das meias verdades
"Estudo acaba com o mito de que as raparigas são piores que os rapazes a matemática" é o título de um artigo que surgiu na página 16 do PÚBLICO de ontem. E a primeira frase é triunfal: "O mito acabou." As restantes frases estão dedicadas ao mito de que as raparigas são iguais aos rapazes (no presente caso, em aptidão para a matemática), com base no artigo DIVERSITY: Gender Similarities Characterize Math Performance, de Janet S. Hyde e cinco outras senhoras, publicado na Science há dois dias. Mas, como é bem observado neste post, não passa para os jornais uma parte importante e perturbante da mensagem: tendo sido o estudo baseado nos resultados de testes de matemática comuns, as autoras observam que actualmente as questões a que os estudantes são submetidos têm nível muito básico, raramente ultrapassando o 2 numa escala de dificuldade crescente com níveis de 1 a 4. Para bom entendedor, é como se usássemos os nossos exames de matemática deste ano para estudar as diferenças entre os alunos que fizeram um estudo superficial e os que adquiriram uma compreensão profunda das matérias.
A realidade é um pouco mais complexa e menos fácil de rotular para venda num jornal. Observando o que se passa a um nível de maior selectividade, como é o caso das Olimpíadas de Matemática, os resultados (obtidos por participantes, em função do género) configuram uma verdade muito diferente da que convém aos títulos sensacionais. O post de Lubos Motl sublinha-o com vários exemplos. Chama a atenção também, a propósito, para este outro estudo onde as matérias académicas são listadas pelo índice de adesão dos seus cultores à norma do politicamente correcto.
A realidade é um pouco mais complexa e menos fácil de rotular para venda num jornal. Observando o que se passa a um nível de maior selectividade, como é o caso das Olimpíadas de Matemática, os resultados (obtidos por participantes, em função do género) configuram uma verdade muito diferente da que convém aos títulos sensacionais. O post de Lubos Motl sublinha-o com vários exemplos. Chama a atenção também, a propósito, para este outro estudo onde as matérias académicas são listadas pelo índice de adesão dos seus cultores à norma do politicamente correcto.
quinta-feira, julho 24
Pesadelos: a vida tal como é
O homem trabalha na Areva, empresa do sector da energia nuclear em França. Todos os dias sai com os dois filhos, deixa o de cinco anos na creche e a de três na ama. Às 8.30 estaciona no parque da empresa. Na passada terça feira, ao fim da tarde, ao fazer o caminho de regresso e já depois de recolher o filho, depara com a menina morta no banco de trás. Tinha-se esquecido de a deixar na ama. Fechada no carro, a criança morreu desidratada.
Uma semana antes, também em França, outra criança de dois anos teve morte semelhante.
Um estado puro do horror, sem presença da maldade humana.
Uma semana antes, também em França, outra criança de dois anos teve morte semelhante.
Um estado puro do horror, sem presença da maldade humana.
sábado, julho 19
Os laicos nos seus labirintos
Terminou ontem em Madrid a Conferência sobre o Diálogo promovida pelo rei da Arábia Saudita, guardião das duas sagradas mesquitas, com o acolhimento do rei Juan Carlos e de Zapatero. Participaram o secretário geral da Liga do Mundo Islâmico, o presidente do Pontificio Conselho para o Diálogo Interreligioso e Jorge Sampaio, Alto Representante da Aliança de Civilizações. Na declaração final, os participantes afirmam que a diversidade de culturas e civilizações é um sinal de Deus e causa de avanço e prosperidade; que as mensagens divinas têm por objecto a obediência ao Criador e atingir a felicidade, e espalhar a virtude através da sabedoria e rejeitando o terrorismo. Acreditam no significado da religião e dos valores morais e na necessidade de preservar a instituição familiar e proteger a sociedade de comportamentos desviantes. Foi decidido criar uma comissão para investigar porque é que o diálogo não conduz aos resultados desejados e recomendada a cooperação entre organizações religiosas, educacionais e dos media para lutar contra a promiscuidade sexual e outros vícios.
São boas notícias. Estamos de certeza à beira de assistir à conversão de Zapatero e Sampaio e, com a ajuda preciosa da estimável democracia saudita, acabar com o ocidental deboche. Bem... nem tudo foi perfeito. Como não foi permitida a participação de mulheres, das quais nem se falou, Zapatero teve desta vez que meter no saco a sua ministra da Igualdade, e na mesma semana despachou o secretário de estado Zerolo para Portugal, o qual se dedicou a ensinar a Juventude Socialista a mostrar-se interessada no casamento guei. Não perdem pela demora... o rei Abdullah e seus anfitriões convertidos tratam-lhes da saúde na primeira oportunidade.
São boas notícias. Estamos de certeza à beira de assistir à conversão de Zapatero e Sampaio e, com a ajuda preciosa da estimável democracia saudita, acabar com o ocidental deboche. Bem... nem tudo foi perfeito. Como não foi permitida a participação de mulheres, das quais nem se falou, Zapatero teve desta vez que meter no saco a sua ministra da Igualdade, e na mesma semana despachou o secretário de estado Zerolo para Portugal, o qual se dedicou a ensinar a Juventude Socialista a mostrar-se interessada no casamento guei. Não perdem pela demora... o rei Abdullah e seus anfitriões convertidos tratam-lhes da saúde na primeira oportunidade.
terça-feira, julho 15
Há calma na Quinta?
O que diz aqui, na verdade, é que a Governadora Civil de Lisboa vai dar tempo a si própria e que continuará calma. Mas o mais interessante do artigo é que nos informa que existe uma Federação das Associações Ciganas de Portugal, um Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos e um programa Escolhas, todos envolvendo habitantes da Quinta. O artigo revela também a existência da própria Governadora Civil de Lisboa e anuncia a existência futura do Contrato Local de Segurança (para a Quinta). Ficamos a saber igualmente que já antes disto havia a Estratégia de Segurança para 2008 do Ministério da Administração Interna, graças à qual, certamente, o aumento de insegurança se mantém em níveis que permitem respirar para acalmar.
Diz ali o presidente da Solidariedade Imigrante que há falta de infra-estruturas e apoios sociais. Mas diz também acolá que os acontecimentos da Quinta envolveram técnicos da Segurança Social, vereador da Habitação e Urbanismo da Câmara Municipal de Loures e Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural. O presidente da delegação da Cruz Vermelha também teve uma palavra a dizer.
Começo a pensar que a Quinta não pode ser um bairro desestruturado, como algumas explicações dos recentes acontecimentos pretendem fazer crer. Ou se o é, é pelo excesso de estruturas dentro dele e à sua volta.
Diz ali o presidente da Solidariedade Imigrante que há falta de infra-estruturas e apoios sociais. Mas diz também acolá que os acontecimentos da Quinta envolveram técnicos da Segurança Social, vereador da Habitação e Urbanismo da Câmara Municipal de Loures e Alta Comissária para a Imigração e Diálogo Intercultural. O presidente da delegação da Cruz Vermelha também teve uma palavra a dizer.
Começo a pensar que a Quinta não pode ser um bairro desestruturado, como algumas explicações dos recentes acontecimentos pretendem fazer crer. Ou se o é, é pelo excesso de estruturas dentro dele e à sua volta.
domingo, julho 13
Lisboa: onde comer, segundo o NYT
Ainda bem que há o New York Times, graças ao qual fico a saber que em Portugal nunca se come mal, que Lisboa tem inúmeras casas e edifícios bem conservados, e que na Baiuca se come o melhor "bacalliau a Braz" de Lisboa. Prometo ir ver se é verdade e depois conto.
Há inúmeras outras sugestões no artigo e nestes comentários de leitores do NYT.
Há inúmeras outras sugestões no artigo e nestes comentários de leitores do NYT.
Professor curdo condenado à morte

Condenado à morte em Fevereiro por "ofensas a Deus", Farzad Kamangar viu agora a sua pena confirmada pelo Supremo Tribunal. A execução pode estar iminente. Kamangar, sindicalista e um dos fundadores da união de professores independentes do Kurdistão iraniano, foi condenado juntamente com dois outros curdos, Ali Heydariyan e Farhad Vakilique, que entretanto devem cumprir uma pena de dez anos de prisão antes de serem executados.
sexta-feira, julho 11
A cegueira voluntária
As nossas autoridades são muito curiosas.
Vêm afirmar que há uma melhoria dos resultados em Matemática quando, na verdade, se constata a consequência natural de um exame muito fácil. Contar as filas de um cinema, reconhecer o mínimo múltiplo comum entre 12 e 24, ou calcular volumes de pirâmides num problema com um dado a mais que o reduz à aplicação de uma fórmula dada no enunciado, só podem ser sintomas de melhoria para cegos voluntários.
Vêm dizer que melhorou o panorama da condução nas cidades porque alguns radares registaram menos infracções. Mas, mesmo descontando o facto de haver radares avariados, fingem não perceber que os radares são, para a condução em cidade, o que o "exame fácil" é para os conhecimentos dos alunos. Tal como o exame tem as respostas quase à vista, o radar tem efeitos de redução da velocidade na vizinhança do aparelho e nada mais. Experimente-se descer a avenida de Ceuta e observe-se a variação de velocidade dos carros à nossa frente: nem é preciso ir atento ao sinal para ficarmos a saber onde está o radar.
Vêm afirmar que há uma melhoria dos resultados em Matemática quando, na verdade, se constata a consequência natural de um exame muito fácil. Contar as filas de um cinema, reconhecer o mínimo múltiplo comum entre 12 e 24, ou calcular volumes de pirâmides num problema com um dado a mais que o reduz à aplicação de uma fórmula dada no enunciado, só podem ser sintomas de melhoria para cegos voluntários.
Vêm dizer que melhorou o panorama da condução nas cidades porque alguns radares registaram menos infracções. Mas, mesmo descontando o facto de haver radares avariados, fingem não perceber que os radares são, para a condução em cidade, o que o "exame fácil" é para os conhecimentos dos alunos. Tal como o exame tem as respostas quase à vista, o radar tem efeitos de redução da velocidade na vizinhança do aparelho e nada mais. Experimente-se descer a avenida de Ceuta e observe-se a variação de velocidade dos carros à nossa frente: nem é preciso ir atento ao sinal para ficarmos a saber onde está o radar.
quinta-feira, julho 10
Não há contradições
Parece que a GALP calculou para aí um IVA a 21%, e depois a 20% sobre o mesmo valor, tendo obtido em ambos os casos 20,25 Euros. Deve ser mais um efeito colateral do Plano de Acção para a Matemática, que já se estendeu às maquinetas de calcular da nossa petrolífera.
terça-feira, julho 8
O mistério dos exames
O exame de Matemática do 12º ano foi muito fácil, o de Português não tanto. O assunto é interessante porque parece jogar a favor do Ministério da Educação e do GAVE, fornecendo-lhes um argumento para desmentir os que os acusam de promover o facilitismo. No entanto, mesmo descontando o problema da ambiguidade de uma das questões do exame de Português, olhando para os dois testes fico com uma impressão diferente.
O facto que me parece relevante é que, com o actual figurino dos testes, a avaliação em Matemática tornou-se mais fácil de falsificar. O carácter unívoco das respostas e a sua redutibilidade a um pequeno número de "esquemas" permite, com poucos conhecimentos e apenas um pouco de habilidade, uma dose de sucesso razoável, desde que as questões postas se mantenham num nível bastante elementar. Quando o Ministério diz que está a avaliar estas 21 competências
• Uso correcto do vocabulário específico da Matemática;
• Utilização e interpretação da simbologia da Matemática;
• Utilização de noções de lógica indispensáveis à clarificação de conceitos;
• Domínio correcto do cálculo em R e em C, operando com expressões racionais, irracionais,
exponenciais, logarítmicas e trigonométricas;
• Conhecimento dos conceitos de continuidade, derivadas e limites;
• Desenvolvimento de raciocínios demonstrativos, usando métodos adequados;
• Desenvolvimento de raciocínios demonstrativos, a partir da Axiomática das Probabilidades;
• Resolução de problemas envolvendo cálculo de probabilidades;
• Resolução de problemas de contagem;
• Resolução de problemas no contexto das disciplinas de Matemática, de Físico-Química, de
Economia e de Ciências Naturais;
• Resolução algébrica, numérica e gráfica de equações, inequações e sistemas;
• Selecção de estratégias de resolução de problemas;
• Formulação de hipóteses e previsão de resultados;
• Análise de situações da vida real (em casos simples), usando modelos matemáticos que
permitam a sua interpretação e a sua resolução;
• Interpretação e crítica dos resultados no contexto do problema;
• Interpretação e resolução de problemas, recorrendo a funções e aos seus gráficos, por via
intuitiva ou por via analítica, e usando a calculadora gráfica;
• Aplicação dos conhecimentos de Análise Infinitesimal no estudo de funções reais de
variável real;
• Relacionação de conceitos da Matemática;
• Expressão do mesmo conceito em diferentes formas ou linguagens;
• Apresentação dos textos de forma clara e organizada;
• Comunicação de conceitos, raciocínios e ideias, com clareza e rigor lógico.
está a dar-nos música para os ouvidos. Em contrapartida, enquanto nos exames de Português se valorizar ortografia e sintaxe, não será possível obter uma boa classificação sem um conhecimento mínimo da estrutura da língua. Reduzida a preparação em Matemática a testes-tipo que se podem resolver sem domínio das principais características da disciplina (o rigor, a ampla conexão lógica que torna os factos compreensíveis a partir de outros factos), caberá ao Português o papel de seleccionar quem ainda entende alguma estrutura de alguma coisa.
A acção persistente dos ministérios de educação nas últimas décadas favoreceu a transformação da disciplina de Matemática numa colecção de "unidades" desconexas mas fáceis de "estudar para exame". No futuro próximo, as Universidades terão de seleccionar os alunos de cursos técnicos e científicos pela nota de Português.
O facto que me parece relevante é que, com o actual figurino dos testes, a avaliação em Matemática tornou-se mais fácil de falsificar. O carácter unívoco das respostas e a sua redutibilidade a um pequeno número de "esquemas" permite, com poucos conhecimentos e apenas um pouco de habilidade, uma dose de sucesso razoável, desde que as questões postas se mantenham num nível bastante elementar. Quando o Ministério diz que está a avaliar estas 21 competências
• Uso correcto do vocabulário específico da Matemática;
• Utilização e interpretação da simbologia da Matemática;
• Utilização de noções de lógica indispensáveis à clarificação de conceitos;
• Domínio correcto do cálculo em R e em C, operando com expressões racionais, irracionais,
exponenciais, logarítmicas e trigonométricas;
• Conhecimento dos conceitos de continuidade, derivadas e limites;
• Desenvolvimento de raciocínios demonstrativos, usando métodos adequados;
• Desenvolvimento de raciocínios demonstrativos, a partir da Axiomática das Probabilidades;
• Resolução de problemas envolvendo cálculo de probabilidades;
• Resolução de problemas de contagem;
• Resolução de problemas no contexto das disciplinas de Matemática, de Físico-Química, de
Economia e de Ciências Naturais;
• Resolução algébrica, numérica e gráfica de equações, inequações e sistemas;
• Selecção de estratégias de resolução de problemas;
• Formulação de hipóteses e previsão de resultados;
• Análise de situações da vida real (em casos simples), usando modelos matemáticos que
permitam a sua interpretação e a sua resolução;
• Interpretação e crítica dos resultados no contexto do problema;
• Interpretação e resolução de problemas, recorrendo a funções e aos seus gráficos, por via
intuitiva ou por via analítica, e usando a calculadora gráfica;
• Aplicação dos conhecimentos de Análise Infinitesimal no estudo de funções reais de
variável real;
• Relacionação de conceitos da Matemática;
• Expressão do mesmo conceito em diferentes formas ou linguagens;
• Apresentação dos textos de forma clara e organizada;
• Comunicação de conceitos, raciocínios e ideias, com clareza e rigor lógico.
está a dar-nos música para os ouvidos. Em contrapartida, enquanto nos exames de Português se valorizar ortografia e sintaxe, não será possível obter uma boa classificação sem um conhecimento mínimo da estrutura da língua. Reduzida a preparação em Matemática a testes-tipo que se podem resolver sem domínio das principais características da disciplina (o rigor, a ampla conexão lógica que torna os factos compreensíveis a partir de outros factos), caberá ao Português o papel de seleccionar quem ainda entende alguma estrutura de alguma coisa.
A acção persistente dos ministérios de educação nas últimas décadas favoreceu a transformação da disciplina de Matemática numa colecção de "unidades" desconexas mas fáceis de "estudar para exame". No futuro próximo, as Universidades terão de seleccionar os alunos de cursos técnicos e científicos pela nota de Português.
Curiosidades
Operações de mudança de sexo são financiadas pelos sistemas estatais de saúde no Irão, em Cuba e, bem aqui ao lado, também na Andaluzia e Extremadura.
segunda-feira, julho 7
Ainda a libertação de Ingrid
Depois de a Radio Suisse Romande ter noticiado que um vultuoso resgate seria a justificação para a libertação Ingrid Betancourt, o ministro da defesa colombiano afirma que os 500 mil dólares teriam sido entregues por um intermediário suiço. Ou que, pelo menos, esse senhor tem de explicar por que razão aparece no computador de Reyes, onde está também indicado o local onde o dinheiro estava escondido. A notícia tem hoje destaque na Radio France Internationale. A história não terminou.
(Mais desenvolvimentos aqui)
(Mais desenvolvimentos aqui)
domingo, julho 6
O preconceito guei
Ontem em Madrid, como há uma semana em Lisboa, houve desfiles comemorativos do chamado orgulho guei. O acontecimento madrileno está transformado numa instituição. Para além de grande adesão popular houve presença de ministra e secretário de estado do governo, dirigentes da Izquierda Unida, das Comisiones Obreras e da UGT.
Este ano, por decisão da internacional que gere o movimento, o lema específico foi o da visibilidade lésbica. Além da gratuidade do desígnio (porque não pedir a visibilidade de imensas minorias como a dos sado-masoquistas ou a dos podólatras?) é curioso ver que a "plataforma reivindicativa" apanhou o comboio da laicização tendo sempre como alvo a Igreja Católica. Nem uma palavra sobre o Islão, em crescimento em Espanha, nem sobre as amizades perigosas dos actuais dirigentes políticos. As mulheres podem continuar invisíveis se for por respeito ao véu. É fácil pedir a visibilidade das lésbicas quando se ignoram problemas bem mais sérios e quando o silêncio sobre o que se passa noutros países é total.
Além de tudo isto, sempre tive a impressão de que as lésbicas são visíveis. Uma vez vi duas a comer sardinhas assadas numa esplanada de Belém e os talheres não se suspendiam nem flutuavam no ar, como nos filmes com efeitos especiais.
Calma, calma, nesta última frase não estava a falar a sério, mas também os reivindicadores profissionais que este ano fingiam interessar-se pelas lésbicas não falam a sério nunca. Interessados apenas em garantir apoio dos estados às cúpulas das suas organizações, querem lá saber do efeito devastador que as medidas que propõem poderia ter sobre pessoas cuja defesa pretendem assumir. Pouco lhes interessa que a visibilidade que cada um quer dar de si mesmo pertence à esfera do estritamente pessoal.
As paradas guei podem até ser acontecimentos divertidos, mas estão afectadas por dois aspectos perniciosos: por um lado são cavalgadas por oportunistas políticos, e por outro causam danos aos que não se revêem nos seus auto-denominados defensores e que acabam por ser prejudicados por certa imagem negativa de um colectivo que não existe.
Falam de orgulho mas trata-se de preconceitos em série: de que existe uma "identidade" que cabe na sigla LGBT, de que os indivíduos devem exibir os seus gostos particulares, ainda por cima em matéria de sexo, como quem exibe um autocolante.
A igualdade só se atinge quando não for necessário falar da diferença, quanto mais com espalhafato.
Este ano, por decisão da internacional que gere o movimento, o lema específico foi o da visibilidade lésbica. Além da gratuidade do desígnio (porque não pedir a visibilidade de imensas minorias como a dos sado-masoquistas ou a dos podólatras?) é curioso ver que a "plataforma reivindicativa" apanhou o comboio da laicização tendo sempre como alvo a Igreja Católica. Nem uma palavra sobre o Islão, em crescimento em Espanha, nem sobre as amizades perigosas dos actuais dirigentes políticos. As mulheres podem continuar invisíveis se for por respeito ao véu. É fácil pedir a visibilidade das lésbicas quando se ignoram problemas bem mais sérios e quando o silêncio sobre o que se passa noutros países é total.
Além de tudo isto, sempre tive a impressão de que as lésbicas são visíveis. Uma vez vi duas a comer sardinhas assadas numa esplanada de Belém e os talheres não se suspendiam nem flutuavam no ar, como nos filmes com efeitos especiais.
Calma, calma, nesta última frase não estava a falar a sério, mas também os reivindicadores profissionais que este ano fingiam interessar-se pelas lésbicas não falam a sério nunca. Interessados apenas em garantir apoio dos estados às cúpulas das suas organizações, querem lá saber do efeito devastador que as medidas que propõem poderia ter sobre pessoas cuja defesa pretendem assumir. Pouco lhes interessa que a visibilidade que cada um quer dar de si mesmo pertence à esfera do estritamente pessoal.
As paradas guei podem até ser acontecimentos divertidos, mas estão afectadas por dois aspectos perniciosos: por um lado são cavalgadas por oportunistas políticos, e por outro causam danos aos que não se revêem nos seus auto-denominados defensores e que acabam por ser prejudicados por certa imagem negativa de um colectivo que não existe.
Falam de orgulho mas trata-se de preconceitos em série: de que existe uma "identidade" que cabe na sigla LGBT, de que os indivíduos devem exibir os seus gostos particulares, ainda por cima em matéria de sexo, como quem exibe um autocolante.
A igualdade só se atinge quando não for necessário falar da diferença, quanto mais com espalhafato.
sábado, julho 5
Matemática: média de 12,5 no exame nacional
Por este andar, não deve vir longe o dia em que até a nota mínima acabe por ultrapassar a máxima.
quinta-feira, julho 3
Setas para baixo

Seul Chavez a la capacité d'atteindre les FARC



Ainda não vi a edição do PÚBLICO hoje, mas com certeza a coluna da última página com setas para baixo não deve dar vazão aos candidatos: todos os que acreditaram nas virtudes da negociação e do suborno de terroristas com os cofres cheios de dinheiro da droga.
segunda-feira, junho 30
sábado, junho 28
As palavras e os dias
A ministra espanhola da Igualdade, Bibiana Aído, tem-se notabilizado por deslizes linguísticos (criação do vocábulo "membras"...) e anúncios de iniciativas bizarras (uma linha telefónica para esclarecer homens com propensão para a violência sobre mulheres) .
Na passada quarta feira, porém, Aído fez afirmações perfeitamente razoáveis: que o véu islâmico é um sinal de discriminação das mulheres, que não há razão para que sejam apenas as mulheres a carregar o peso dos símbolos de um passado ou de uma cultura, que nem todas as tradições têm que ser respeitadas. As organizações muçulmanas de Espanha responderam, furiosas, que em Espanha há mais violência de género (deliciosa a adopção por muçulmanos desta linguagem) do que em países islâmicos.
Na quinta feira a vice presidente, De la Vega, veio pôr as coisas no seu lugar, afirmando que o executivo espanhol respeita o véu islâmico.
Ontem, Bibiana vem pôr-se a si própria no seu lugar (de objecto decorativo do governo) declarando que tem todo o respeito pelo véu islâmico.
Na passada quarta feira, porém, Aído fez afirmações perfeitamente razoáveis: que o véu islâmico é um sinal de discriminação das mulheres, que não há razão para que sejam apenas as mulheres a carregar o peso dos símbolos de um passado ou de uma cultura, que nem todas as tradições têm que ser respeitadas. As organizações muçulmanas de Espanha responderam, furiosas, que em Espanha há mais violência de género (deliciosa a adopção por muçulmanos desta linguagem) do que em países islâmicos.
Na quinta feira a vice presidente, De la Vega, veio pôr as coisas no seu lugar, afirmando que o executivo espanhol respeita o véu islâmico.
Ontem, Bibiana vem pôr-se a si própria no seu lugar (de objecto decorativo do governo) declarando que tem todo o respeito pelo véu islâmico.
quinta-feira, junho 26
Redacções
Utentes do tribunal de Santa Maria da Feira parecem ter protestado contra as deficientes instalações agredindo juízes. É o que deduzo desta notícia, onde se lê
Em entrevista a Anibal Rebelo, Conde Rodrigues diz que o que aconteceu foi grave e lamenta o sucedido, mas garante as novas instalações vão estar concluídas, tal como prometido.
Ou é uma nova maneira de reivindicar, que parece ter efeitos imediatos, ou uma nova maneira de redigir, que subverte com audácia o nexo convencional.
Em entrevista a Anibal Rebelo, Conde Rodrigues diz que o que aconteceu foi grave e lamenta o sucedido, mas garante as novas instalações vão estar concluídas, tal como prometido.
Ou é uma nova maneira de reivindicar, que parece ter efeitos imediatos, ou uma nova maneira de redigir, que subverte com audácia o nexo convencional.
Espanha e os Símios
A hipocrisia dos partidos esquerdóides e esverdeados não tem limites. Segundo notícia do Público (Espanha) os símios vão deixar de poder ganhar a vida em Espanha actuando em circos e na televisão. Circos e televisão ficam assim reservados a homens, mulheres e crianças. E a este proteccionismo indecente chamam equiparação dos grandes símios aos humanos em termos de direitos! Espero que a ministra da Igualdade se apresse a intervir. Ficamos a pensar que o que preocupa estes defensores dos direitos de símios é o desembarque nas costas espanholas de chimpanzés e orangotangos sem habilitações profissionais. A mensagem é clara: macaco que queira fazer carreira em Espanha, só com licenciatura ou mestrado.
sexta-feira, junho 20
Exames: a fatal atracção pela poesia
Sempre me custou a compreender a atracção pela poesia nos exames de Português. É que costuma ser logo poesia de alto gabarito. E a verdade é que na prosa também não se faz por menos. Estranha propensão para Camões, Pessoa, Saramago na terra onde tão facilmente se ignora a diferença entre à e há ou entre mostras-te e mostraste, para já não falar de esotéricos modos verbais condicionais ou conjuntivos (ainda se dirá assim?).
Esta atracção fatal deve ser uma doença moderna que afecta os burocratas da educação por todo o mundo civilizado. O caso mais cómico sucedeu em Itália há dois dias, onde no exame de Italiano do final do secundário saiu o poema do Nobel Montale:
Ripenso il tuo sorriso, ed è per me un'acqua limpida
scorta per avventura tra le petraie d'un greto,
esiguo specchio in cui guardi un'ellera i suoi corimbi;
e su tutto l'abbraccio d'un bianco cielo quieto.
Codesto è il mio ricordo; non saprei dire, o lontano,
se dal tuo volto s'esprime libera un'anima ingenua,
o vero tu sei dei raminghi che il male del mondo estenua
e recano il loro soffrire con sé come un talismano.
Ma questo posso dirti, che la tua pensata effigie
sommerge i crucci estrosi in un'ondatta di calma,
e che il tuo aspetto s'insinua nella mia memoria grigia
schietto come la cima d'una giovinetta palma...
que na tradução de José Manuel de Vasconcelos (Assírio & Alvim) ficou assim:
Volto a pensar no teu sorriso, e ele é para mim uma água límpida
descoberta por acaso entre os seixos de um leito,
exíguo espelho onde olhas uma hera e os seus corimbos;
e por cima o abraço de um branco céu perfeito.
Esta é a minha recordação; não sei dizer, distância vã,
se no teu rosto se exprime livremente uma alma ingénua,
ou se és um fugitivo que o mal do mundo estenua
levando consigo o sofrimento como um talismã.
Mas isto posso dizer-te, que a tua pensada efígie
submerge os caprichosos desgostos numa onda rasteira,
e que a tua imagem se insinua na minha memória gris
simples como a copa de uma jovem palmeira...
No exame, o testinho era comentado com incidência na visão da realidade pelo poeta, particularmente na visão "da figura feminina e do seu papel salvífico e apaziguante". Os fabricantes do exame não se deram ao trabalho de reparar que non saprei dire, o lontano só poderia ser uma frase dedicada a um homem. É conhecido que o poema evoca o bailarino Boris Kniaseff, por quem Montale manteve uma admiração ambígua. O La Stampa comenta, não percebo se com alívio ou com sarcasmo, que não há aqui nenhum problema porque, tendo sido Kniaseff casado com uma bailarina, não se compreenderia que os peritos do educacional ministério estivessem a querer ocultar algum aspecto embaraçoso da vida do poeta.
A ministra da educação, entretanto, demitiu a responsável da fábrica de exames.
Esta atracção fatal deve ser uma doença moderna que afecta os burocratas da educação por todo o mundo civilizado. O caso mais cómico sucedeu em Itália há dois dias, onde no exame de Italiano do final do secundário saiu o poema do Nobel Montale:
Ripenso il tuo sorriso, ed è per me un'acqua limpida
scorta per avventura tra le petraie d'un greto,
esiguo specchio in cui guardi un'ellera i suoi corimbi;
e su tutto l'abbraccio d'un bianco cielo quieto.
Codesto è il mio ricordo; non saprei dire, o lontano,
se dal tuo volto s'esprime libera un'anima ingenua,
o vero tu sei dei raminghi che il male del mondo estenua
e recano il loro soffrire con sé come un talismano.
Ma questo posso dirti, che la tua pensata effigie
sommerge i crucci estrosi in un'ondatta di calma,
e che il tuo aspetto s'insinua nella mia memoria grigia
schietto come la cima d'una giovinetta palma...
que na tradução de José Manuel de Vasconcelos (Assírio & Alvim) ficou assim:
Volto a pensar no teu sorriso, e ele é para mim uma água límpida
descoberta por acaso entre os seixos de um leito,
exíguo espelho onde olhas uma hera e os seus corimbos;
e por cima o abraço de um branco céu perfeito.
Esta é a minha recordação; não sei dizer, distância vã,
se no teu rosto se exprime livremente uma alma ingénua,
ou se és um fugitivo que o mal do mundo estenua
levando consigo o sofrimento como um talismã.
Mas isto posso dizer-te, que a tua pensada efígie
submerge os caprichosos desgostos numa onda rasteira,
e que a tua imagem se insinua na minha memória gris
simples como a copa de uma jovem palmeira...
No exame, o testinho era comentado com incidência na visão da realidade pelo poeta, particularmente na visão "da figura feminina e do seu papel salvífico e apaziguante". Os fabricantes do exame não se deram ao trabalho de reparar que non saprei dire, o lontano só poderia ser uma frase dedicada a um homem. É conhecido que o poema evoca o bailarino Boris Kniaseff, por quem Montale manteve uma admiração ambígua. O La Stampa comenta, não percebo se com alívio ou com sarcasmo, que não há aqui nenhum problema porque, tendo sido Kniaseff casado com uma bailarina, não se compreenderia que os peritos do educacional ministério estivessem a querer ocultar algum aspecto embaraçoso da vida do poeta.
A ministra da educação, entretanto, demitiu a responsável da fábrica de exames.
quarta-feira, junho 18
The End
Simetrias cerebrais e orientação sexual
Num artigo publicado recentemente nos Proceedings of the National Academy of Sciences, Ivanka Savic e Per Lindström sustentam ter encontrado relação entre simetrias cerebrais e orientação sexual dos indivíduos. Basicamente, existem semelhanças entre, por um lado, homens heterossexuais e mulheres homossexuais e, por outro, entre homens homossexuais e mulheres heterossexuais. No primeiro caso há ligeira assimetria, que no segundo caso está ausente. Os autores referem ter encontrado também semelhanças para os mesmos grupos a nível de conectividade da amígdala. No resumo do artigo escrevem: The results cannot be primarily ascribed to learned effects, and they suggest a linkage to neurobiological entities.
Aparentemente, o estudo incidiu sobre quatro categorias "estáveis" de orientação sexual. Haverá algo a dizer sobre os indivíduos bissexuais de gradação variável, que devem representar grupos numericamente significativos? E se não há, como encaixar em relação a eles estes resultados? Quanto mais sabemos, mais fica por explicar.
Esta notícia deu origem a discussões interessantes aqui, aqui e aqui.
Aparentemente, o estudo incidiu sobre quatro categorias "estáveis" de orientação sexual. Haverá algo a dizer sobre os indivíduos bissexuais de gradação variável, que devem representar grupos numericamente significativos? E se não há, como encaixar em relação a eles estes resultados? Quanto mais sabemos, mais fica por explicar.
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sexta-feira, junho 13
Igualdade?
A ministra da Igualdade, no país aqui ao lado, tem-se esforçado por manter o bom humor e estimular a criatividade dos cidadãos. Depois do anúncio de um telefone para homens a fim de desenvolver novos modelos de masculinidade e de tentar impingir à Real Academia Espanhola o neologismo progressista miembras (membras), tentou justificar-se com o facto de alguns anglicismos (?), como guay (que actualmente significa cool, baril) já terem entrada no dicionário.
Das muitas reacções do pagode, algumas das quais se podem ler aqui, as mais inocentes são as dos que lhe chamam ministra de IGUAL DA (tanto faz).
Igualdade? A distinguir membros e membras, acentuar a diferença é o que a ideologia feminista está a fazer. Se a ministra quiser mesmo fazer jus ao nome da sua pasta, a sua batalha será pelo fim de todas as declinações de género. Ou, talvez mais simplesmente, impor o inglês como língua oficial em Espanha, acabando ao mesmo tempo com questiúnculas linguísticas autonómicas. Wow! Qué guay!
Das muitas reacções do pagode, algumas das quais se podem ler aqui, as mais inocentes são as dos que lhe chamam ministra de IGUAL DA (tanto faz).
Igualdade? A distinguir membros e membras, acentuar a diferença é o que a ideologia feminista está a fazer. Se a ministra quiser mesmo fazer jus ao nome da sua pasta, a sua batalha será pelo fim de todas as declinações de género. Ou, talvez mais simplesmente, impor o inglês como língua oficial em Espanha, acabando ao mesmo tempo com questiúnculas linguísticas autonómicas. Wow! Qué guay!
Guantánamo e as setas
Nas setinhas da última página do PÚBLICO de hoje, Raul Castro está em alta, por ter descoberto que pode haver vantagem em introduzir diferenciação nos salários. Depois de permitir a venda de leitores de dvd e computadores, isto é obra. Se não mexemos rapidamente na legislação laboral, a ilha ainda nos ultrapassa pela direita a curto prazo.
A mesma edição chama à primeira página o escândalo dos prisioneiros de Guantánamo, com uma foto onde manifestantes empunham cartazes com uns nomes árabes. (Claro que nas mesmas setinhas aparece Bush em baixa, mas referir isto é pleonasmo do qual peço desculpa.) De outra Guantánamo, onde está preso em condições terríveis Abel López Pérez por ofensas a Fidel, não se fala. À semelhança dos vários prisioneiros por delitos de consciência e opinião, que escandalizam os jornalistas em muito menor escala. Raúl pode continuar, sem sobressaltos, a escalada da última página do PÚBLICO.
A mesma edição chama à primeira página o escândalo dos prisioneiros de Guantánamo, com uma foto onde manifestantes empunham cartazes com uns nomes árabes. (Claro que nas mesmas setinhas aparece Bush em baixa, mas referir isto é pleonasmo do qual peço desculpa.) De outra Guantánamo, onde está preso em condições terríveis Abel López Pérez por ofensas a Fidel, não se fala. À semelhança dos vários prisioneiros por delitos de consciência e opinião, que escandalizam os jornalistas em muito menor escala. Raúl pode continuar, sem sobressaltos, a escalada da última página do PÚBLICO.
terça-feira, junho 10
O dia do traço identitário
O Fernando Rosas e outros irritados com o lapso de Cavaco e no Chiado há uma estátua de um gajo que escreveu isto:
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memoria em nós do instincto teu.
Nação porque reincarnaste,
Povo porque resuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquella fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada
"Raça" tem uma conotação política antipática no antigo nome do dia 10 de junho. As palavras adquirem maldição por via das bocas que as pronunciaram. Os tempos presentes inventaram outras maneiras, mais suaves, de reconhecer que não somos meros clones uns dos outros. Quem enche o discurso com etnicidade, traço identitário, autenticidade, fica até muito bem visto pelo cânone do gosto contemporâneo.
O novo regime rebaptizou a data com uma designação anódina. O 10 de junho é simplesmente um feriado que cai bem, sobretudo se está bom tempo. Chamar-lhe dia do traço identitário só iria piorar as coisas.
Nada disto tem a ver com o lapso. Quando uma pessoa envelhece e está sujeita a um ritmo de vida esgotante, e em que a toda a hora lhe fazem perguntas, facilmente se sujeita às traições da memória: falando de improviso, recorda mais facilmente um nome simples aprendido na infância do que um nome improvável a pingar artificialidade. Cavaco precisa de repouso.
Se a alma que sente e faz conhece
Só porque lembra o que esqueceu,
Vivemos, raça, porque houvesse
Memoria em nós do instincto teu.
Nação porque reincarnaste,
Povo porque resuscitou
Ou tu, ou o de que eras a haste –
Assim se Portugal formou.
Teu ser é como aquella fria
Luz que precede a madrugada,
E é já o ir a haver o dia
Na antemanhã, confuso nada
"Raça" tem uma conotação política antipática no antigo nome do dia 10 de junho. As palavras adquirem maldição por via das bocas que as pronunciaram. Os tempos presentes inventaram outras maneiras, mais suaves, de reconhecer que não somos meros clones uns dos outros. Quem enche o discurso com etnicidade, traço identitário, autenticidade, fica até muito bem visto pelo cânone do gosto contemporâneo.
O novo regime rebaptizou a data com uma designação anódina. O 10 de junho é simplesmente um feriado que cai bem, sobretudo se está bom tempo. Chamar-lhe dia do traço identitário só iria piorar as coisas.
Nada disto tem a ver com o lapso. Quando uma pessoa envelhece e está sujeita a um ritmo de vida esgotante, e em que a toda a hora lhe fazem perguntas, facilmente se sujeita às traições da memória: falando de improviso, recorda mais facilmente um nome simples aprendido na infância do que um nome improvável a pingar artificialidade. Cavaco precisa de repouso.
segunda-feira, junho 9
Una Scomoda Verità
O Falta de Tempo estreia-se na ópera. Sabendo que o Scala encomendou a Giorgio Battistelli a versão lírica da Inconvenient Truth para a temporada de 2011, quero deixar aqui um modesto contributo. Proponho que Al Gore tenha o seu Leporello com a correspondente ária do catálogo:
Signori, il catalogo è questo
Dei disastri che ha visto il padron mio;
un catalogo egli è che ho fatt'io;
Osservate, leggete con me.
In Europa seicento e quaranta;
In America duecento e trentuno;
Cento in Birmania, nell' Artico novantuno;
Ma in Indonesia son già mille e tre.
V'han fra questi uragani,
grandi pioggie e disgeli,
Tuoni, lampi, siccità,
inondazioni, sommersioni.
V'han disastri d'ogni grado,
D'ogni forma e gravità.
Não cobro nada, embora fosse agradável que Battistelli incluisse um agradecimento no programa de estreia. De resto, nada como citar os clássicos para valorizar uma obra de arte, sobretudo quando nos confrontamos com escassez de meios e de talento.
Quanto ao final, esperemos até 2011 para decidir qual o epílogo com mais impacto: Al Gore a sucumbir sob uma onda de calor ou uma vaga de frio polar.
Signori, il catalogo è questo
Dei disastri che ha visto il padron mio;
un catalogo egli è che ho fatt'io;
Osservate, leggete con me.
In Europa seicento e quaranta;
In America duecento e trentuno;
Cento in Birmania, nell' Artico novantuno;
Ma in Indonesia son già mille e tre.
V'han fra questi uragani,
grandi pioggie e disgeli,
Tuoni, lampi, siccità,
inondazioni, sommersioni.
V'han disastri d'ogni grado,
D'ogni forma e gravità.
Não cobro nada, embora fosse agradável que Battistelli incluisse um agradecimento no programa de estreia. De resto, nada como citar os clássicos para valorizar uma obra de arte, sobretudo quando nos confrontamos com escassez de meios e de talento.
Quanto ao final, esperemos até 2011 para decidir qual o epílogo com mais impacto: Al Gore a sucumbir sob uma onda de calor ou uma vaga de frio polar.
sábado, junho 7
Repondo a verdade sobre a Europass
Ao contrário do que se lê no PÚBLICO de hoje (p. 4), se o diâmetro é 33,93 cm, o perímetro da circunferência da Europass será qualquer coisa entre 106,57 cm e 106,64 cm.
sexta-feira, junho 6
Questão de moral II
Que bom haver gente com certezas. A dissolução judicial do casamento de um par muçulmano em Lille continua a levantar ondas. Um grupo de 150 deputados de várias tendências políticas do Parlamento Europeu toma posição:
"Nous signataires, considérons que contrairement à la décision du tribunal de grande instance de Lille, la virginité d'une femme n'est pas une qualité essentielle de la personne. Pas plus d'ailleurs que pour un homme. Il s’agit là d’un précédent dangereux qui ne peut que conforter certains fondamentalistes dans leur combat archaïque alors que justement l’un des remparts contre ce fanatisme devrait être le droit."
Em que fundamentalismos estarão a pensar? Atendendo a que aquelas pessoas não gostam de se considerar "racistas", não podiam deixar o fundamentalismo islâmico sozinho no pódio. Que plural tão conveniente!
"Nous signataires, considérons que contrairement à la décision du tribunal de grande instance de Lille, la virginité d'une femme n'est pas une qualité essentielle de la personne. Pas plus d'ailleurs que pour un homme. Il s’agit là d’un précédent dangereux qui ne peut que conforter certains fondamentalistes dans leur combat archaïque alors que justement l’un des remparts contre ce fanatisme devrait être le droit."
Em que fundamentalismos estarão a pensar? Atendendo a que aquelas pessoas não gostam de se considerar "racistas", não podiam deixar o fundamentalismo islâmico sozinho no pódio. Que plural tão conveniente!
quarta-feira, junho 4
Fascismo?
Tornou-se comum usar o substandjectivo "fascista" ou o substantivo "fascismo" como simples etiquetas depreciativas que aspiram a encontrar eco fácil e ampla adesão ao que se diz. Uma das espécies mais abundante na Terra, como se sabe, é a dos anti-fascistas. Eles afirmam-se e aumentam de forma exponencial sob acção dos mais inesperados estímulos. A mais recente manifestação do fenómeno, enre nós, é a declaração do Ministro da Ciência e do Ensino Superior ao classificar os comportamentos dos praxistas universitários. Francamente, acho que o uso da palavra é demagógico. Uns brutos, estúpidos, é o que eles são, simplesmente, mas contam com a conivência e até a aprovação de muita gente. Que tempo este em que é mais aceitável chamar a alguém fascista do que estúpido. Só pode ser por conveniência de alimentar o mito do papão útil. Fascismo é uma filosofia política. A triste e simples estupidez não se interessa por ela nem por outras.
segunda-feira, junho 2
Abaixo a exploração
"A tarifa de referência que foi calculada [para a linha Lisboa-Madrid] foi de 100 euros, enquanto na linha Lisboa-Porto a tarifa de referência são 40 euros", disse Ana Paula Vitorino, em entrevista à Lusa. Se isto é verdade, estamos a pagar o Alfa, que anda a uns míseros 220 km/h, a preço de TGV. Abaixo a exploração! Boicote ao Alfa já!
sábado, maio 31
Questão de moral
Um tribunal de Lille dissolveu o casamento de um casal muçulmano a pedido do marido. Queixou-se ele de ter sido enganado ao descobrir que a mulher não era virgem. Um imam de Lille apressou-se a dizer que nada disto tem a ver com a religião: o Corão não exige a virgindade no casamento. O que o tribunal aplicou, afinal, foi uma lei francesa do século 19, que prevê a "mentira sobre qualidades essenciais" como causa suficiente para invalidar um casamento.
Diversas vozes de indivíduos e associações se fizeram ouvir, escandalizadas. A ministra Rachida Dati é mais moderada e observa que a decisão do tribunal acabou, afinal, por poupar a mulher ao calvário de um casamento condenado.
O mais provável é que Rachida Dati tenha razão. Ao mesmo tempo é curioso como na França laica uma lei saída do tempo da revolução acaba por ser aplicada - possivelmente de modo formalmente correcto - num julgamento envolvendo muçulmanos. Quantas vezes terá a lei sido utilizada, recentemente, a casais europeus?
Diversas vozes de indivíduos e associações se fizeram ouvir, escandalizadas. A ministra Rachida Dati é mais moderada e observa que a decisão do tribunal acabou, afinal, por poupar a mulher ao calvário de um casamento condenado.
O mais provável é que Rachida Dati tenha razão. Ao mesmo tempo é curioso como na França laica uma lei saída do tempo da revolução acaba por ser aplicada - possivelmente de modo formalmente correcto - num julgamento envolvendo muçulmanos. Quantas vezes terá a lei sido utilizada, recentemente, a casais europeus?
quinta-feira, maio 29
Jesus Cristo: um olhar livre dos decadentes valores cristãos e ocidentais
O cineasta iraniano Nader Talebzadeh acaba de realizar um filme sobre Jesus Cristo tal como é visto a partir do Corão. Jesus é intrepretado pelo actor Ahmad Soleymaninia, que trabalhou nas instalações nucleares iranianas mas declara preferir o enriquecimento do espírito ao do urânio.
Das novidades propostas pelo filme destacam-se: Jesus não é filho de Deus; no final é Judas e não Jesus quem é crucificado; Jesus anuncia a vinda de Maomé.
As notícias não referem, mas eu gosto de imaginar os diálogos na cena da adúltera.
-Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante a cometer adultério.
-Porque me aborrecem com isso? Já sabem o que têm de fazer.
-Queremos ouvir as palavras da tua boca.
-Enterrem-na até ao pescoço e apedrejem-na até à morte. Cuidado com o tamanho das pedras: nem demasiado grandes, para não causar morte imediata, nem demasiado pequenas, para que os ferimentos não sejam apenas ligeiros. E não me voltem a chatear com esse assunto.
A versão de João, 8:4-11 deve ser considerada imoral e uma afronta às leis do Irão.
É pena que em Hollywood não haja o correspondente interesse em Maomé. Que superprodução divertida e ousada poderiam fazer.
Das novidades propostas pelo filme destacam-se: Jesus não é filho de Deus; no final é Judas e não Jesus quem é crucificado; Jesus anuncia a vinda de Maomé.
As notícias não referem, mas eu gosto de imaginar os diálogos na cena da adúltera.
-Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante a cometer adultério.
-Porque me aborrecem com isso? Já sabem o que têm de fazer.
-Queremos ouvir as palavras da tua boca.
-Enterrem-na até ao pescoço e apedrejem-na até à morte. Cuidado com o tamanho das pedras: nem demasiado grandes, para não causar morte imediata, nem demasiado pequenas, para que os ferimentos não sejam apenas ligeiros. E não me voltem a chatear com esse assunto.
A versão de João, 8:4-11 deve ser considerada imoral e uma afronta às leis do Irão.
É pena que em Hollywood não haja o correspondente interesse em Maomé. Que superprodução divertida e ousada poderiam fazer.
quarta-feira, maio 28
Reconhecimento da falência do ensino público
Na coluna de Rui Tavares, no PÚBLICO de hoje:
As famílias que não têm dinheiro para comida (...), os idosos que não compram os remédios, os jovens que não podem pagar explicações (...) são pessoas a quem deixamos que aconteça o que não gostaríamos que nos acontecesse a nós.
(sublinhados meus)
As famílias que não têm dinheiro para comida (...), os idosos que não compram os remédios, os jovens que não podem pagar explicações (...) são pessoas a quem deixamos que aconteça o que não gostaríamos que nos acontecesse a nós.
(sublinhados meus)
terça-feira, maio 27
Palermo e Pesaro
Foi notícia ontem nos jornais italianos: o pai dá facada no braço direito e na cara do filho de 18 anos. O rapaz teve de ser socorrido no hospital. Os títulos batem todos na mesma tecla: filho gay. A história, no entanto, pode ser um pouco menos simples do que o título sugere.
Se o homem tivesse dado uma facada na mulher por questões de infidelidade, que adjectivo escolheriam os jornais para completar o título: "Homem fere a esposa ..."?
Há uns dias atrás, também em Itália, foi uma mãe que tentou ferir a filha de 16, a quem não conseguia convencer a acabar o namoro com outra rapariga. Na família de classe média baixa, em Pesaro, já vigiada pelos serviços sociais, a cena de violência ocorreu à hora do jantar.
Notícias como são cerejas no bolo para um nosso site educativo, onde pode ler-se
"Se sempre existiu homossexualidade nas sociedades humanas, poder-se-á perguntar porquê a reacção de rejeição tão veemente (em algumas sociedades, designadamente as ocidentais, repito, dado que esta questão é pacífica em muitas regiões do mundo)." Muitas regiões do mundo... parece-me que os autores deste texto chumbam em geografia.
Se o homem tivesse dado uma facada na mulher por questões de infidelidade, que adjectivo escolheriam os jornais para completar o título: "Homem fere a esposa ..."?
Há uns dias atrás, também em Itália, foi uma mãe que tentou ferir a filha de 16, a quem não conseguia convencer a acabar o namoro com outra rapariga. Na família de classe média baixa, em Pesaro, já vigiada pelos serviços sociais, a cena de violência ocorreu à hora do jantar.
Notícias como são cerejas no bolo para um nosso site educativo, onde pode ler-se
"Se sempre existiu homossexualidade nas sociedades humanas, poder-se-á perguntar porquê a reacção de rejeição tão veemente (em algumas sociedades, designadamente as ocidentais, repito, dado que esta questão é pacífica em muitas regiões do mundo)." Muitas regiões do mundo... parece-me que os autores deste texto chumbam em geografia.
domingo, maio 25
Serviço público
Pode-se consultar aqui os melhores horários para ir abastecer o depósito nas gasolineiras de hipermercados, entre 7 e 18 de junho.
sábado, maio 24
Informação grátis
Na banca do jornal, enquanto o dobro e ponho debaixo do braço e recebo o troco, aproveito para me actualizar, lendo capas de revistas.
Dizia lá que Cherme Brotero, ex-namorada de um futebolista de sucesso, cujo nome não fixei (só me lembro que bacalhau à Braz é o prato favorito dele) se viu forçada a fazer um implante mamário para sobreviver.
Fiquei a saber que Anabólica Eleutério, conhecida actriz de novelas, está a superar a temível doença: mas a crise de penfigo ainda não terminou. Felizmente tem tido o apoio do namorado, Perfídio Vitriólico, conhecido namorado de actrizes de novela.
Soube também que Roina Davos, conhecida apresentadora de tv, foi surpreendida com o seu antigo namorado durante uma ausência na Ásia Menor de Pilo Estroina, conhecido actual namorado de apresentadoras de tv.
Li ainda que Délio Fútil, conhecido membro do sector do jet set mais familiarizado com o uso de marretas de cinco quilos, vive com Reptiliano Fantasia.
Gostei de saber que Cartolina Sem Sal tem um novo namorado que a protege e parece que vai subscrever um novo livro sobre a nova fase da sua vida.
Hoje a Cassandra de Encastrar não era mencionada. Provavelmente atravessa um momento de felicidade e não tem nada de novo para vender às capas de revista.
sábado, maio 3
A "preocupação"
Cavaco está a ganhar a Sampaio. No Google surgem 299000 respostas a "Sampaio preocupado" e 443000 a "Cavaco preocupado". Deve ser função do PR, constitucionalmente prevista. Não sei se isso significa que o cidadão comum já não tem que se preocupar, visto que elegeu alguém para se preocupar por ele.
Há tempos listei aqui algumas das grandes preocupações de Sampaio:
futuro da EDP
finanças públicas
pobreza em Portugal
abstenção
o Alqueva
questões de saúde
autarquias
futuro do interior
impacto internacional da pedofilia
precaridade laboral
assimetrias de desenvolvimento
economia nacional
prisões portuguesas
jornalistas
É altura de fazer uma lista provisória das preocupações recentes de Cavaco:
criminalidade violenta em Portugal
despovoamento na Guarda
alheamento dos jovens
situação no Kosovo
relacionamento de Governos
obesidade infantil e juvenil
desemprego
Constatando-se que os problemas da primeira lista foram cabalmente resolvidos, podemos suspirar de alívio, pois estes também não deixarão de o ser, e depressa.
Há tempos listei aqui algumas das grandes preocupações de Sampaio:
futuro da EDP
finanças públicas
pobreza em Portugal
abstenção
o Alqueva
questões de saúde
autarquias
futuro do interior
impacto internacional da pedofilia
precaridade laboral
assimetrias de desenvolvimento
economia nacional
prisões portuguesas
jornalistas
É altura de fazer uma lista provisória das preocupações recentes de Cavaco:
criminalidade violenta em Portugal
despovoamento na Guarda
alheamento dos jovens
situação no Kosovo
relacionamento de Governos
obesidade infantil e juvenil
desemprego
Constatando-se que os problemas da primeira lista foram cabalmente resolvidos, podemos suspirar de alívio, pois estes também não deixarão de o ser, e depressa.
terça-feira, abril 29
Quem é incapaz de combater o carjacking...
ensina a combater o carjacking.
Se a ideia é fazermos o trabalho que competiria à polícia, porque não realizar formação dos cidadãos em matéria menos especializada, por exemplo preencher formulários de multas? Ao menos para isto até os advogados que sairam com piores notas das faculdades parecem ter competência.
Se a ideia é fazermos o trabalho que competiria à polícia, porque não realizar formação dos cidadãos em matéria menos especializada, por exemplo preencher formulários de multas? Ao menos para isto até os advogados que sairam com piores notas das faculdades parecem ter competência.
sábado, abril 12
Noli me tangere

Os italianos estão a fazer menos sexo. Estão? Claudia Simonelli, professora associada em La Sapienza, fala de uma brutal queda do desejo: 40% dos casais não tem relações sexuais regulares e só 30% se declaram satisfeitos. Segundo a cientista, o futebol tem culpas, já que um desaire da equipa que habita o coração de cada homem arrasta consigo a perda do apetite sexual.
As coisas são, no entanto, mais complicadas, porque é significativa a procura de sexo pago, com prostitutas, ou companhias de ocasião encontradas na internet. E aumenta o número de homens que fotografa ou filma a esposa para a exibir na rede.
Calma, isto só se passa em Itália.
(Correggio, 1525, Museu do Prado.)
quarta-feira, março 26
O amor nos tempos de cólera em 139 minutos

O mais surpreendente neste mau filme é que não chega a aborrecer-nos. O segredo está na força do livro: mesmo em versão condensada, o encanto das palavras escritas por Garcia Márquez não consegue ser destruído. Apesar da péssima direcção, dos medíocres actores, do tom desajustado de tantas cenas e da pior maquilhagem de velhos e velhas que me lembro de ter visto no cinema, é bom recordar que o amor da alma é da cintura para cima e o do corpo é da cintura para baixo, e que o coração tem mais portas do que um hotel de putas.
Doença é quando um homem quiser
O DSM (5ª edição) está em preparação. O DSM é o Manual Estatístico e de Diagnóstico das Doenças Mentais, elaborado pela APA, American Psychiatric Association. Com muitas saídas e entradas, o DSM tem horror ao vazio. Agora, o Dr. Jerald Block vem defender, no American Journal of Psychiatry, que o vício da internet, e-mail e mensagens de texto deve ser considerado doença mental e incluído no DSM-V.
A homossexualidade já esteve na lista e foi retirada em 1973. Será necessária uma nova revolução de mentalidades para que se retire a estados naturais de tristeza e desgosto o estatuto de doença.
Claro que chamar "depressão" à tristeza tem vantagens óbvias para os Psis e para a indústria farmacêutica. A entrada da internet na lista tem para o Dr. Block ainda uma vantagem extra: ele é autor da patente de um artefacto que bloqueia o acesso à internet.
A homossexualidade já esteve na lista e foi retirada em 1973. Será necessária uma nova revolução de mentalidades para que se retire a estados naturais de tristeza e desgosto o estatuto de doença.
Claro que chamar "depressão" à tristeza tem vantagens óbvias para os Psis e para a indústria farmacêutica. A entrada da internet na lista tem para o Dr. Block ainda uma vantagem extra: ele é autor da patente de um artefacto que bloqueia o acesso à internet.
segunda-feira, março 24
O amor nos tempos do fisco
Hoje acordámos a saber que os nossos dirigentes vão apertar o crivo em torno de fotógrafos, floristas e restaurantes que trabalham para festas de casamento. Não me parece que estejam a raciocinar bem. Levantam um clamor enorme por bem pouca coisa. Dou-lhes uma sugestão gratuita e desinteressada. Pensem que ao longo de cada casamento pode haver dois ou três amantes de vários sexos a quem se oferecem prendas e jantares com alguma regularidade, sempre sem guardar recibo. Sim, nenhum esposo ou esposa no seu perfeito juízo se arriscaria a ouvir bocas do género: "o que é que andaste a comprar no Torres Joalheiros, se eu só faço anos daqui a seis meses?" ou "Hás-de explicar-me quem é que levaste a jantar ao Guincho no dia em que me disseste que tinhas uma reunião". Por isso, também não é com multibanco ou cartão de crédito que se fazem esses pagamentos, para não aparecerem de surpresa em extractos comprometedores. Há por isso aqui um vasto campo de intervenção. Não basta o levantamento universal do sigilo bancário. É necessário proibir a circulação de dinheiro em papel e conceder benefícios fiscais aos cidadãos que denunciem comportamentos suspeitos do outro membro do casal, a fim de se poder desencadear a investigação competente. Fisco e cônjuges traídos poderão dar as mãos no combate à evasão fiscal e ao adultério, dois pecados tenebrosos que tendem a encobrir-se.
sexta-feira, março 21
O glorioso 9ºC
No teatro ou no cinema pedem-nos para desligar o telemóvel e de um modo geral o pedido é executado. Se por descuido algum toca, o dono costuma apressar-se a desligá-lo. Há uma boa razão para isto: habitualmente quem vai a um espectáculo está interessado em vê-lo.
Já o que se passa numa aula de escola secundária é completamente diferente. Até de acordo com as orientações metodológicas emanadas do Ministério da Educação, os alunos não são supostos interessar-se pela matéria, mas sim exibir "atitudes", "competências" (lista longa, para que lá caiba tudo) e procurar o seu bem estar afectivo ou emocional. Deste ponto de vista, se um aluno ou aluna esperar uma chamada ou sms do namorado ou namorada, privá-lo de a receber é, chamando as coisas pelos nomes, uma crueldade. Não sei se terá sido esse o caso na estorinha que ontem forneceu a uma escola do Porto o seu dia fama, mas poderá não andar longe disso. A ocorrência está longe de ser única, nem será com certeza a mais grave.
Alguns lamentam que a ministra da educação esteja calada sobre o caso: ela sabe que é melhor fazer do que falar. A avaliação dos professores posta em marcha vai apanhar nas suas malhas os professores cruéis e reticentes à pedagogia moderna. Sabendo que eles terão que ser pontuados, entre outras coisas, pelos items seguintes
Promoção de um clima favorável à aprendizagem, ao bem‐estar e ao desenvolvimento afectivo, emocional e social dos alunos
Concessão de iguais oportunidades de participação, promoção da integração dos alunos e da adopção de regras de convivência, colaboração e respeito
Disponibilidade para o atendimento e apoio aos alunos
Equilíbrio no exercício da autoridade e adequação das acções desenvolvidas para a manutenção da disciplina na sala de aula
Outro a estipular pelo Agrupamento /Escola não agrupada,
podemos descansar. A partir de 2009, os incompetentes que não se habituaram a ouvir tocar um telemóvel na sala de aula que se acautelem. O amanhã é dos nonos-C.
Já o que se passa numa aula de escola secundária é completamente diferente. Até de acordo com as orientações metodológicas emanadas do Ministério da Educação, os alunos não são supostos interessar-se pela matéria, mas sim exibir "atitudes", "competências" (lista longa, para que lá caiba tudo) e procurar o seu bem estar afectivo ou emocional. Deste ponto de vista, se um aluno ou aluna esperar uma chamada ou sms do namorado ou namorada, privá-lo de a receber é, chamando as coisas pelos nomes, uma crueldade. Não sei se terá sido esse o caso na estorinha que ontem forneceu a uma escola do Porto o seu dia fama, mas poderá não andar longe disso. A ocorrência está longe de ser única, nem será com certeza a mais grave.
Alguns lamentam que a ministra da educação esteja calada sobre o caso: ela sabe que é melhor fazer do que falar. A avaliação dos professores posta em marcha vai apanhar nas suas malhas os professores cruéis e reticentes à pedagogia moderna. Sabendo que eles terão que ser pontuados, entre outras coisas, pelos items seguintes
Promoção de um clima favorável à aprendizagem, ao bem‐estar e ao desenvolvimento afectivo, emocional e social dos alunos
Concessão de iguais oportunidades de participação, promoção da integração dos alunos e da adopção de regras de convivência, colaboração e respeito
Disponibilidade para o atendimento e apoio aos alunos
Equilíbrio no exercício da autoridade e adequação das acções desenvolvidas para a manutenção da disciplina na sala de aula
Outro a estipular pelo Agrupamento /Escola não agrupada,
podemos descansar. A partir de 2009, os incompetentes que não se habituaram a ouvir tocar um telemóvel na sala de aula que se acautelem. O amanhã é dos nonos-C.
domingo, março 16
As desculpas e a confissão
O que mais impressiona no caso Spitzer não é a contradição entre a conduta pública e os vícios privados. Disso está o mundo cheio, e apenas se torna história quando os intervenientes pertencem a partidos ou igrejas. Não, o que aflige é a auto imolação implícita no pedido de desculpas público, sobretudo o da esposa. É a aceitação do maior vexame: se Spitzer teve que gastar em prostitutas uma soma tão elevada, é porque como homem é uma verdadeira nódoa. A senhora Spitzer confessa assim, na ribalta, o fracasso rotundo da sua vida.
domingo, março 9
Avaliações
A ministra da educação tem a missão de reduzir o número global de professores e em particular o dos que ascendem aos escalões mais altos, porque o orçamento é limitado. Mas não basta controlar o número de titulares. Os factos sugerem uma interpretação: é necessário transformar a vida na escola num inferno para provocar a debandada dos que estão mais próximos da reforma e dos menos aptos para a competição. O processo de avaliação posto em marcha cumpre perfeitamente os objectivos.
Depois do horário alargado e das inúteis aulas de substituição (que obrigavam já a queimar tempo na escola, com poucas condições para o aproveitar eficazmente), as inúmeras reuniões e preenchimentos de “grelhas” indecifráveis são a gota de água que fez saltar a tampa aos professores. Não se trata apenas de serem “avaliados”, mas também de serem submetidos a uma tortura burocrática que lhes invade todo o tempo disponível ao mesmo tempo que parece tratá-los como idiotas.
Só com uma concentração mental de grande intensidade se conseguirá dar resposta ao inquérito que inclui, para cada docente, parâmetros com subtis cambiantes diferenciais que a própria linguagem se vê aflita para nomear. Exemplo:
-Correcção científico pedagógica e didáctica da planificação das actividades lectivas
-Adaptação da planificação e das estratégias de ensino e aprendizagem ao desenvolvimento das actividades lectivas
-Adequação das estratégias de ensino e aprendizagem aos conteúdos programáticos, ao nível etário e às aprendizagens anteriores dos alunos
-Cumprimento dos objectivos, orientações e programas das disciplinas ou áreas curriculares leccionadas
-Diversidade, adequação e correcção científico pedagógica das metodologias e recursos utilizados
A maioria destes parâmetros não existe senão como invenção estruturalista. Por isso, atribuir classificações de acordo com este modelo pode acabar por ter resultados tão significativos como classificar os professores pela altura ou o peso corporal.
Durante anos, os professores -- e as suas associações e sindicatos -- engoliram e aplicaram este paleio nos mais variados relatórios, sem fazerem escândalo. Claro que os que conseguiram manter a sanidade mental iam-se rindo. Desde os tempos da senhora Benavente, pelo menos, proliferaram parâmetros de inspiração semelhante, utilizados para mascarar os maus resultados na avaliação dos alunos. Agora como então, o ministério pede à Escola que finja avaliar os alunos e recomenda sob ameaças que as retenções devem ter um carácter excepcional. Só que agora o mesmo ministério resolveu avaliar os professores, recomendando que o sucesso seja excepcional. A brutal diferença está aqui.
Como efeito colateral, o método implantado veio tornar impossível ensinar, mas também já há muito tempo que não se pede aos professores que ensinem. Desprestigiados e humilhados pelo poder da 5 de Outubro, enfraquecidos perante os alunos quer por declarações públicas quer por normas aviltantes, usando a gíria dos burocratas, nem se trata propriamente de “professores”; foram transformados em “educadores”, uma síntese que inclui competências de ama-seca, psicólogo e bombo de uma festa qualquer para manter felizes os meninos. E em tempo de vacas magras há que reduzir os serviçais.
sexta-feira, março 7
Campanha orgásmica
Pedro Zerolo, secretário de Movimientos Sociais do PSOE, excita-se com extrema facilidade:
Quanta felicidade nos trouxe Zapatero nesta legislatura! Alguns de nós ainda não acabaram de ter orgasmo atrás de orgasmo! Eu nunca tinha tido tantos orgasmos! Primeiro os que me dá o meu marido e depois os que me dá Zapatero. Orgasmos democráticos!
Está a ser muito criticado: que é uma tirada de mau gosto, que em campanha não só não deixa de pensar em sexo como não respeita o próprio marido, etc. Eu acho que Zerolo se tornou um dissidente, uma infiltração de direita no partido. Está simplesmente a dizer, em forma encriptada: se queres ser bem fodido, vota PSOE.
Quanta felicidade nos trouxe Zapatero nesta legislatura! Alguns de nós ainda não acabaram de ter orgasmo atrás de orgasmo! Eu nunca tinha tido tantos orgasmos! Primeiro os que me dá o meu marido e depois os que me dá Zapatero. Orgasmos democráticos!
Está a ser muito criticado: que é uma tirada de mau gosto, que em campanha não só não deixa de pensar em sexo como não respeita o próprio marido, etc. Eu acho que Zerolo se tornou um dissidente, uma infiltração de direita no partido. Está simplesmente a dizer, em forma encriptada: se queres ser bem fodido, vota PSOE.
quinta-feira, março 6
Curriculum e mentiras
Bernat Soria é ministro da saúde em Espanha e candidato a deputado por Alicante.
Parece que resolveu "inchar" o seu curriculum, o que tem motivado uma dicussão animada no seu blog e muitos outros sítios da rede. O caso foi levantado num blog do El Mundo e também em Libertad Digital.
Em resumo, Soria não fez até agora contraprova de que:
1) nunca foi decano da Faculdade de Medicina de Alicante.
2) não teve nenhum auto-exílio em Singapura, tendo apenas colaborado com a National University of Singapore por períodos curtos.
3) não teve colaboração científica com os dois reputados cientistas Erwin Neher e Bert Sackmann (Nobel conjunto em 1991).
4) não recebeu a medalha de ouro (que, de resto, não existe) da Real Academia de Medicina. Foi só nomeado membro correspondente da Real Academia em 1988.
O caso é bem sintomático da diferença de nível que separa Espanha e Portugal. Este "apanhado", ao menos, doutorou-se em Medicina em 1978 e é co-autor de muitas publicações científicas.
Parece que resolveu "inchar" o seu curriculum, o que tem motivado uma dicussão animada no seu blog e muitos outros sítios da rede. O caso foi levantado num blog do El Mundo e também em Libertad Digital.
Em resumo, Soria não fez até agora contraprova de que:
1) nunca foi decano da Faculdade de Medicina de Alicante.
2) não teve nenhum auto-exílio em Singapura, tendo apenas colaborado com a National University of Singapore por períodos curtos.
3) não teve colaboração científica com os dois reputados cientistas Erwin Neher e Bert Sackmann (Nobel conjunto em 1991).
4) não recebeu a medalha de ouro (que, de resto, não existe) da Real Academia de Medicina. Foi só nomeado membro correspondente da Real Academia em 1988.
O caso é bem sintomático da diferença de nível que separa Espanha e Portugal. Este "apanhado", ao menos, doutorou-se em Medicina em 1978 e é co-autor de muitas publicações científicas.
segunda-feira, fevereiro 25
O crepúsculo do falo
O símbolo tradicional das forças militares suecas, um leão ostensivamente masculino, acaba de ver os órgãos genitais removidos por pressão feminista. Está explicado neste vídeo. Parece que apesar de tudo deixaram passar a crina. Não deve ser descuido, mas promoção da imagem de um leão lésbico.
O PSOE, aqui ao nosso lado, promete no seu programa eleitoral uma "educación no discriminatoria, que rompa los actuales estereotipos de género"; "revisar y modificar el uso tradicional del masculino para representar a las mujeres en los textos educativos"; "incorporar a especialistas en coeducación e igualdad en los órganos responsables de la evaluación, investigación e innovación educativa y en los servicios de apoyo al profesorado". No futuro falar-se-á não de reivindicações de professores, mas sim de reivindicações de professores e professoras. A Real Academia provavelmente não vai ser entusiasta das pretendidas alterações: as constantes repetições para mencionar os dois sexos são simplesmente um estorvo deselegante.
O PSOE, aqui ao nosso lado, promete no seu programa eleitoral uma "educación no discriminatoria, que rompa los actuales estereotipos de género"; "revisar y modificar el uso tradicional del masculino para representar a las mujeres en los textos educativos"; "incorporar a especialistas en coeducación e igualdad en los órganos responsables de la evaluación, investigación e innovación educativa y en los servicios de apoyo al profesorado". No futuro falar-se-á não de reivindicações de professores, mas sim de reivindicações de professores e professoras. A Real Academia provavelmente não vai ser entusiasta das pretendidas alterações: as constantes repetições para mencionar os dois sexos são simplesmente um estorvo deselegante.
domingo, fevereiro 24
quarta-feira, fevereiro 13
Inversões
Ontem, na Universidade de Santiago de Compostela, Maria San Gil, presidente do PP no País Basco, foi impedida de ter uma intervenção pública, após tentativa de agressão por umas dezenas de jovens inflamados. Chamaram-lhe fascista e terrorista e gritaram: Que a ETA te mate!
Maria San Gil deu a cara como testemunha presencial de um assassínio cometido pela ETA e há anos que não pode sair à rua sem escolta policial
Maria San Gil deu a cara como testemunha presencial de um assassínio cometido pela ETA e há anos que não pode sair à rua sem escolta policial
MInistra da habitação deixa casa em estado lamentável
A ministra da habitação do governo espanhol, Maria Antonia Trujillo, deve ser uma selvagem que não sabe habitar uma casa. Pelas notícias, fico a imaginar que tenha abrigado porcos e galinhas no terraço e plantado alfaces na banheira e tomates no bidé. Ocupou um andar de 220 metros quadrados no centro de Madrid até Julho de 2007. Por razões de segurança, o ministro da justiça, Mariano Fernández-Bermejo, vai ter que se mudar para lá. (Há eleições em 9 de Março, um pormenor.) O estado do andar obrigou-o a obras de recuperação no valor de 250 mil euros, pagos pelo orçamento do ministério. As facturas mostram que, além de mobília e tapetes, a reparação do terraço e da casa de banho têm grande quota nos gastos. Parabéns a El Corte Inglés.
sábado, fevereiro 9
Las costumbres
Em Espanha como cá, os partidos "de direita" movem-se um pouco às cegas e sem saber bem o que hão-de propor. A argolada mais recente do PP em Espanha é a intenção de fazer os imigrantes aprender a língua e respeitar os costumes. Deixando já de lado saber o que é a língua espanhola e quem a respeita, não se percebe bem a que costumes se refere a medida anunciada. Jantar às 11 da noite? Dormir a sesta? Como a conversa do PP também fala do problema do véu para as mulheres, supõe-se que ele tem claramente em vista o sector muçulmano da imigração. Ora, em relação a esses o PP devia ter mais cuidado com o que diz, porque há um costume espanhol que os muçulmanos interiorizaram na perfeição: votar no PSOE.
Padrões de decência
O Supremo Tribunal do Nebraska reconheceu ontem que grelhar pessoas numa cadeira eléctrica é infligir-lhes uma "pena cruel e fora do comum". O Nebraska era o último estado a usar sistematicamente esta forma de tortura, que a partir de agora fica legalmente interdita. Os juízes afirmaram que o tribunal se viu compelido a reexaminar a questão devido à "subida dos padrões de decência". Reconhecem a tentação de infligir sofrimento a um criminoso, mas pensam que "uma sociedade civilizada deve castigar a crueldade sem a praticar".
Como a injecção letal também tem sido objecto de fortes críticas, deve haver já intensa pesquisa sobre métodos de execução indolor.
Como a injecção letal também tem sido objecto de fortes críticas, deve haver já intensa pesquisa sobre métodos de execução indolor.
sexta-feira, fevereiro 8
É uma espécie de pessoa
Em todos os noticiários de rádio, tv, jornais e internet de ontem, falou-se do julgamento do rapaz acusado de causar a morte de Gisberto ou Gisberta. E como há cerca de um ano, das notícias dadas sobre os trágicos acontecimentos infere-se que Gisberta não é bem uma pessoa: é "transsexual", é mais adjectivo que nome.
Os media abraçam a moda politicamente correcta, exibem com desvelo o "traço identitário", promovem encobertamente o conceito de "crime de ódio". Os oportunistas que fingem defender "minorias" acham bem e os ingénuos vão atrás. Não lhes importa, ou ignoram, que a discriminação comece com aquela referência obsessiva.
Na verdade, ou estamos perante uma clara discriminação ou então, em todas as notícias de crime e tribunal deverá incluir-se a correspondente menção a respeito de vítimas e, já agora, também dos arguidos. O que é relevante neste caso deverá sê-lo noutros. Para melhor poder ajuizar, o povo anseia por saber se Carolina Salgado é hetero, se Valentim Loureiro, Bexiga ou os reitores ou vice-reitores da Independent eram lésbicas, quais as preferências sexuais do casal McCann, dos elementos do gang do multibanco e do segurança que eles assassinaram, etc. Jornalistas, mãos à obra. Preencham os espaços em branco. Queremos adjectivos!
Os media abraçam a moda politicamente correcta, exibem com desvelo o "traço identitário", promovem encobertamente o conceito de "crime de ódio". Os oportunistas que fingem defender "minorias" acham bem e os ingénuos vão atrás. Não lhes importa, ou ignoram, que a discriminação comece com aquela referência obsessiva.
Na verdade, ou estamos perante uma clara discriminação ou então, em todas as notícias de crime e tribunal deverá incluir-se a correspondente menção a respeito de vítimas e, já agora, também dos arguidos. O que é relevante neste caso deverá sê-lo noutros. Para melhor poder ajuizar, o povo anseia por saber se Carolina Salgado é hetero, se Valentim Loureiro, Bexiga ou os reitores ou vice-reitores da Independent eram lésbicas, quais as preferências sexuais do casal McCann, dos elementos do gang do multibanco e do segurança que eles assassinaram, etc. Jornalistas, mãos à obra. Preencham os espaços em branco. Queremos adjectivos!
terça-feira, fevereiro 5
Mas que as há...
Estes jornalistas continuam a cometer grosseiros erros de raciocínio. Da informação "não foi notado qualquer indício da passagem por Portugal desses elementos" retiram a conclusão em título: "autoridades de segurança portuguesas concluíram que Portugal não serviu de passagem para qualquer elemento da célula terrorista". Deve ser um efeito colateral do abaixamento de qualidade do ensino em geral, e da matemática em particular. É como se concluissem, a partir da ausência de indícios da existência de Deus, que Deus não existe. Eu também não creio em bruxas.
quarta-feira, janeiro 30
Explicador, precisa-se
Não sei se a substituição do ministro da saúde foi um passo acertado de Sócrates. De acordo com os críticos mais influentes, não se infere que seria imperioso demitir o ministro. O que fazia falta era contratar um Explicador. Vale mais pensar nisso desde já, porque a nova ministra sem Explicador vai patinar no mesmo lodo.
domingo, janeiro 27
Religiões
Espanha e Portugal reconheceram recentemente o estatuto de associação religiosa à seita da Cientologia. Está aberto o caminho para as novas religiões do milénio. Parece-me que será ainda mais fácil o caminho para outras com mais adeptos e não menor espiritualidade:
-lutadores contra o aquecimento global
-militantes anti-transgénicos
-vegetarianos e macrobióticos
-guevaristas
-saudosos da URSS
-socialistas em general (exceptuado o PS)
etc.
-lutadores contra o aquecimento global
-militantes anti-transgénicos
-vegetarianos e macrobióticos
-guevaristas
-saudosos da URSS
-socialistas em general (exceptuado o PS)
etc.
A avaliação
Começou o tortuoso processo de avaliação dos professores dos ensinos básico e secundário, provocando receios e desespero em muitos docentes.
Ora, parece-me que se trata de medos injustificados. A Doutora Conceição Castro Ramos, presidente do CCAP (Conselho Científico para a Avaliação dos Professores) tem posições muito claras sobre como deve ser feita uma avaliação. Pelo menos no caso dos estudantes:
ela defende uma pedagogia para todos e uma pedagogia aberta à vida e a necessidade de desenvolver os alunos em actividades viradas para o desenvolvimento de processos complexos de pensamento e diz que esta nova pedagogia não se coaduna com um sistema de avaliação concebido com ênfase noutros pressupostos.
Acrescenta que mudou o sistema - que se pretende flexível, não selectivo e eficaz;
mudou o carácter permissivo da reprovação, que deu lugar ao carácter excepcional da retenção, porque numa escola básica, que não é selectiva,a a repetência deve ser uma medida de último recurso;
foi introduzida a articulação da avaliação dos alunos com a avaliação do sistema de ensino (avaliação aferida);
a dualidade da certificação;
foi reforçada a função formativa da avaliação, o papel dos alunos e encarregados de educação no processo e o desenvolvimento do sistema de apoio e complementos educativos. (Lido aqui.)
Por coerência com as suas ideias, a presidente do CCAP deverá propôr orientações para uma avaliação não selectiva e com certeza que a retenção em escalões inferiores vai ter um carácter absolutamente excepcional. A avaliação dos professores a que a senhora cientificamente preside só pode ser entendida na sua vertente formativa. Não há que entrar em pânico.
Ora, parece-me que se trata de medos injustificados. A Doutora Conceição Castro Ramos, presidente do CCAP (Conselho Científico para a Avaliação dos Professores) tem posições muito claras sobre como deve ser feita uma avaliação. Pelo menos no caso dos estudantes:
ela defende uma pedagogia para todos e uma pedagogia aberta à vida e a necessidade de desenvolver os alunos em actividades viradas para o desenvolvimento de processos complexos de pensamento e diz que esta nova pedagogia não se coaduna com um sistema de avaliação concebido com ênfase noutros pressupostos.
Acrescenta que mudou o sistema - que se pretende flexível, não selectivo e eficaz;
mudou o carácter permissivo da reprovação, que deu lugar ao carácter excepcional da retenção, porque numa escola básica, que não é selectiva,a a repetência deve ser uma medida de último recurso;
foi introduzida a articulação da avaliação dos alunos com a avaliação do sistema de ensino (avaliação aferida);
a dualidade da certificação;
foi reforçada a função formativa da avaliação, o papel dos alunos e encarregados de educação no processo e o desenvolvimento do sistema de apoio e complementos educativos. (Lido aqui.)
Por coerência com as suas ideias, a presidente do CCAP deverá propôr orientações para uma avaliação não selectiva e com certeza que a retenção em escalões inferiores vai ter um carácter absolutamente excepcional. A avaliação dos professores a que a senhora cientificamente preside só pode ser entendida na sua vertente formativa. Não há que entrar em pânico.
O difícil estado laico
O caso já não é novo, mas foi levantado há dias na Voz de Galicia: uma cadeia de matadouros vai produzir carne halal ou, em termos directos, vai abater animais por degolação e sem anestesia.
Ecologistas, defensores dos animais e alguns produtores protestam. O certo é que tudo se faz dentro de normas da UE, que permite estas práticas ao mesmo tempo que proíbe a matança tradicional do porco. Os governos muito ágeis na caça aos crucifixos e que se calam ruidosamente em casos como este não estão, afinal, muito preocupados com a laicidade. A guerra do estado aos símbolos religiosos só vale para os cultos em nome dos quais não há planos para fazer explodir comboios cheios de cidadãos.
Ecologistas, defensores dos animais e alguns produtores protestam. O certo é que tudo se faz dentro de normas da UE, que permite estas práticas ao mesmo tempo que proíbe a matança tradicional do porco. Os governos muito ágeis na caça aos crucifixos e que se calam ruidosamente em casos como este não estão, afinal, muito preocupados com a laicidade. A guerra do estado aos símbolos religiosos só vale para os cultos em nome dos quais não há planos para fazer explodir comboios cheios de cidadãos.
sexta-feira, janeiro 25
Adivinhe quem é o ministro
Ontem à noite, a SIC-Notícias exibiu uma conversa, a que deu o nome de entrevista, entre um senhor chamado Manuhcher Mottaki e uma senhora de nome Rebeca Abecassis. Entre outras coisas curiosas, a senhora disse, a certa altura: "Vários países possuem armas nucleares. Porque não há-de o Irão tê-las?"
A SIC anunciara que, na "entrevista", o ministro dos negócios estrangeiros do Irão, Manuhcher Mottaki, falaria dos novos acordos com Portugal e explicaria a posição do Irão em relação à bomba nuclear.
Penso que se tratou de um lapso da SIC. Fiquei convencido de que o ministro iraniano se chama Rebeca Abecassis.
A SIC anunciara que, na "entrevista", o ministro dos negócios estrangeiros do Irão, Manuhcher Mottaki, falaria dos novos acordos com Portugal e explicaria a posição do Irão em relação à bomba nuclear.
Penso que se tratou de um lapso da SIC. Fiquei convencido de que o ministro iraniano se chama Rebeca Abecassis.
segunda-feira, janeiro 21
Pontos de vista

Jacqui Smith, secretária do governo britânico, foi a Peckham comprar um kebab. Peckham é uma zona degradada de Londres, e a senhora Smith quis apagar a gaffe cometida uns dias antes, quando afirmara ter medo de andar nas ruas de Londres à noite. Com a sua corajosa ida a Peckham tentou devolver a confiança às hostes.
A história, contada no Guardian, pouco adianta. O Daily Mail foi saber mais e a investigação resultou numa versão mais engraçada. A senhora Smith foi de facto comprar um kebab a Pekham, mas à hora do chá e com guarda-costas.
sexta-feira, janeiro 18
terça-feira, janeiro 15
À espera de guião
A greve dos argumentistas parece continuar a provocar danos colaterais. Depois da anulação do espectáculo dos globos de ouro, outro espectáculo é atingido: a assembleia da Aliança de Civilizações com Zapatero arranca só com três chefes de estado e sem Antonio Banderas, George Clooney e Angelina Jolie, ao contrário do que tinha sido anunciado.
Choque fiscal sectorial
Um deputado do BE reconhece, afinal, que o choque fiscal pode reanimar a economia. Depois de ter votado favoravelmente a proposta de António Costa para isentar de taxas municipais a organização do Rock in Rio, José Sá Fernandes afirma, segundo o PÚBLICO de hoje: Se a Câmara cobrasse as taxas não havia Rock in Rio. Pode inferir-se agora por que motivo não haverá muitas outras coisas.
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