sexta-feira, novembro 30

"No"


Fascistas encheram ontem a avenida Bolivar, em Caracas. (Foto: The Devil's excrement) De acordo com o que conta o NYTimes, são cada vez mais os venezuelanos que não compreendem os benefícios do socialismo. Hoje será a vez do "sim" encher a avenida.

quinta-feira, novembro 29

Se viaja para o Reino Unido, cuidado com a língua

Um homem de 55 anos foi condenado a 10 dias de prisão (suspensa) por ter tido o azar de chamar puta inglesa a uma senhora de Gales. Tudo se passou na sequência de uma discussão por causa de um carro riscado. O crime que figura no veredicto: chamar nomes a um urso de peluche, perdão, enganei-me, comportamento racista agravado.

A anemia vocabular

Sobre as últimas notícias de repressão à oposição a Putin, grandes dirigentes mundiais aprimoraram-se na escolha dos verbos para exprimir estados de espírito.

Barroso: "I was very concerned..."

Bernard Kouchner: "I am surprised by this violence." Atreveu-se a pedir uma explicação.

Bush: "I am deeply concerned..."

Face ao horror que se abate sobre a professora inglesa presa no Sudão, Gordon Brown "was disappointed..." Actualização: Sabe-se agora (20.00h) que a professora foi condenada apenas a 15 dias de prisão seguida de expulsão. O Foreign Office já manifestou "disappointment", enquanto o Muslim Council of Britain, mais impressionável, se declarou "appalled" (as notícias dão a entender que é porque consideram a pena dura demais, não imaginemos coisas). Malcolm Moss, um conservador do Commons foreign affairs committee, disse que tudo isto é "disgraceful".

Exércitos de imaginativos assessores afadigam-se, certamente, a organizar listas de verbos, substantivos e adjectivos (não sei se ainda se diz assim) não contundentes. Do outro lado, alguém se ri desta gramática. Eles também a conhecem mas usam, em paralelo, meios mais persuasivos.

terça-feira, novembro 27

A virgem e as socialistas (ou o grau zero da lucidez)



Se concebeu o filho, não o fez certamente sendo virgem. No dia em que fomos informados de que uma professora se arrisca a prisão e 40 chicotadas no Sudão por causa de um ursinho de peluche, e poucos dias depois da condenação de uma jovem na Arábia Saudita a 200 chicotadas por ter estado num carro com um homem, o grande motivo de indignação destas básicas é o discurso da Igreja Católica sobre a Virgem Maria. Pobres loucas, não percebem que a sua campanha tem menos sentido do que pedir uma edição revista do Memorial do Convento em que Blimunda não escuta vozes nem guarda vontades numa garrafa. O melhor é fazerem já as malas e iniciarem por esse mundo fora a campanha de mudança de etiquetas que se impõe: Prado, Brera, Uffizzi, Vaticano, Louvre, Alte Pinacotek, Metropolitan... o mundo espera-vos para ficar limpo de poesia e mistério.

segunda-feira, novembro 26

Outra mudança faz de mor espanto...

A grande palavra-chave das ciências humanas nos dias que correm não é globalização, não é acção afirmativa, não é minorias e desigualdades, nada disso. O grande tema da investigação pós-moderna parece ser o contexto de mudança. Pelo menos é o que se depreende de títulos que se apanham a granel.

DESENVOLVER E GERIR COMPETÊNCIAS EM CONTEXTO DE MUDANÇA (Publicado na Revista Hotéis de Portugal – Julho/Agosto 2004)
As Ciências Sociais - Cultura e desenvolvimento organizacionais em contexto de mudança
Modelação das preferências modais em contexto de mudança: elementos para a definição de políticas de transportes em Portugal. CESUR IST
"Justiça Relacional nas Organizações e Comportamento Humano em Contexto de Mudança", apresentada no Encontro de Psicologia Social e Organizacional, Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE), Lisboa.
A cultura profissional de professores de Matemática e o trabalho colegial entre professores em contexto de mudança curricular...
Ser Professor em contexto de mudança
o trabalho intelectual-profissional em contexto de mudança social
As actividades de enriquecimento curricular em contexto de mudança”.
Representações sobre aborto: activismo, (i)legalidades e saúde reprodutiva num contexto em mudança

A lista está muito longe de ser exaustiva. Sente-se aqui um filão com grande força. Admira não haver ainda um esforço sinergético, criando por exemplo departamentos universitários ou projectos de investigação para aprofundar cientificamente o contexto de mudança per se. Uma licenciatura em contexto de mudança também não ficava mal e, a julgar pela amostra, os alunos sairiam armados de competências polivalentes que lhes permitiriam empregabilidade imediata.

sábado, novembro 24

O fabuloso destino de Olga Almeida

A senhora que se fazia passar por juíza ou advogada para extorquir dinheiro a pessoas e empresas publicamente indiciadas por dívidas vai, provavelmente, ser libertada, por já ter cumprido três anos de prisão preventiva. Agia por dificuldades financeiras. Um problema de muita gente, que provavelmente não terminará aqui. Faz bem por isso o Estado ao não permitir a publicitação das suas próprias dívidas. Era o que faltava, sujeitar-se (e a todos nós por arrastamento) às investidas de uma Olga qualquer. Os particulares que a aturem.

sexta-feira, novembro 23

Prémio Rádio Clube



João Guerreiro, vencedor das Olimpíadas Ibero-Americanas de Matemática, 20 valores no exame nacional, actualmente no programa Novos Talentos em Matemática da Fundação Calouste Gulbenkian, acaba de vencer também a competição para Jovem do Ano no Rádio Clube. Os outros concorrentes eram Ricardo Araújo Pereira, do Gato Fedorento, Pacman, vocalista dos Da Weasel e o jornalista João Pereira Coutinho. Votaram ouvintes do Rádio Clube (entre os quais eu) e leitores do Metro.

quinta-feira, novembro 22

Desminto

Quando fiz o post anterior, não era minha intenção dizer que as fotos tinham sido tiradas de manhã. E até podem não ter sido tiradas em Carnide. O que quis dizer é que Carnide de manhã é exactamente assim.

quarta-feira, novembro 21

terça-feira, novembro 20

O Le Monde escreve sobre Chávez

No editorial de ontem:

O activismo de Chávez na cena internacional, da América Latina ao Médio Oriente, da Rússia à França, acompanha-se na Venezuela de uma evolução inquietante para um regime autoritário. A gestão errática dos imensos recursos petrolíferos, desmultiplicadas por um preço do barril próximo dos 100 dólares, começa a prejudicar os programas sociais que valeram ao chefe do Estado uma popularidade sólida.

A concentração dos poderes em benefício do presidente da república, a ausência de diálogo com a oposição, a desqualificação do movimento estudantil, classificado de "fascista", o encorajamento de bandos armados (...) numa palavra, a militarização da vida política, são acompanhadas de ma corrupção sem precedente. Esta é favorecida pela opacidade das despesas públicas e pela criação de orçamentos paralelos.

O populismo não é boa solução em parte alguma.


Actualização:

Communiqué du Parti socialiste sur le Vénézuéla
Lundi 12 novembre 2007
Les électeurs vénézuéliens doivent se prononcer le 2 décembre prochain sur une réforme constitutionnelle proposée par le président Hugo Chavez. Cette réforme prétend donner au Venezuela le caractère d’État socialiste. Le Parti socialiste remarque que ce choix altère la neutralité de la démocratie vénézuélienne. Il est à l’origine d’un regain de tensions porteur de graves divisions citoyennes.

Le 7 novembre, un groupe de personnes armées a pénétré sur le campus de l’Université centrale (UCV) pour agresser des étudiants opposés à cette réforme. Neuf étudiants ont été hospitalisés. Trois d’entre eux ont été blessés par balles. Le Parti socialiste condamne ces violences et l’intolérance qu’elles révèlent. Il demande que le débat entre opposants et partisans de cette modification de la Constitution puisse garder la forme d’un échange d’arguments sanctionné le 2 décembre par les urnes.


(através de um comentário aqui )

terça-feira, novembro 13

Diálogo de civilizações

Um responsável do parlamento iraniano, Mohsen Yahyavi, teve há pouco tempo uma entrevista com membros do parlamento britânico onde foram discutidos direitos humanos. De acordo com o Times, o diálogo pode ter sido mais ou menos assim:

-Olhe, nós estamos muito preocupados com as notícias de que homossexuais continuam a ser condenados à morte no seu país.

-Sabe, de acordo com o Islão não se pode permitir a existência de gays e lésbicas.

-Mas confirma que existem, e que os executam!

-A actividade homossexual em privado não tem mal nenhum, mas quem faz isso às claras merece ser torturado.

-Torturado?! Que coisa tão inadequada.

-Sorry, eu queria só dizer enforcado. Do modo como nós os enforcamos dá equivalência.

-Ah... Mas vocês estão a enforcar miúdos tão novos... não acham que que deveriam suspender esse tipo de execuções?

-Ora, minha senhora, eles merecem porque anda a propagar a SIDA.

-De qualquer maneira parece-nos excessivo que apliquem a pena de morte. As pessoas não escolhem a sua orientação sexual.

-Esse conceito não existe no Islão. Foi inventado para corromper a natureza humana. Alá criou-nos para nos reproduzirmos. Os homossexuais não se reproduzem.

-Também nos preocupa muito a notícia de que uma mulher engravidada pelo irmão foi condenada á morte e vai ser enforcada publicamente. O irmão foi absolvido com base no arrependimento. Não acha que há aqui uma desigualdade de tratamento inaceitável relativamente a homens e mulheres?

-Tem toda a razão. Talvez devêssemos ter apedrejado o irmão.

-Oh! Não era bem o que queríamos dizer...

-Bom, de qualquer modo esta troca de impressões correu muito bem. Tomei notas que serão muito úteis. Agora tenho que ir, um resto de bom dia.

-Bom dia.

segunda-feira, novembro 12

O redondo vocábulo

O grande sucesso do fim de semana é a frase do Rei "Porque não te calas?". Compreendo o enfado e falta de pachorra de Sua Majestade. Para além disso, no entanto, talvez haja uma incompreensão generalizada do insulto que muitos confundem com o valor facial da palavra "fascista". Fascista, nas bocas de esquerdalhos que não conhecem mais números do que zero e um (e mesmo assim não compreendem o que é o zero) é simplesmente um sinónimo vulgar de cabrão ou filho da puta. E, tal como um filho da puta chama isso a outros, tornou-se frequente o insulto "fascista" ou a sua variante "nazi" ser proferido por quem tem tendências fascistas ou nazis ou seus apoiantes.

Dado o empobrecimento semântico do vocábulo, mais vale deixá-lo morrer na companhia do cabrão e do filho de puta, que é a que merece. A grande questão não é mandar calar: é falar e não desistir de fazer ver que, de acordo com o que sabemos hoje, "comunista" é um candidato a sinónimo tão bom como o outro. E, já agora, pode-se-lhe juntar esse curioso aliado circunstancial, o islamismo como ideologia de estado. Apontar o mal é a melhor ajuda que se pode dar aos que lutam pela liberdade, em condições muito difíceis, sob os modernos regimes totalitários. Não foi evitando nomear as raizes do mal que se ajudou a cair um muro, há uns anos atrás.

O fim da ASJ?

A Associação Sindical de Juízes está a pressionar contra a aplicação a estes profissionais do estatuto de funcionário público. Eles não dizem, porque não é necessário, mas certamente que, em coerência, a vitória deverá implicar a implosão da ASJ.

domingo, novembro 4

Conversas de urinol



Ontem, na Universidade de Nova York, realizou-se a conferência Outing the Water Closet: Sex, Gender, and the Public Toilet . O programa pode ser consultado aqui

Podemos ter uma ideia dos temas abordados através dos trabalhos de Ruth Barcan, uma das conferencistas, professora de estudos de género na Universidadede de Sydney. Por exemplo, num artigo publicado no Journal of International Women’s Studies Vol 6 #2, 2005, Barcan chama a atenção para a subtil diferença entre "limpeza" e "sinais de limpeza":

Modern westerners avidly consume the signs of cleanliness, which may or may not have much to do with actual cleanliness or health. For example, chemical air-fresheners do not cleanse or purify the air but mask the smells we associate with dirtiness using a blend of (arguably) toxic chemicals. (One of the men in my study said there were “two schools of thought” about whether or not so-called “trough lollies” [urinal deodorizers] actually improve the smell of urinals. “It’s the kind of debate men have at pubs,” he said.)

E mais à frente: The increasingly avid consumption of signs of cleanliness is made possible by the experiential and conceptual distancing from nature brought about by modernity. Modernity is characterized by ambivalence about nature (...)

Se não fosse este artigo eu nunca viria a ter consciência de que a minha empregada, a Dona Vitória (que muito prezo) é adepta fervorosa da modernidade.

O artigo contém muitos outros profundos e inesperados ensinamentos, mas não deve ser lido durante uma refeição.

(Na foto: urinóis do Cinema São Jorge, Lisboa.)

segunda-feira, outubro 29

No inferno do ensino/aprendizagem



Vamos lá ver se dou conta do recado esta semana. Para começar, vou identificar as situações-problema, fazer uma ficha de avaliação diagnóstica e elaborar o plano de recuperação. Não posso esquecer-me de descrever as metodologias a adoptar, o plano de acção a desenvolver e as metas a atingir.
Vou ter o cuidado de seleccionar as estratégias de ensino aprendizagem de acordo com a complexidade dos conteúdos e as aprendizagens anteriores dos alunos. Vai dar-me algum trabalho preencher aquela lista de recursos diversificados de ensino/aprendizagem, mas lá chegarei.
Tenho que incluir algumas fichas de avaliação formativa e um plano de integração na área de projecto. Que sorte a minha escola ser agora um TEIP. Bem, mas não posso divagar, senão não me vai chegar o fim de semana para preencher as grelhas sobre intervenção oral e compreensão escrita que ainda tenho pendentes da semana passada. Ainda vou ter que combinar com a coordenadora do Eco-Clube a sessão de leitura de folhetos publicitários impressos em papel reciclável. Se ela não estiver de acordo, não me atrapalho, deixo isso para uma OTE ou uma TOA, talvez aquela do desenvolvimento das relações inter-pessoais e da alteração de comportamentos e atitudes.
Ao menos, enquanto estou entretida nisto, não me vem à cabeça a cena do aluno que me apalpou as mamas há quinze dias e que quase me ia despindo em plena sala de aula.

quinta-feira, outubro 18

Che fracturante



O editorial do El País "Caudillo Guevara", publicado no dia 10 de Outubro, é desaprovado por mais de dois terços da redacção, soube-se hoje. "O texto não abordava na sua totalidade uma figura suficientemente complexa para ser tratada como se não houvesse uma gradação de cinzentos."

(Foto em Little Green Footballs)

P.S. Che é (literalmente) fracturante também na Veneuela, onde um monumento em vidro, em sua memória, foi destruído menos de três semanas depois da inauguração.

domingo, outubro 14

Doris Lessing sobre o politicamente correcto como legado do Comunismo

Apesar da morte do Comunismo, os modos de pensar a que ele deu origem ou força ainda dominam as nossas vidas. Nem todos são tão evidentes (...) como o politicamente correcto.

Primeiro ponto: a linguagem. (...)Há uma gíria Comunista reconhecível em cada frase. Pouca gente na Europa não brincou com "passos concretos", "contradições", "interpenetração dos opostos" e por aí fora.

A primeira vez que vi que os mortíferos slogans tinham asas para voar para bem longe das suas origens foi num artigo do Times em 1950. "A manifestação de sábado foi uma prova irrefutável de que a situação concreta..." Palavras confinadas à esquerda (...) tinham adquirido utilização comum e, juntamente com elas, as ideias. Encontravam-se artigos na imprensa conservadora e liberal que eram marxistas, mas os autores não o sabiam. Mas há um aspecto desta herança muito mais difícil de ver.

(...) O Izvestia, o Pravda e muitos outros jornais comunistas eram escritos numa linguagem que parecia concebida para encher o maior espaço possível sem dizer nada. (...) Mas a herança da linguagem morta e vazia nos dias de hoje encontra-se nas universidades, particularmente em áreas da sociologia e da psicologia.


O segundo ponto liga-se com o primeiro. (...) A todos os escritores se pergunta: "Acha que um escritor devia...?" A pergunta tem sempre a ver com uma posição política e por detrás da pergunta assume-se que todos os escritores deveriam agir do mesmo modo (...) Outro exemplo é o do "compromisso", tão em moda não há muito tempo. Fulano de tal é um ecritor comprometido?

Ao "compromisso" veio seguir-se o "alertar das consciências". (...) Aqueles cujas consciências são alertadas podem receber a informação de que necessitam desesperadamente (...) mas o processo quase sempre significa que o receptor só tem acesso a propaganda aprovada pelo instrutor.


A exigência de que um trabalho da imaginação, uma história, tenha que ser "acerca de" alguma coisa vem do pensamento comunista e, mais atrás ainda, do pensamento religioso (...)

O politicamente correcto tem um lado bom? Sim, porque nos leva a reexaminar atitudes (...) O problema é que em todos os movimentos populares a franja lunática rapidamente deixa de ser franja; é a cauda que passa a abanar o cão. Por cada um que está a tentar uma análise séria e cuidada, há 20 agitadores cuja real motivação é o poder sobre os outros (...)

Tenho a certeza de que milhões de pessoas, a quem o tapete do Comunismo foi retirado, estão desvairadamente à procura, sem o saberem, de outro dogma.


Escrito em 1992 e republicado ontem no New York Times. Via The reference frame.

sábado, outubro 13

Há 700 anos




No dia 13 de Outubro de 1307, uma sexta feira, foi executada a acção policial que Guillaume de Nogaret, ministro de Filipe IV de França, preparou cuidadosamente, e em que foram presos membros da ordem dos Templários por toda a França. O grão-mestre, Jacques De Molay, estava em Paris, onde tinha participado no funeral da cunhada do rei.

A memória de Nogaret é evocada, na literatura ndo século XX, através de uma personagem com o mesmo nome na novela Monsieur de Lawrence Durrell.

Conversa no jardim de Évora



-Já não vale a pena, agora fazes o que tu quiseres.
-Ora, aposto que tu ainda arranjas outra pessoa mais depressa que eu.
-Sei lá, o que eu menos penso agora é arranjar.
-Se não arranjas, ao menos deixas-te arranjar, que eu sei muito bem. Não te dou nem um mês que já estás acompanhada.
-Ó amor, ai porra, desculpa, ó Joaquim, pára com essas merdas agora que acabou tudo.

quarta-feira, outubro 10

O véu mental

O governo inglês acaba de anunciar uma lei que pune crimes de ódio contra "gays" com pena até sete anos de prisão. Cabe à polícia avaliar se os delitos caem dentro da alçada da nova lei, que abrange também lésbicas e bisexuais. Ficam de fora por enquanto os "trangéneros". Como o conceito de "crime" introduzido é muito lato e ambíguo, é natural que no futuro próximo em Inglaterra só se possa fazer humor sobre heterosexuais empedernidos, o que pode fazer o nível das piadas cair a pique. A notícia já gerou no Daily Mail online o dobro do número de comentários à do caso Maddie.

Em Itália está em discussão o uso da burka. Um magistrado de Treviso, Vittorio Capocelli, emitiu parecer favorável ao uso e logo foi apoiado pela ministra da família, Rosy Bindi, para quem o véu é manifestação de uma cultura escolhida livremente. As opiniões estão fracturadas, com os "progressistas" do costume a secundarem Capocelli e Bindi. Muitos europeus já escolheram, livremente, o uso de um véu mental.