sábado, agosto 11

No escuro (II)

O ponto da situação sobre o mistério do desaparecimento de Madeleine McCann está em dois artigos do Daily Mail de hoje: a nova atitude da polícia face ao casal e as perguntas por enquanto sem resposta.

quinta-feira, agosto 9

No escuro

Os pais de Madeleine McCann vêem-se envolvidos na tragédia por novas razões. Tendo contribuído para o assalto das televisões e jornais ao enigmático acontecimento, transformado em reality-novela, são agora vítimas das reviravoltas do argumento (parcialmente escrito nas redacções por múltiplos autores) e das variações de simpatia do público. Em entrevista ao Evening Standard, o advogado de Murat ataca os McCann e afirma que a população da Luz quer vê-los pelas costas. Hoje, Gerry ainda não actualizou o seu blog. .

terça-feira, agosto 7

Em busca da culinária perdida



Entre as joias da culinária portuguesa, o bacalhau à Braz é das que mais foram desfiguradas pelo desmazelo da cozinha em que caem restaurantes maus, bons e assim-assim um pouco por todo o país. Por isso merece destaque a descoberta de algum dos raros sítios onde sabem fazê-lo gostoso.

O melhor bacalhau à Brás que comi em restaurante foi provado nos arredores de Lisboa há uns 20 anos, mas o restaurante, que suponho ainda existir, deixou de o fazer.

Há poucos dias tive a sorte de encontrar um bacalhau à Brás de 4 estrelas, numa escala de 5, num restaurante completamente despretensioso: o Imperial, em Tavira. Para quem está perto, garanto que o desvio vale a pena.

segunda-feira, agosto 6

Ingrid Betancourt já em liberdade?

De acordo com esta notícia, Ingrid Betancourt poderá já estar na Venezuela e será entregue brevemente à mulher de Sarkozy. Intermediário nas negociações com as FARC: Hugo Chávez.

O governo francês nega os rumores e a mãe de Ingrid tem dúvidas.

Duas horas de pé: um massacre

"É complicado para os homens e mulheres presentes nesta cerimónia, ficarem obrigados a estar ali duas horas e tal de pé, à espera que a cerimónia acabe. É mais um sacrifício do que propriamente um dia de festa", palavras de um membro da Associação Sindical de Profissionais de Polícia a respeito de umas comemorações a que não podem assistir sentados.

Tem razão o porta-voz. Há coisas que não se devem exigir a um polícia. Quem está treinado para passar duas horas de pé é quem tem de apresentar queixa de um roubo de telemóvel, enquanto alguém (sentado) do outro lado do balcão inquire e tecla, sem pressas, preenchendo um formulário electrónico.

Preso por ter cão

Etemad Melli é o nome de um jovem que perdeu o seu cão. Ao tentar pôr um anúncio para o recuperar foi preso. As autoridades pretendem assim enviar uma mensagem clara contra uma cultura corrupta importada do ocidente. A cena passa-se em Teerão.

domingo, agosto 5

Sol do sul

Silly season 2



As pessoas precisam mesmo de quem lhes diga o que podem e o que não podem fazer. Basta andar pelos passeios, pelas esplanadas ou pelas praias para ficarmos estarrecidos com o número de doentes que andam por aí em vez de recolherem a casa ou ao hospital. A situação é tanto mais alarmante quanto se sabe agora que se trata de uma doença infecciosa. Alguém tem que fazer alguma coisa, já.

Silly season 1



Não sei se a venda de rosas em restaurantes pelos paquistaneses vai de vento em popa, mas não há uma alma caridosa que lhes explique a maneira fácil de duplicar as vendas? Eles ignoram não só as mesas em que há dois homens ou duas mulheres mas também quem gosta de jantar só.

Há 45 anos



Numa tarde quente de Agosto sabia-se, pela rádio, que Marylin se suicidara. A aldeia já era global. Era domingo, como hoje.

terça-feira, julho 31

Luz de Inverno



O mistério da ausência de Deus, por Ingmar Bergman, 1963.

segunda-feira, julho 30

Não surpreende

Pelo contrário, é apenas uma confirmação para quem acredita no carácter estruturante do conhecimento matemático: os estudantes que tiveram mais matemática no ensino secundário têm melhor desempenho em todos os tipos de ciência na universidade. Há uma grande variedade de dados quantitativos, mas esta frase condensa o essencial do artigo de Philip M. Sadler publicado na Science na semana passada.

sábado, julho 28

Freguesia X

X é o nome da minha freguesia. A junta edita e distribui pelas caixas de correio o boletim "X". São 11000 exemplares de 24 páginas a cores, com fotos dos membros do executivo, entrevistas aos próprios ou aos membros da assembleia de freguesia, breves sobre as grandes realizações em matéria de jardins, organização de convívios e passeios e êxitos na criação de associações desportivas. Em complemento, notas sobre o que não se conseguiu fazer, por culpa da câmara de Lisboa. O número deste mês inclui duas páginas de educação sobre os problemas ambientais onde somos aconselhados a tomar duche em vez de utilizar a banheira, a preferir os transportes públicos, a colocar filtros nas chaminés das fábricas e a utilizar os transportes públicos (é assim mesmo). O autor do artigo esqueceu-se de falar das árvores que se poupariam se o "X" deixasse de ser publicado.

Como tema recorrente, a junta passa todos os meses a mensagem de que X é um lugar único e mágico.

Um pouco de socialismo soft em versão kitsch açucarada não faz mal a ninguém. Mas suspeito que pelo menos o pavimento de uma rua esburacada, de que a junta se queixa, poderia ser resolvido com a suspensão do "X". Declaro-me pronto a prescindir desta leitura. Em caso de saudades, compro o Avante.

quarta-feira, julho 25

Sempre contra o medo. O medo de quem?

Há cerca de ano e meio, Cavaco era, para Manuel Alegre, o candidato da direita, do neo-liberalismo e do desmantelamento do estado social; o candidato com um programa de controlo do poder e que, sendo eleito, provocaria uma crise política em seis meses.

Das duas uma: ou a análise e previsões de Manuel Alegre não valem nada, ou, confrontando estes avisos com as actuais preocupações de Alegre e com o seu artigo de hoje no PÚBLICO, cada vez mais se confirma que o alvo do então candidato era outro. O que ele queria dizer é que, com Cavaco na presidência, o tal verdadeiro alvo ficaria em roda livre.

terça-feira, julho 24

Para compreender os quadros interactivos

Surpreendido pelas notícias de ontem, não quis ficar feito bota de elástico a lamentar o provável desaparecimento do quadro preto com giz e fui procurar compreender a maravilha que se anuncia com trombetas e holofotes. Nada melhor do que deixar falar quem sabe. Encontrei assim este testemunho de um participante num encontro sobre quadros interactivos que, numa linguagem cheia de carisma e com um conteúdo completamente original, me deixou esclarecido.

Os quadros brancos interactivos (QBI) foram apresentados como um recurso tecnológico a optimizar no processo de ensino-aprendizagem. Os testemunhos das docentes x, y e z, revelam o surgimento dum novo paradigma educativo que passa pela escola virtual. Vimos que o aluno assume uma grande autonomia na sua aprendizagem. O docente aparece como o facilitador e orientador dos contextos de aprendizagem.
Neste encontro vimos também exemplos de trabalhar pedagogicamente por competências com uma metodologia de projecto e aprendizagem colaborativa. Os alunos assumem uma participação criativa na construção do conhecimento.
Mas que impacto terá o QBI na aprendizagem desta nova geração de alunos? Como avaliar? Quais os resultados?
O desafio nasce para a investigação científica na área das ciências da educação. Numa metodologia de investigação objectiva / quantitativa teremos diversas dificuldades, porque em educação há muitas variáveis. Todavia, numa análise qualitativa, ficou a impressão subjectiva dos pais ao referirem, por comparação entre filhos, que verificam uma diferença: mais motivação, brio e aplicação na realização das tarefas.
Espero, por fim, que o projecto Interact continue a ser um estímulo à arte de ser educador. Queremos mais... aprender, criar e inovar!

Um de nós,

uvw


Portantos, a tendência outono-inverno em matéria de títulos para teses em educação será: O quadro interactivo: novo paradigma do conflito interpessoal na sala de aula ou O papel regulador específico do quadro interactivo na produção de metáforas conceptuais - um estudo de caso.

As modas globais

O Australian Mathematical Sciences Institute critica os testes de numeracia realizados recentemente pelo governo australiano, pela ignorância que revelam do que é a matemática e pelo não envolvimento de matemáticos no processo. O afastamento destes profissionais de tudo o que diz respeito ao ensino não universitário tem produzido ideias equívocas sobre a matemática moderna e em particular sobre o papel determinante da matemática "pura".

Com um ensino tomado de assalto por modas efémeras, falta pertinência matemática nos conteúdos dos programas, acabando a disciplina por perder coerência e alguns dos melhores professores. Os programas tendem a reflectir a ideia de que a matemática pura só interessa para estudos altamente especializados, ignorando o papel que ela tem nas aplicações a novos campos, como as mudanças climáticas, e na determinação da capacidade de aplicar os conceitos matemáticos.

Juiz de Múrcia diz que se vive um ambiente homossexual nas famílias espanholas

O juiz Fernando Ferrin, da primeira instância de Múrcia, afirma num auto que se vive um ambiente homossexual na maioria das famílias espanholas. Bem, não exactamente com estas palavras. Ferrin é mais subtil: "É o ambiente homossexual que prejudica os menores, e que aumenta sensivelmente o risco de que estes também o sejam." Com esta e outras asserções, em que compara a homossexualidade com actividades criminosas, o juiz fundamenta a atribuição da custódia de duas filhas ao pai, em virtude de a mãe ser lésbica e ter uma companheira.

As associações lgbt devem estar exultantes e agradecidas pelo tempo de antena que a sentença lhes dá de borla. E a atribuição de custódia à mãe, e não ao pai, porque sim, ganha uma multidão de defensores, já que, se há outras razões por detrás do caso, não se fala delas.

quinta-feira, julho 19

Em alta: Informática e Matemática

A licenciatura em Informática e Matemática da Universidade Autónoma de Madrid registou este ano a mais alta nota de acesso entre todas as das universidades da capital. Bem colocadas estão também as licenciaturas de áreas ligadas à saúde, mas há muitas vagas nas engenharias clássicas e em direito.

As licenciaturas de duplo espectro podem estar aí para ficar.

domingo, julho 15

Os resultados verdadeiramente bons

No início da noite, disse Jorge Coelho na SIC, em face de projecções, que António Costa tinha obtido um bom resultado por ter mais do dobro da votação do 2º colacado. Sabemos agora que não é assim. De acordo com o critério de Coelho, bom, bom é o resultado de Telmo Correia, superior ao dobro do de Garcia Pereira, colocado logo a seguir. E, vá lá, Garcia Pereira também se saiu muito bem, com mais do dobro dos votos alcançados por aquele senhor que se preparava para arruinar definitivamente a câmara de Lisboa oferecendo bilhetes de avião aos moradores dos bairros periféricos.

A jangada segundo Saramago

Segundo Saramago, Chávez é acusado de populismo porque se ocupa dos problemas dos pobres, coisa que faz sem fingimento. E lembra que, se está no poder, é porque o ganhou nas urnas. E que faz bom uso do dinheiro que ganha com o petróleo.

Noutra lide, Saramago entende que Portugal ganhará quando inevitavelmente se tornar província de Espanha e tem até já um modelo de organização política e um nome de companhia de aviação para o futuro novo país.

Como se soube não há muito tempo, há entre nós um sector de opinião que até estará de acordo com Saramago. Já o caso dos espanhois é mais duvidoso: talvez nem os galegos se entusiasmem com a ideia, porque o que eles prefeririam era uma desintegração.

O problema é o recorte da jangada. Forças não desprezáveis trabalham noutro sentido para a reconstrução de Al-Andaluz. Com sorte, eles anexam as Canárias e nós ainda temos tempo de fugir para o norte. Seria bom que Saramago, o Eng. Bin Laden e o Dr. Al Zawhari trocassem umas ideias sobre o assunto, como diz o título de um livro. Para ver em que ficamos, já agora. Chávez poderia ser o anfitrião, certamente com gosto. E Saramago, num pulinho à Central Madeirense, ganharia a ideia para um "Ensaio sobre a Alucinação", em que os habitantes de um país comem pacotes e pacotes de Kellogs convencidos de que estão a trincar uma bela pasta italiana. O tema parece idiota, mas à semelhança de outros, Saramago transfigurá-lo-ia com a força hipnótica da sua arte. Esta última frase é para ser levada a sério. E as outras também.