quinta-feira, dezembro 21

Boas novas

Subitamente, o Falta de Tempo fica a contar com um novo membro. Boas vindas ao Nino!

quarta-feira, dezembro 20

Delft

Entrei, por generosidade, no estúdio de um pintor que admiro há vários meses pelas "cores transparentes, composições inteligentes e brilhante uso da luz".

A longa marcha pela igualdade

No uso do véu, as mulheres não estão sós. Um dos homens mais procurados pela polícia britânica ilude a segurança em Heathrow, com passaporte falso e véu.

terça-feira, dezembro 19

O sindroma da árvore




Na província, no tempo da minha infância, o Pai Natal era quase um desconhecido e as árvores, ao contrário dos presépios, também não se usavam muito.

Assim como a Igreja sobrepôs o Natal às remotas motivações das festas de inverno, a evolução social e económica e, em particular, o sucesso do capitalismo, erodiu os símbolos cristãos e transformou a quadra num apogeu de negócio e consumismo. É provável que muita gente desconheça até o significado da palavra natal. Os símbolos hoje omnipresentes são quase sempre desprovidos de conteúdo religioso.

Em alguns países europeus tem havido preocupação de escolas e de comerciantes em não ferir a sensibilidade de outras religiões (dizem, pudicamente, no plural) assistindo-se, assim, ao cancelamento de autos de natal, à desaparição de tudo o que tinha a ver com o presépio nas iluminações de natal das cidades, e até à tentativa de banir o perú das refeições da época...

A indiferença das populações ocidentais à religião é um dado adquirido que não é de agora. Os cuidados com as outras religiões é que constituem uma faceta doentia e recente da nossa falta de cultura e reflexão, chegando-se ao ponto de proibir a árvore. No Reino Unido há também reservas, por outras razões, ao contacto de crianças com o Pai Natal...

Se o mal entendido sobre os símbolos alastra, preparemo-nos para a proibição do descanso ao domingo ou das compras em dezembro.

Espero que não nos integremos na Europa que aí vem. Não me agrada a ideia de comer bacalhau e azevias na clandestinidade.

domingo, dezembro 17

sexta-feira, dezembro 15

O código de Carolina

Os amantes que se consideram traídos ou maltratados podem transformar-se em inimigos temíveis. Em casos extremos, chegam a assassinar. Toda a gente sabe isto.

Carolina, que até tem familiaridade com o mundo da prestação de serviços de pancadaria, não precisa de recorrer à violência. Subscrever um livro é eficaz, elegante e dá milhões. Carolina, que nada tem a perder, sabe como é frágil a posição do seu ex-amante. Carolina sabe que ele, mergulhado no futebol e publicamente exposto, não tem credibilidade superior à sua, e que o interesse de um público ávido de escândalos e as invejas dos outros balneários farão o resto. A justiça bem tentou evitar meter-se em alhadas. Magistrados que podem ter escapado a Dan Brown sofrem agora a humilhação de não poder escapar a Carolina.

Tão inimigos que eles são

Suspeito que riscar Israel do mapa não é suficiente para resolver o conflito do Médio Oriente.

quinta-feira, dezembro 14

O inferno do ensino-aprendizagem

A educação básica, nos Estados Unidos, atravessa um momento mau, em muitos aspectos semelhante ao que se passa entre nós, com os estudantes americanos a ficarem mal classificados em competições internacionais. Num relatório publicado em Setembro passado, Arthur Levine, da Columbia University, faz um diagnóstico dos erros na formação de professores nos Estados Unidos e avança com algumas recomendações. Do lado negativo, destaca a tendência das escolas superiores de educação para aceitar alunos de nível medíocre. Inquéritos mostraram que, no fim dos seus cursos, os estudantes não se sentem prepararados para dar aulas. As avaliações realizadas durante os estudos incidem mais sobre procedimentos do que sobre questões substantivas. O relatório recomenda que os programas de estudo dos futuros professores incluam uma licenciatura na respectiva especialidade e que uma percentagem significativa de professores seja formada em universidades prestigiadas pela investigação que fazem.

Não é por acaso que podemos aqui reconhecer problemas e propostas de solução de que já ouvimos falar entre nós. Os profissionais de educação portugueses (como os de outros países europeus) acusam uma fortíssima influência das modas educativas que, a par de outras más ideias, foram acolhidas em universidades americanas (da "boa América", como se diz agora). Alguns deles receberam formação (PhD) em universidades americanas com departamentos especializados na formação de formadores de professores.

Referindo um caso que conheço: os programas de Matemática aprovados e as metodologias para esta disciplina impostas pelo ministério da educação desde 1997 acusam uma influência forte das directivas emanadas do NCTM, National Council of Teachers of Mathematics. Também a Associação de Professores de Matemática costuma apoiar sistematicamente as posições do NCTM.

Tem sido reinante, nesta e noutras disciplinas, uma filosofia vulgar, importada de centros medíocres, e em grande expansão desde o início dos anos 90. Essa filosofia vem reduzindo a prática profissional dos professores a uma sucessão de actos burocratizados, ao mesmo tempo que menoriza a substância dos conteúdos disciplinares. Expressões-chavão como ensino centrado no aluno, desenvolvimento da auto-estima e de métodos de expressão autónoma, e referência ao professor como um facilitador as aprendizagens, passaram a ser usadas abundantemente em documentos oficiais, mas muitos professores, descrentes do catecismo que quiseram impor-lhes, não conseguem ouvi-las ou utilizá-las - quando a isso são obrigados - sem um riso interior de desprezo.

Entretanto, sucedem-se mexidas nos programas e alterações metodológicas frequentemente absurdas. Inseguros cientificamente ou desinteressados das suas matérias de ensino, uma parte considerável dos professores encara sem espírito crítico as alterações curriculares mais disparatadas. A baixa do nível de formação de docentes ajusta-se perfeitamente à política de arbitrariedade centralizada.

Os modernos gurus da educação usam até à náusea a feia expressão ensino-aprendizagem. Ingenuamente, pensam que nos convencem de que não conseguem desligar o acto de ensinar do acto de aprender (como isso fosse possível), mas já quase toda a gente percebeu que estão apenas preocupados em simplificar o primeiro. O problema é que acabaram por complicá-lo ainda mais para a maioria, tornando cada alteração curricular menor num quebra-cabeças, acessível apenas depois de acções e mais acções de formação, a cargo da clique de iniciados. São estes que vão explicar tudo aos outros, como se eles fossem muito burros. A vida dos professores já é um inferno há muito tempo.

domingo, dezembro 10

O relatório e os aplausos


(http://www.townhall.com/funnies/cartoonist/GaryVarvel/2006/12/1/)

Em face do desastre em que se transformou a invasão do Iraque, não há soluções fáceis. O relatório do Grupo de Estudo sobre o Iraque diz, entre outras coisas, isso mesmo, mas ousa avançar com propostas de acção surpreendentes. Não pela novidade, mas precisamente por não serem novidade. Colocando em destaque a solução do conflito entre Israel e a Palestina, os relatores legitimam a grande causa árabe das últimas décadas, edificada em torno de um povo que aos próprios vizinhos só interessa como bandeira. O relatório não menciona que este problema tem uma solução simples e talvez nenhuma outra: a destruição de Israel. A recomendação de negociar com toda gente, desde Irão até aos terroristas "moderados", (a Al-Qaeda fica de fora, porque sim), é tudo menos original: até cá em casa temos um ex-presidente, ilustre defensor dessa linha política, e que provavelmente teria ido mais longe, não propondo aquela limitação.

Não é, pois, muito original a substância do relatório, tal como não é novo o desconforto que ele provoca. No tempo das palavras de ordem contra a guerra no Iraque já se sentiu o mesmo. Se a lista dos que o aplaudem com entusiasmo inclui personagens e centros de poder pouco recomendáveis, algo não bate certo. O problema é que a lista de potenciais subscritores do relatório é grande demais.


Notícias do dia: Para variar, alguém queima retratos que não são de Bush. Onde? Claro que isto só poderia acontecer em Teerão, onde estudantes de uma universidade fizeram frente a Ahmadinejad, boicotando-lhe um discurso. Que pensarão estes estudantes, e outros estratos do povo iraniano com ódio ao regime, das recomendações para o diálogo com os actuais dirigentes?

Também em Teerão começa hoje um simpósio "científico" de natureza negacionista sobre o Holocausto. Participam 67 intelectuais e investigadores de 30 países. Um advogado palestiniano com passaporte israelita, com intervenção prevista, acabou por ter o visto recusado.

terça-feira, dezembro 5

domingo, dezembro 3

Luzes não poluentes



Só podem ser vistas em passeio a pé.

Para acabar de vez com a TLEBS

Como o meu último post sobre a TLEBS teve um número inabitual de comentários para este blog, volto ao assunto pela última vez.

A TLEBS é o exemplo acabado de como o ministério da educação, ao pretender resolver um problema, cria um problema maior. Acontece agora no português mas já aconteceu noutras disciplinas. A actual ministra tem aqui uma oportunidade, que o destino lhe oferece de bandeja, para mostrar que tem coragem e bom senso acima da média dos dos seus antecessores e que está mesmo preocupada com o bom funcionamento do sistema: se desTLEBSar imediatamente o ensino da língua materna fará um figurão. É um detalhe, é certo, mas é importante porque descomplica muita coisa.

A própria Maria Helena Mateus meteu os pés pelas mãos esta manhã, em declarações à Antena 2, afirmando que não se pretendia que tudo aquilo fosse ensinado nas escolas, ao mesmo tempo que admitia que não havia indicações claras para os professores sobre os limites de utilização da tenebrosa lista de nomes.

Não se trata de contestar o ensino da gramática, mas sim a necessidade da copiosa lista de designações para níveis básicos de ensino. Em certa medida, a TLEBS está a ser para o Português o que as recomendações dos programas oficiais, para que se faça referência a certos temas de ponta muito em moda, já são há alguns anos para a Matemática. Tais referências não podem passar do nível de conversa de café; e, a par da ênfase doentia nas virtudes das "novas tecnologias", destinam-se objectivamente a desviar a atenção do essencial e a mascarar com roupagem de novo rico a má estruturação dos programas.

Os linguistas têm culpas da situação? Alguma terão, mas a responsabilidade é do ministério, que oficializou com total insensibilidade, sob a forma de portaria, o produto que aqueles gostosamente lhe puseram nas mãos por encomenda.

Sem surpresa, chega-se à conclusão de que muita gente, a quem se reconhece autoridade para ter uma opinião na matéria, discorda profundamente da solução. Isto mesmo aconteceu a partir de 1995 em relação aos programas de Matemática: as críticas vindas de muitos docentes universitários não demoveram o ministério um milímetro na aprovação do trabalho encomendado a uma determinada equipa. A razão, para mim, é simples: as equipas a quem as encomendas são feitas acabam por ficar, conscientemente ou não, nas mãos de certos "especialistas" de educação e certas direcções de associações de professores que comandam o processo, e cujo apoio tem peso determinante nas decisões.

No caso concreto da TLEBS, o que está em causa é o facto de a encomenda se destinar ao ensino básico e secundário. Sou a favor da TLEBS mas apenas entre adultos e com consentimento mútuo.

sábado, dezembro 2

quinta-feira, novembro 30

terça-feira, novembro 21

O terrorismo linguístico

Toda a magia fora extinta. As longas cavalgadas que ela tanto adorava fazer. Um dia tinha caído mesmo junto àquela árvore que se encontrava à sua direita. À esquerda, um lago suficientemente grande para passar os dias de Verão. Depois, ao pôr-do-Sol, avistava-se ao longe o cume das montanhas, e alguns veados que por lá andavam.

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Todos sabemos como são importantes as séries no nosso quotidiano. Alguns, pensam que estas fitas fragmentadas ao longo de um período, não são mais do que criações americanas para nos ajudarem a ‘passar o tempo’! E, eu até estou totalmente de acordo!


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Estas frases pertencem a textos colocados sob a entrada "Boas Leituras na Net" no site da Associação de Professores de Português (APP). Boas? Estranho qualificativo, para já não falar de discordância sintática e colocação errada de vírgulas.

Uma coisa estes textos permitem compreender: o desprezo da APP pelo bom gosto e pela correcção no uso língua portuguesa. Segundo o PÚBLICO de hoje, um abaixo assinado que reune as assinaturas de V. Graça Moura, E. Prado Coelho e José Saramago, e onde a TLEBS é contestada, não impressiona a APP: o seu presidente afirma estar à espera dos pontos de vista de quem dá aulas e não dos de escritores. Não precisava de explicar: já se tinha percebido há muito tempo.

sábado, novembro 18

Post light

A minha escolha entre as coisas que só acontecem no cinema:

- Um tipo vai na rua e apetece-lhe cantar e dançar. Uma orquestra invisível, mas completa e afinada, está pronta a acompanhar, e toda a gente com quem o tipo se cruza acerta com a coreografia.

-No quarto de dormir, depois de se apagar a luz, todos os objectos continuam visíveis, apenas um pouco azulados.

(via kariba).

sexta-feira, novembro 17

O pecado segundo o Corão

Uma mulher de 39 anos, viúva há seis, deu à luz uma criança em Hail, Arábia Saudita. Em consequência, foi condenada à morte por apedrejamento. A mulher não recorreu da sentença, que aceita como purificação. Os seus três outros filhos foram recolhidos num reformatório.

quinta-feira, novembro 16

Filosofia de fino recorte técnico

Reclamar a posse completa da verdade absoluta (...) é tão vão como a rejeição categórica da verdade (...)

Quem escreveu esta frase, quem? nada mais nada menos que Mohammad Khatami, ex-presidente do Irão, que acaba de participar no forum do Washington Post sobre "religião e monopólio da verdade". A escrita mostra que o autor não brinca em serviço. Pelo menos é um bom aprendiz do uso de certa linguagem bem reconhecível: militando na Aliança de Civilizações (leia-se do Islão com alguma esquerda europeia) o homem adquiriu capacidades que pedem meças a qualquer Eduardo Prado Coelho ou até Boaventura Sousa Santos. Aprecie-se só como ele sabe referir-se aos indivíduos incompletos que falsamente reclamam completude e procuram afirmar o próprio "Eu" obliterando a identidade do "Outro"!

Noutra passagem, Khatami fala de eliminar obstáculos e atingir objectivos. Nós, mal intencionados, lembramo-nos logo de Israel e de bombas atómicas.

Execução

Um homem condenado por sodomia foi enforcado anteontem à tarde em Kermanshah, no Irão. A execução foi aplaudida por algumas centenas de espectadores.