domingo, fevereiro 19

A ciência

Eu, como certamente os meus 7 ou 8 leitores, temos alguma noção de que a queda de uma maçã e os movimentos dos planetas têm uma causa universal comum. Ou das intimidades entre campo eléctrico e campo magnético. Mas, francamente, se me perguntassem em que aspectos ficam afectadas as mulheres atingidas por doença que levou à ablação de um seio, eu provavelmente responderia, depois de um esforço grande: sei lá, talvez na capacidade de cozinhar ou de conduzir um automóvel. Felizmente ontem à noite o telejornal da RTP1 veio abrir-me os olhos: foi divulgado um estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada onde se concluía que afinal aquelas senhoras ficam afectadas mas é na auto-estima, na relação com o corpo e na sexualidade.

Se não fosse a ciência, o que seria a nossa visão do mundo?

sábado, fevereiro 18

O amor nos tempos de internet (8)

O primeiro sinal da fuga iminente de Sofia, a que verdadeiramente não prestei atenção, surgiu pouco depois da Páscoa do ano passado. Ela tinha começado nesse ano a dar um curso de formação noutra empresa fora de horas. As aulas terminavam às 11 da noite e costumava chegar a casa entre as 11.15 e as 11.20. Certa noite do fim de Abril, eu estava muito cansado e deitei-me antes de ela chegar. Adormeci pesadamente mas acordei passado pouco tempo. Estendi o braço e toquei na ausência de Sofia. Acendi a luz, vi que passava da meia noite. Levantei-me a correr, e quando confirmei que não estava corri para o telemóvel. A chamada foi recusada, mas passado um minuto a chave rodava na porta.

Que foi, amor? Perguntei, já estava assustado. Os alunos hoje retiveram-me imenso tempo depois da aula, explicou, tranquilizante. Gerou-se uma discussão enorme à volta de um problema prático que confundiu a turma toda. Cortei-te a chamada porque não valia a pena gastares o impulso, já estava na garagem. Abraçou-me e beijou-me de fugida e passados menos de dez minutos estávamos a adormecer abraçados, como era hábito. Mas, meses mais tarde, este episódio iria ser revisto por mim como o primeiro sintoma do que estava a preparar-se. Embora sem voltar a falar nisso, fiquei com a certeza de que, naquela noite, Sofia tinha estado com o outro, talvez apenas num passeio nocturno a seguir à aula, talvez algo mais.

No início de Maio o comportamento de Sofia começou a chamar-me a atenção. Um domingo de manhã, num fim de semana quente que o Eduardo não tinha vindo passar connosco, estava ela no escritório a folhear dossiers e eu entrei para lhe perguntar, como era hábito, o que íamos fazer. Ela levou instintivamente a mão ao telemóvel que estava em cima da secretária. Foi um gesto muito rápido, inconsciente, indício de um receio comprometido. Este sinal perturbou-me, mas por ser isolado não me entretive a dar-lhe importância. Depois de almoço passeámos longamente costa do Alentejo abaixo e mergulhámos em Melides. No regresso jantámos num restaurante da estrada, a caminho de Comporta, frente à planície e ao pôr do sol com uma luz magnífica feita de vermelhos e azuis-cinzentos. Como sempre, foi a Sofia que escolheu com prazer o vinho. Quando brindámos disse, também como era hábito: À tua, meu querido, muitos anos de vida para me fazeres feliz.

Semanas mais tarde, esta cena iria intrigar-me. O dia havia de ser depois recordado como o último em que tinha estado na praia com Sofia. Talvez ela não quisesse, de facto, deixar-me, mas alguma coisa mais forte do que a sua vontade já tinha posto em marcha o golpe de ruptura.

O aviso final surgiu no fim de Maio. A aula de formação à sexta-feira terminava às dez da noite. Eu ficava a trabalhar até mais tarde e ia buscá-la para jantar fora. Dessa vez não aconteceu, e não voltaria a acontecer. Na véspera à noite tinha-me dito: A minha mãe tem insistido tanto para eu ir lá, por causa do problema da casa... estou a pensar ir lá jantar amanhã, importas-te? Senti um golpe interior e reagi sem grande firmeza. Oh, mas porquê mesmo amanhã? Porque já não os vejo há bastante tempo e também lá está amanhã o meu irmão, a justificação veio pronta, mostrando que a decisão estava tomada. Como as relações com os meus sogros eram geladas, para usar um eufemismo, nada do que acontecesse nessa sexta seria fácil de verificar. Deitei-me às duas, sem Sofia e sem sono.

Da vida real

Ilan Hilami, 23 anos, trabalhava numa loja de telemóveis na área de Paris. Uma jovem cliente assídua conquista-lhe a simpatia e um dia convida-o para tomar um copo. O convite é uma armadilha: Ilan é raptado por um bando de delinquentes, chefiado por Youssef Fofana, que pedem um resgate de 450 000 euros. A mãe de Ilan não tem meios de fazer face ao resgate. O corpo de Ilan, com mostras evidentes de tortura, apareceu no passado dia 13.

Ilan era judeu. Youssef é muçulmano.

Os moderados existem

"É uma ironia que hoje viva num estado democrático europeu e tenha que lutar contra os mesmos fanáticos religiosos de que fugi no Irão há anos". Palavras de Kamran Tahmasebi, refugiado na Dinamarca desde 1989. O caso das caricaturas levou-o a levantar a voz contra os imams na Dinamarca, que afirma prejudicarem a o processo de integração e constituirem um dos maiores problemas que o país enfrenta. Sabe bem que enfrenta riscos sérios, mas envolveu-se na dinamização de uma Rede de Muçulmanos Moderados.

Alguns responsáveis ocidentais ajoelham-se e pedem desculpas aos que têm comportamentos violentos e inadmissíveis contra o nosso modo de vida. Costumam invocar a distinção entre muçulmanos moderados e extremistas. Na verdade, estão a pedir desculpas aos extremistas, e é provável que não acreditem na existência dos tais moderados. Se acreditassem, deveriam ter em conta que a atitude capitulacionista é, antes de mais, uma bofetada aos que têm apreço pelos nossos valores, independentemente da sua origem ou credo.

sexta-feira, fevereiro 17

Cinco manias - resposta

Finalmente respondo ao ON do Prozacland, após um esforço (fácil) para identificar 5 manias confessáveis:
1ª dormir cedo e com duas gretas do estore abertas
2ª jantar num restaurante pelo menos um dia por semana
3ª ir de preferência às sessões de cinema das 18 ou 19 (para evitar adormecer quando o filme não presta)
4ª ler novelas no original quando conheço a língua
5ª comprar cds com versões de canções de Cole Porter, quando os descubro

quinta-feira, fevereiro 16

Homens, mulheres e fantasmas

O biólogo Peter A. Lawrence acaba de ver recusada a publicação, na Science, de um artigo contendo uma heresia: os homens e as mulheres nascem diferentes e pensam de modo diferente! A história está aqui e aqui.

quarta-feira, fevereiro 15

Liberdade de expressão armadilhada

É curioso como os meios de informação com maior impacto frequentemente malbaratam a liberdade de expressão e a independência que seriam supostos possuir.

Repare-se, por exemplo, nas referências ao Irão durante a crise actual. Fala-se, claro, no enriquecimento de urânio, que é notícia. Mas não me recordo de ter ouvido ou visto nada sobre a recente greve de motoristas em Teerão, que desencadeou uma vaga de prisões e repressão sobre as famílias dos organizadores do protesto. Parece que a direcção da associação de motoristas pede a solidariedade de sindicatos franceses.

Há também rumores de que as comemorações do 27º aniversário da revolução islâmica esbarraram na falta de entusiasmo da população, não tendo havido multidão para mostrar nas ruas.

Entretanto, Amir Abbas Fakhravar, proeminente dissidente que actualmente vive escondido, deu uma entrevista à National Review Online.

Estas notícias podem requerer confirmações e investigação. Mas que fazem, por exemplo, as televisões? Em termos de imagem, limitam-se a passar as violências e queimas de bandeiras junto a embaixadas ocidentais em Teerão: encenações rombas, risíveis, com umas dezenas de figurantes inexperientes que fariam o fracasso de qualquer filme comercial. Ora, quem põe no ar as imagens não é ingénuo. Podemos concluir que há entre nós muita gente que assume com naturalidade o papel de porta voz do regime teocrático.

terça-feira, fevereiro 14

De vez em quando também se distraem...

... os guardiões da linguagem politicamente correcta. Ainda não ouvi mencionar o dia dos namorados e das namoradas. Imperdoável!

segunda-feira, fevereiro 13

O lugar do mas

A crise dos cartoons veio, curiosamente, exigir clarificação de posições políticas no que toca ao tema muito sensível da liberdade de expressão e desmascarar hipocrisias que costumavam passar despercebidas sob o manto do progressismo, sobretudo no campo da esquerda órfã do Muro.

A linha divisória não é entre esquerda e direita, conceitos vagos e inapropriados, mas, no caso concreto, entre os que defendem a liberdade de expressão mas compreendem - quando não justificam - a susceptibilidade dos sentimentos religiosos e as reacções dos fanáticos que fazem ameaças de morte, e os que reconhecem o direito ao protesto e às suas consequências em estado de direito mas põem em primeiro lugar a defesa da liberdade de expressão. Tudo depende, como se vê, do lugar que as frases ocupam em relação à palavrinha adversativa.

Na prática, a piedosa tolerância para com os sentimentos religiosos exibida pelos sectores da esquerda empedernida e todos os que, noutras esferas políticas, por aqueles têm sido contagiados, só se manifesta, como se vê, quando a religião ofendida é a mesma que obriga a vestir burkas, apedrejar mulheres e que, numa palavra, prega a condenação à morte dos apóstatas e infiéis. Se se tratasse de uma posição de princípio, motivos não teriam faltado para que os mesmos se fizessem ouvir entre nós em muitas ocasiões. Pelo que podemos concluir que, dependendo do que lhes convém, ora gritam A mas B, ora sussurram B mas A.

sábado, fevereiro 11

Os nossos valores estão a ser espezinhados. Exigimos desculpas

Sonia Mikish exige desculpas a governos de países onde os nossos valores não são respeitados.

I feel offended.

Zealots are nailing veils onto the faces of my sisters in Afghanistan and Pakistan and are busy hanging women, homosexuals, adulterers and non-believers.

But human rights, women's rights and the right to liberty are the most exalted in the history of humanity; this is the tradition in which I was raised. Values that make the world better and more peaceful.

I demand that the governments of Saudi Arabia, Palestine, Indonesia and Egypt apologise to me. Otherwise I am unfortunately forced to threaten, beat up, kidnap or behead their citizens. Because I am somewhat sensitive about my cultural identity. (...)


Artigo publicado em Die Tageszeitung, 6 de fevereiro.

quarta-feira, fevereiro 8

Os respeitos e o medo

É lugar comum comentar, a propósito das fricções entre o mundo ocidental e o mundo islâmico, que os muçulmanos não são todos terroristas e nem todos se deixam guiar pelos incitamentos à violência por militantes, agitadores e governos radicais.

Eu estou de acordo com o pressuposto. Quero até acreditar que uma parte muito importante da população de países islâmicos, uma parte com potencialidades para desempenhar um papel activo na transformação política dos respectivos regimes, partilha apreço por valores ocidentais e gostaria de poder usufruir deles nos seus países.

Então a quem servem os constantes "reconhecimentos de erros", auto-humilhações e pedidos de desculpa dos porta-vozes ocidentais face à ameaça ululante de quem queima e assassina? Não, certamente, aos que no mundo islâmico gostariam de poder lutar por mais abertura e liberdade. Claro que também não creio que os nossos timoratos líderes que se ajoelham queiram servir os radicais: simplesmente, perante a sua fúria, tremem de medo. É nisto que estamos.

quinta-feira, fevereiro 2

Dinamarca, Alemanha, Noruega, França

Aguarda-se que, em solidariedade, se façam ouvir as vozes dos destemidos que gostam de caricaturar símbolos religiosos, quando se trata da igreja católica. Afinal publicar desenhos do papa com preservativo no nariz é tão fácil como um passeio na Avenida.

quarta-feira, fevereiro 1

Recado a Odete

No forum tsf de hoje (que contou, diga-se de passagem, com algumas intervenções hilariantes, entre as quais a de um médico, se não erro) Odete Santos, perguntada sobre a posição do PCP sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo, apontou o caso português como muito complicado, devido ao pretenso moralismo de natureza judaico-cristã (cito de cor, não garanto que as palavras exactas tenham sido estas). Odete não deve ter reparado que os países onde aquela forma de casamento está reconhecida são todos de cultura judaico-cristã. Esqueceu-se também de mencionar a lista dos países com regimes comunistas ou aparentados, ou que já os tiveram, onde duas pessoas do mesmo sexo podem casar à vontade.

A ausência de utopia

Porque está o liberalismo em recuo na América Latina? Artigo de Hector Ñaupari aqui.

terça-feira, janeiro 31

O amor nos tempos de internet (7)

-Está, Dino?
-Sim, olá Eduardo, que tal?
-Tudo bem. Conseguiste alguma coisa?
-Vê tu, dos escritórios a quem enviei currículos por enquanto só um é que me contactou e parece-me que não vai dar nada
-Eu começo a ficar desesperado
-Também não é para tanto, ó
-Não será para ti, Dino, mas para mim o estágio é vital
-Por causa do teu pai?
-Do meu pai e de tudo... E agora com a doença da minha mãe as coisas estão piores. Não tenho pachorra para o meu pai e tenho que ficar mais vezes lá em casa.
-Ele já anda com outra?
-Acho que anda com duas, uma que dorme lá quase sempre e outra que deve ter engatado há pouco tempo.
-Porra, que pedalada, devias ter orgulho num pai desses
-Vai-te lixar. Olha que eu só te conto isto a ti, no último dia que lá estive descobri no computador um bocado de conversa de chat com uma tipa do norte.
-Velha ou nova?
-Pelo meu cálculo, bem nova.
-Fogo!
-Certo é que ele quando estava com a outra gaja as atenções eram todas para ela e depois de ela lhe por os palitos ficou tão desorientado que nem é capaz de fixar a uma frase minha, já te falei disto. Dá-me guito mas não me dá atenção. Em resumo, preciso de ficar independente o mais rápido possível
-Mas como? No estágio não costumam pagar nada que se veja!
-Depende... há sítios onde te pagam, lembras-te do caso da Isabel Alves, aquela que andava a repetir Penal II? Arranjou logo em Agosto um escritório onde lhe prometeram 700 euros à entrada.
-Eu se queres que te diga não acredito muito nessa gaja, mas pode ser... de qualquer modo é um caso que não serve de exemplo... É tão raro que até parece que houve camas pelo meio. Tu topas bem como ela se punha nas aulas do Andrade?
-Não sei, acho que estás a exagerar. Sei lá, não ponho as mãos no lume. Ainda ficas muito tempo aí na Guarda?
-Vou para Lisboa no fim de semana
-Óptimo, apitas para irmos tomar um copo?
-Não sei, quando for para aí vou ficar em casa da Sandra a Setúbal, os pais dela foram a um cruzeiro... tenho que aproveitar mas a gente depois combina
-Ah, ok, um abraço
-Xau

domingo, janeiro 29

Prova de vida




Há uns dias queixei-me, meio a sério, da duração exagerada de alguns filmes. Estava sob o efeito de ter visto um mau filme.

Para filmes como este a minha conversa é outra: podia durar até quatro horas e o prazer de ver seria o mesmo. De vez em quando apercebemo-nos de que o cinema ainda não morreu.


Eleições e terceiro-mundismo

Que caracteriza as eleições num país terceiro-mundista? Segundo Mario Vargas Llosa:

O protótipo de uma eleição terceiro-mundista é que nela tudo parece estar em questão e regressar ao zero, desde a própria natureza das instituições até à política económica e às relações entre poder e sociedade. E, em consequência, o país retrocede de imediato, perdendo da noite para o dia tudo o que ganhou ao longo de anos...

Greve em Teerão

Condutores de transportes públicos fizeram greve ontem em Teerão, apesar da forte repressão que teve como objecto activistas e as suas famílias. Esperam-se acusações falsas para legitimar condenações severas. (Via Publius Pundit)

sábado, janeiro 28

A mente não tão louca de Ahmadinejad

Nma lúcida análise de Victor Davis Hanson, traduzida em Libertad Digital, refere-se que a Europa, pelas piores razões, é um dos alvos do discurso de Ahmadinejad. Saliento:

...levantar dudas sobre ese genocidio es tan objetivo de Ahmadineyad, como apuntar sus armas al centro de Tel Aviv. La negación del Holocausto es un juego cansino pero su forma de abordarlo es distinta.

Ha estudiado la moderna mente postmoderna de Occidente, alimentada por la sagrada trinidad del multiculturalismo, la equivalencia moral y el relativismo. Como populista del Tercer Mundo, Ahmadineyad espera que su propio fascismo escape al escrutinio público si logra enumerar la suficiente cantidad de pecados pasados de Occidente. También entiende de victimismo. Así es que también sabe que para destruir a los israelíes, él –no ellos– debe convertirse en la víctima y que los europeos han de ser los que fuercen su mano. Citando a Ahmadineyad:

“De modo que les pregunto: Si en verdad ustedes cometieron ese gran crimen, ¿por qué la gente oprimida de Palestina debe ser castigada por ello? Si ustedes cometieron un crimen, son ustedes los que deberían pagar por ello.”

Ahmadineyad también comprende que hay millones de occidentales altamente educados pero cínicos, que no ven nada excepcional en su propia cultura. Si el democrático Estados Unidos tiene armas nucleares, ¿por qué no el Irán teocrático? “Los arsenales de Occidente rebosan a tope, sin embargo cuando es el turno de una nación como la mía para que desarrolle tecnología nuclear pacífica, ustedes objetan y recurren a las amenazas.”

Además, él sabe cómo funciona el relativismo occidental. De modo que, ¿quién puede decir que estos son “hechos”, o que esto es “verdad”, dada la tendencia de los poderosos a “construir” sus propias narrativas y llamar a ese resultado “Historia”? ¿No será que se exageró el Holocausto o que quizá hasta fue un invento, y que las simples cárceles se convirtieron en “campos de la muerte” gracias a un truco del lenguaje para apoderarse de tierra palestina?

Nos reímos pensando que todo esto es absurdo. Pero no deberíamos. El dinero, el petróleo y las amenazas han traído a los teócratas iraníes hasta el umbral mismo de un arsenal nuclear. Su extraordinario diagnóstico del malestar occidental los ha convencido ahora de que pueden fabricar cuidadosamente una realidad sin Holocausto en la cual los musulmanes son las víctimas y los judíos los agresores merecedores de castigo. Y por ende, el Irán moralmente agraviado (y nuclear) de Ahmadineyad podrá por fin, después de “cientos de años de guerra”, poner las cosas en su sitio en Oriente Medio.

Y entonces, a un mundo que desea continuar ganando dinero y conducir coches en paz no le importará mucho la forma cómo este hombre escogido por la divinidad termine finalmente con esa fastidiosa “guerra del destino”.

O mundo ao contrário (lido nos jornais)

Luigi Cascioli acusou o padre Enrico Righi de abusar da credulidade popular ao apresentar Jesus Cristo como figura histórica. Esta notícia vem relatada no PÚBLICO de hoje e tinha já sido referida no Insurgente a partir de outra fonte. Mas a notícia diz também que o juiz do tribunal de Viterbo a quem a acusação foi apresentada vai ter "que ter tempo para reflectir se Jesus existiu ou não". Mais extraordinário do que a acusação é o facto de ela ter sido, ao que parece, aceite pelo juiz. No país onde Oriana Fallacci foi recentemente condenada por ofensas ao Islão, imagina-se um juiz a aceitar a queixa de alguém que pusesse em causa o facto de se propagar que Deus ditou o Corão a Maomé?

:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

Um polícia de 33 anos de Ronda (Málaga) assassinou a tiro a ex-namorada. O polícia era membro da Assembleia Local Contra a Violência de Género. Era considerado muito competente nos aspectos jurídico e policial, sendo por isso frequentemente elogiado pelas organizações de mulheres.