quarta-feira, abril 27

A Matemática só nos dá preocupações

A ministra que acha que os exames no 3º ciclo do básico são uma coisa execrável, e por isso devem ser extintos, está preocupada com as más prestações dos alunos em Matemática. Para isso, propõe uma série de medidas originalíssimas. De modo também originalíssimo, a presidente da Associação de Professores de Matemática vem dizer que está de acordo, mas.

segunda-feira, abril 25

Livros e leituras

O O.N. (Prozacland) desafiou-me a responder a um inquérito que, como me apercebi, tem circulado na net nas últimas semanas. Eu não consigo responder porque acho que a primeira pergunta está mal formulada, e a partir daí creio que tudo perde o sentido. Mas, sem ser uma resposta, posso dizer que o último livro que li foi o Traité des Excitants Modernes de Balzac. E o penúltimo foi a Memória das Putas Tristes do... vocês sabem quem. E o antepenúltimo foi Un Amour de Jeanne de Michel Ragon. De momento entretenho-me com os textos de El Lenguaje de la Pasión, de Vargas Llosa (2000). E quando olho para a pilha de livros em fila de espera hesito sempre entre iniciar um novo ou reler um daqueles que me surpreenderam ou maravilharam. Até agora a escolha tem sido quase sempre a primeira, mas também é verdade que não têm sido poucas as leituras que deixo incompletas: umas vezes porque decididamente a qualidade não satisfaz, mas em grande parte dos casos porque me apercebo de que "já li aquilo noutro lugar" - no sentido em que intuo que prosseguir a leitura não me vai proporcionar prazeres novos. E, sendo sabido que tenho falta de tempo, sou obrigado a economizar este mais escasso dos bens.

Haverá vida inteligente no Instituto da Inteligência?

(via Blasfémias, link ao lado:) Esta curiosa notícia suscita dúvidas muito pertinentes. Os progressos na educação vão dar passos de gigante, dizem eles! Presunção e água benta...

quarta-feira, abril 13

A ANTENA 2

A Antena 2 é um luxo. Uma estação de rádio que emite sobretudo música de qualidade 24 horaspor dia! (Com os acontecimentos deprimentes do dia, como as manifestações de estudantes amestrados, não tenho outro remédio senão pensar em coisas insignificantes como a Antena 2.) Dizia eu que nem sabemos dar o verdadeiro valor ao tesouro que é a A2 e que nos dão de bandeja. Bom, mas nem tudo é exactamente assim bom, preto no branco. É que além da música há por lá umas pessoas que falam! Claro que ouvir uma boa conversa é um prazer, e ocasionalmente issso consegue-se (cada vez menos). A rádio portuguesa está cheia de conversa de chacha (será com x? só conheço a palavra pela oralidade) e a A2, ao contrário do que poderia pensar-se, não é excepção. Os animadores dos programas mais informais (Despertar a 2 e Ritornello, por ex.) ou falam demasiado, sem conteúdo que se oiça, ou exibem fraquíssima capacidade de articulação de um discurso interessante, ou limitam-se a tentar inocular-nos doses maciças de gostos pessoais e entrevistas a amigalhaços irrelevantes. Quando oiço aquelas conversas insípidas e trôpegas, como a desta manhã no início do Acordar (gerando um impulso para desligar o rádio apesar da alta qualidade da música que estavam a passar) ocorre-me sempre como é frequente andarmos no mundo com os papéis trocados. Quem estaria bem na A2 seria o António Guterres. Pelo menos as frases sairiam direitinhas e com sintaxe irrepreensível, eventualmente com arquitectura requintada. E ali não prejudicaria o país nem o mundo. O auditório da A2 deve caber numa sala pequena do CCB.

domingo, abril 10

No PÚBLICO de hoje...

Guilherme Valente, preocupado com o que irá ser a política de educação no curto prazo. Assino por baixo. António Barreto escreve sobre os dilemas do PSD.
Ana Sá Lopes, que às vezes tem piada no papel de Vanessa, hoje espalha-se ao comprido. É que só se pode continuar a ridicularizar Santana Lopes por preguiça intelectual.

sábado, abril 9

O nome e o prenome

Em Portugal cultivamos um uso exorbitante de títulos académicos. Digo exorbitante porque é com grande frequência que, em situações que não têm a ver com a vertente profissional associada, precisamos do dr. ou eng. para referir determinada personagem pública do mundo da política. Até os sarcásticos, pessimistas e impiedosos críticos do nosso pequeno mundo caem no vício: Vasco Pulido Valente escreve frequentemente "dr. Cavaco". O vírus da doutorite-engenheirite é transversal na nossa sociedade, mas os jornalistas constituem claramente um grupo de risco com elevado potencial de infecção. (E até os ouvintes do forum da TSF chamam por vezes "dr..." ao jornalista de serviço!)
Um momento de reflexão basta para nos darmos conta de que nunca ouvimos as expressões dr Blair ou dr Chirac ou dr Aznar ou eng Zapatero ou...
Provincianos e pequeninos, julgamos que tratar alguém, fora de uma situação profissional em que isso se justifique, por "senhor" ou "senhora", é sinal do desprezo e sobranceria com que nos dirigiríamos ao canalizador ou ao marido da nossa empregada doméstica (pessoas que, de resto, podem ser competentíssimas nas respectivas profissões).
Quando todos acharmos natural dizer e escrever "sr. Cavaco", "sr. Sócrates" ou "sra Ana Gomes" teremos feito progressos no domínio das nossas próprias referências.

quinta-feira, abril 7

Mau tempo na educação...

... com o abandono do objectivo de validar os manuais escolares por alguns anos. E com o anúncio da supressão dos exames no 9º ano.

segunda-feira, abril 4

POSITIVO NEGATIVO

Há poucos dias foi distribuída com o Público uma revista intitulada País Positivo. Uma primeira parte era dedicada a 2005 ano internacional da Física e era pretexto para umas fotografias de presenças de Sampaio em sessões relacionadas com o evento. Havia também uma entrevista com o presidente da FCT, Ramoa Ribeiro. Seguiam-se páginas dedicadas a publicidade de empreendimentos turísticos. A terminar, entrevistas com vários autarcas focavam as suas grandes iniciativas no sentido do progresso das regiões onde são poder.
Sabem como se fazem estas revistas? Os promotores enviam propostas aos potenciais interessados em publicidade, juntamente com a tabela de preços. Quem quer ser "entrevistado" paga.
Trata-se de pura publicidade mascarada de jornalismo. Honestamente, que interesse pode suscitar este tipo de publicação? Para além da sensaboria do objecto há um aspecto que me desagrada: saber que é com dinheiro público que alguns empoleirados vêm anunciar as suas grandiosas realizações (estou a pensar sobretudo nos autarcas).

quinta-feira, janeiro 20

EXPERIÊNCIA

Como não tenho tempo, aproveito para dizer que acho péssimo que o CCB faça publicidade a espectáculos (por ex., concertos) sem fazer qualquer referência ao conteúdo do programa. Como se todo o público se movesse apenas pela fama dos intérpretes!